A Igreja universal na visão do Charles Spurgeon

Podemos dizer que Charles Spurgeon era landmarkista? Definitivamente não. Spurgeon não (1) negava a existência da igreja universal e, por implicação, também (2) não tinha as demais igrejas cristãs não-batistas como ilegítimas, falsas ou heréticas. Seguem algumas citações selecionadas:

Qualquer grupo de homens cristãos, reunidos pelos laços santos da comunhão para o propósito de receber as ordenanças de Deus, e pregando o que consideram ser a verdade de Deus, é uma igreja; e a soma dessas igrejas reunidas em um, de fato todos os verdadeiros crentes em Cristo espalhados pelo mundo, constituem Uma Igreja Universal Apostólica verdadeira, construída sobre a rocha, contra qual as portas do inferno não prevalecerão. Portanto, quando falo da igreja, não entenda que me refiro ao arcebispo de Canterbury, o bispo de Londres, uns vinte tantos dignitários, e todos seus ministros. E nem ainda quando falo da igreja me refiro aos diáconos, presbíteros, e pastores da denominação Batista, ou qualquer outra. Me refiro a todos os que amam o Senhor Jesus Cristo em sinceridade e verdade, pois estes compõem a igreja universal que tem comunhão em si e consigo, nem sempre com sinais externos, mas sempre com a graça interna; a igreja que foi eleita por Deus antes da fundação do mundo, remida por Cristo com seu próprio sangue precioso, chamada pelo Espírito, preservada pela sua graça e, no fim, será recolhida para constituir a igreja dos primogênitos, os quais nomes estão escritos no céu. [1. Sermão 191, “Christ Glorified as the Builder of His Church”, 2 de maio de 1858.]

Meus amigos, se não podeis abraçar todos aqueles que amam o Senhor Jesus Cristo, qualquer que seja a denominação a qual pertencem, e os ter como parte da Igreja universal, seus corações não são grandes o suficiente para entrar nos céus; pois, se sua visão for essa, não podeis afirmar, “Cristo é tudo”.  [2. Sermão 3446, “Christ is all”, 18 de fevereiro de 1915]

Mas glória a Deus […] pois ainda que a Igreja visível pareça ter sido rasgada e dilacerada em certos momentos, a Igreja invisível é uma. Os escolhidos de Deus, chamados por Deus, vivificados por Deus, comprados pelo sangue divino — são um em coração e um em alma e um em espírito. Ainda que usem nomes diferentes entre os homens, perante Deus, carregam o nome do Pai nos seus frontes. E são, e para sempre deverão ser, um. [3. Sermão 443, “The Two Draughts of Fish”, 6 de abril de 1862]

Sabemos que nem todos os de Israel são, de fato, israelitas e que a Igreja visível não é idêntica àquela Igreja que Cristo amou e pela qual entregou a Si mesmo. Há uma Igreja invisível e é ela o cetro e vida da Igreja visível! [4. Sermão 628, “A Glorious Church”, 7 de maio de 1865]

[Arte: Detalhe de “Charles Haddon Spurgeon” por Alexander Melville]

2 thoughts on “A Igreja universal na visão do Charles Spurgeon”

  1. Caro Daniel, então posso crer que Spurgeon era Reformado? E o que dizer dos Galeses (Welshs)?

    1. Olá Jorge, de certa forma sim. Sua teologia é bastante similar aos Batistas Reformados de hoje. Mas vale lembrar que a doutrina da igreja universal não é exclusividade dos Reformados.

      Desculpe, não entendi a ligação entre Spurgeon e os Galeses.

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