Um Cristão pode ser Soldado / Militar?

Olha só que interessante. Em Lucas 3, João o Batista anuncia o arrependimento para o perdão dos pecados. Muitos ouviram sua mensagem e tanto hipócritas quanto sinceros buscaram o batismo. A estes João insistia: os discípulos de Cristo devem “[produzir] frutos próprios de arrependimento” (Lucas 3). Em outras palavras: se sua vida foi transformada pelo Evangelho, o arrependimento deverá produzir uma piedade visível, tangível e real.

“Mas, como são esses frutos de arrependimentos, João? Seja mais específico”, pedia-lhe o povo. Então João dá alguns exemplos da piedade cristã.

Aos judeus convertidos da arrogância, João os instrui a procurarem um espirito de caridade (versículo 11). Já aos publicanos convertidos, aqueles tão odiados cobradores de imposto, João os instrui à honestidade (versículo 13). Por fim, João aplica sua mensagem aos soldados.

Opa, para tudo. Soldados? Pois é.

Imagina a cena: você, judeu, odeia o governo Romano e tudo que ele representa: seu paganismo, sua violência, sua cobrança de impostos altíssimos, sua zombaria da fé judaica. E agora, aparecem alguns soldados para serem batizados, desejosos por saber quais seriam frutos dignos de arrependimento. Com certeza João o Batista vai descer a lenha. “Vão para casa, vendam suas espadas, rasguem suas bandeiras, fujam da atividade militar e adotem um estilo de vida pacífico.” João humilhará aqueles que tanto nos humilham. Prepara a música do “Turn Down For What?” que vai ser lindo.

E ae João vira para os soldados e diz: “De ninguém tomeis nada à força, nem façais denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso salário” (v. 14).

SÓ ISSO?!

De todas as virtudes, essas três – honestidade, justiça e contentamento – eram as mais escassas no comportamento militar. O povo tinha se acostumado ao abuso de autoridade, a exigência de suborno e o desejo insaciável de ganhar mais e mais dinheiro. Mas o Espírito Santo mudará tudo isso de forma visível. É como se João dissesse: “Vocês são soldados que foram realmente alcançados pelo Evangelho? São, de fato, arrependidos? Então sejam soldados transformados.”

O que fica claro é que João o Batista esperava que o Espírito Santo agisse de forma transformadora até naqueles mais desprezados pela sociedade: os arrogantes, os coletores de imposto, e os soldados.

Hoje no contexto brasileiro evangélico é um tanto comum pensarmos que certos profissionais não podem ser alcançados pelo Espírito Santo. Duvidamos que um soldado ou policial podem ser legítimos cristãos. Um político então – jamais!

Mas essa mentalidade não atrapalharia nosso evangelismo? Quando rotulamos certas pessoas como “inalcançáveis pelo evangelho”, não oraremos por eles. Não desejaremos que conheçam e pratiquem a verdadeira justiça. Não aceitaremos ser vistos sentados à mesa com publicanos e pecadores. E nem celebraremos suas conversões. Enxergamos a injustiça nos seus atos, mas não nos nossos. Eles são o cúmulo de arrogância, e não nós.

Mas as boas novas do Evangelho servem para todos. “Todos verão a salvação de Deus” (v. 6). Seja seu pecado a arrogância, o reclamar do seu salário, ou a falta de misericórdia, saiba que Jesus Cristo tem o poder para produzir a genuína piedade na sua vida. Arrependa-se, e creia.