A ilustração do corpo para entender a Igreja Universal

David Martyn Lloyd-Jones considera o significado do corpo de Cristo em que está reunido todos os cristãos. “Procurando cuidadosamente manter a unidade do Espírito no vínculo da paz. Há um só corpo…” Ef 4.3,4

A Igreja é uma nova criação, e, ao trazê-la à existência, Deus fez uma coisa tão inteiramente nova como a criação do universo. Ele não tomou simplesmente um judeu e um gentio e os juntou algo assim como uma espécie de coalização, e os fez sentar-se juntos a uma mesa e os levou a um acordo de amizade mútua. Não! A Igreja é uma nova criação. Ela não é uma coleção de partes. O antigo foi destruído, já não há mais judeu e gentio. Essa distinção é eliminada por este corpo. Houve uma destruição antes de haver uma nova criação. Fomos libertos das coisas que nos separavam antes de Deus “criar dos dois um novo homem”.

Isto se pode ver claramente na analogia do corpo. O corpo consiste de dez dedos nas mãos, dez nos pés, duas mãos, dois pés, duas pernas, dois braços, e assim por diante. No entanto, o corpo não é uma coleção dessas partes; e nenhuma delas foi criada independente ou separadamente e depois colocada junta com as outras. Não é assim que o corpo se desenvolve e vem à existência. Como dissemos antes, tudo parte de uma célula que começa a desenvolver-se e a crescer, e pequenos filamentos germinam. Um destes filamentos será o antebraço direito, o braço e a mão; outro formará o mesmo no lado esquerdo. Então o filamento que forma o tronco desce, e as pernas se formam, provenientes do tronco. E tudo vem da célula original primitiva. As partes nunca tiveram existência independente; todas são rebentos, produtos desta célula central primitiva. E por isso que há uma unidade essencial no corpo.

A ilustração mostra aquilo que é próprio de nós, como membros da verdadeira Igreja Cristã. É neste ponto que pode muito bem acontecer que as igrejas visíveis, que são essenciais, nos façam extraviar. O que sucede com elas é que há um rol de membros, e, quando uma pessoa se une a uma igreja, o seu nome é acrescentado à lista dos que já são membros. É preciso que se faça isso, mas tende a dar-nos uma falsa noção da natureza da igreja mística. Não somos acrescentados a Cristo dessa maneira. A verdadeira Igreja é uma nova criação, e todos os que pertencem a ela nasceram do Espírito, nasceram de Cristo, são “participantes da natureza divina”. Uma vez que vejamos a verdade nesses termos, a inevitabilidade da unidade será óbvia. [1. Citação do livro “A Unidade Cristã” de D. M. Lloyd-Jones, Publicações Evangélicas Selecionadas, SP, 1994, p 47,48]