O grande erro da pregação moralista

Graeme Goldsworthy, no seu livro “Pregando toda a Bíblia como Escritura Cristã” (Editora Fiel), considera a ligação entre legalismo e pregações moralistas. Ambos satisfazem o desejo humano de alcançar metas por força própria.

“O pregador pode favorecer e estimular [uma] tendência legalista que está no âmago do pecado que habita em todos nós. Tudo que temos de fazer é enfatizar nossa humanidade: nossa obediência, nossa fidelidade, nossa rendição a Deus e coisas semelhantes. O problema é que estas coisas são todas verdades bíblicas legítimas, mas, se as colocarmos fora de perspectiva e ignorarmos sua relação com o evangelho da graças, elas substituem a graça pela lei. Se dissermos constantemente às pessoas o que eles devem fazer para terem sua vida em ordem, colocamos sobre elas um terrível fardo legalista. É claro que devemos obedecer a Deus; é claro que devemos amá-lo de todo o nosso coração, mente, alma e força. A Bíblia nos diz isso. Mas, se sempre dermos a impressão de que é possível fazermos isso por nós mesmos, não somente tornamos o evangelho irrelevante, mas também sugerimos que a lei é, de fato, mais fraca em suas exigências do que ela realmente é. O legalismo diminui a lei ao reduzir seus padrões ao nível de nossa competência. Há um ditado infeliz e enganador que, de vez em quando, ouvimos de pessoas que deveriam saber melhor: Deus não exige de nós o que não podemos conseguir. Isto subentende ou que Deus exige menos do que perfeição ou que a perfeição é menos perfeita, porque podemos atingi-la. Na verdade, a lei de Deus não é formulada de acordo com a capacidade pecaminosa do homem para cumpri-la, e sim como uma expressão do perfeito caráter de Deus.
Em termos práticos, se nós, como pregadores, estabelecemos as marcas do cristão espiritual, ou da igreja madura, ou do pai piedoso, ou do filho obediente, ou do pastor dedicado, ou do presbítero responsável, ou do líder de igreja sábio, e se fazemos isso de uma maneira que a conformidade é apenas uma questão de entendimento e de ser obediente, estamos sendo legalistas e nos arriscamos a destruir aquilo mesmo que desejamos construir. Podemos atingir uma aparência exterior de conformidade com o padrão bíblico, mas fazemos isso à custa do evangelho da graça, o qual sozinho pode produzir a realidade destes alvos desejáveis. Dizer o que devemos ser ou fazer, sem ligar isto com uma exposição clara do que Deus tem feito quanto ao nosso fracasso de ser ou de fazer perfeitamente o que ele quer, é rejeitar a graça de Deus e levar pessoas a ansiar por autoajuda e auto melhoramento de um modo que, sendo franco, é ímpio.”