EGBERT VAN HEEMSKERCK II ( HAARLEM C. 1676-1744) An allegory of greed

O grande engano da teologia da prosperidade

Por mais que a teologia da prosperidade ofereça conquistas e vitórias, a ironia é que sua pregação, na verdade, rouba a satisfação dos seus seguidores. Ela foca tanto em nossas necessidades que ofusca o descanso que encontramos na soberania de Deus.

Ninguém dúvida que o apóstolo Paulo teve uma vida dolorida. 2Co 11.24-28 faz menção das torturas sofridas. Ainda assim, Paulo encontrou a satisfação que é tão almejada pela alma humana. A frase-chave é esta: ele encontrou satisfação apesar do sofrimento e não somente na ausência do sofrimento.

Já aprendi a estar safisfeito em todas as circunstâncias em que me encontre. Sei passar necessidade e sei também ter muito; tenho experiência diante de qualquer circunstância e em todas as coisas, tanto na fartura como na fome; tendo muito ou enfrentando escassez. (Fl 4.11b, 12)

Este versículo vaporiza a nossa tendência materialista de buscar mais bens para termos mais ‘satisfação’. Pense no que Paulo está dizendo. “Minha satisfação não vem das circunstâncias; vem do Deus soberano que governa sobre todas as circunstâncias. Logo, minha satisfação é inabalável.

E aí entendemos a profundidade do ataque feito pela teologia da prosperidade. Ela rouba dos seus seguidores a oportunidade de conhecer a satisfação inabalável da qual as Escrituras falam. Ela sussurra: “Quando você estiver próspero, então encontrará satisfação. Confie nisso! Toma posse disso!” Com isso, milhares são desiludidos, pensando que a paz do mundo é o ápice da fé cristã. Desconhecem as palavras de Cristo: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Eu não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração nem tenha medo” (Jo 14.27). A paz do mundo é momentâneo; a paz de Cristo é eterno. A paz do mundo é superficial; a paz de Cristo é genuína. A nossa satisfação, paz e consolo precisam estar ancoradas na pessoa de Jesus Cristo para não serem levados pela ventania das circunstancias.

Amigo, enquanto pensar “só descansarei no poder de Deus quando experimentar um milagre“, você estará pondo sua fé no milagre e não no Senhor. Enquanto disser “estarei satisfeito somente após experimentar vitória nesta área da minha vida“, você não poderá cantar: “meus lábios te louvarão, pois teu amor é melhor que a vida” (Salmo 63.3). Qualquer vale doloroso, inclusive o vale da sombra da morte, se torna doce, quando a soberania e bondade de Deus nos sustenta.

“Um espírito cristão é contrário àquele espírito egoísta que consiste no amor próprio que vai após os objetos que se confinam e se limitam a ele próprio – tais como a riqueza terrana, […] ou sua própria tranquilidade e conveniência terranas…” – Jonathan Edwards [1. EDWARDS, Jonathan. Caridade e Seus Frutos, Editora Fiel, 2015. p. 192]

Leitura adicional: o texto “O Contentamento na Vida” pelo Pr. Thomas Tronco é excelente.

Capa: “An Allegory of Greed”[2. Detalhe: “An Allegory of Greed”, por Egbert Van Heemskerck II (Haarlem C. 1676-1744)]