O Salvador que Sangrou

Para muitos jovens cristãos, Jesus Cristo é Deus poderoso, soberano, justo — e distante de nós.

Ou seja: é possível descrever Jesus com mil termos teológicos mas sem se quer uma aplicação prática para o nosso dia-a-dia.

Por toda nossa volta vemos as duras realidades da dor, do pecado, e da nossa própria hipocrisia e incerteza. Muitas vezes, nossos pecados escondidos nos parecem ser mais reais do que o nosso Salvador. Nossa enfermidade é mais tangível do que a Cura.

A solução, claro, não é abandonar os livros de teologia. Terminologia teológica tem seu lugar e importância. Mas não há lugar em que vemos a humanidade de Jesus Cristo com mais clareza do que nas próprias Escrituras.

Na Palavra vemos Jesus Cristo o Deus-homem. 100% Deus e ao mesmo tempo 100% homem. E isso traz profundas implicações para nosso dia-a-dia.

Jesus Cristo nasceu em Belém e, assim como qualquer bebê que nasceu naquela noite, chorou de fome, de dor, e de sono. Teve que aprender as primeiras palavras e a tomar os primeiros passos. Chamava cachorro de au-au e ria com as brincadeiras bobas de Maria e José.

Como adolescente, brincava com os amigos e primos. Brincavam de esconde-esconde, de bola, e de imitar os guerreiros heróis do Antigo Testamento. Recitavam as poesias e músicas populares.

As Escrituras nos dizem que Jesus “crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens” porque crescimento e desenvolvimento fazem parte da humanidade normal.

Logo nos primeiros séculos apareceram ideias heréticas que sugeriam que Jesus Cristo não participava da nossa humanidade. Imaginavam que a divindade de Jesus ficaria manchada, enfraquecida ou contraditória se Ele tivesse de fato um corpo humano, tendo nascido — literalmente — de uma mulher e conhecendo na própria pele aqueles sentimentos que são comuns a nós. A seita dos Testemunhas de Jeová, por exemplo, mantém ainda hoje essa visão herética: Jesus era um homem que recebeu uma porção de divindade, mas não pode ser 100% Deus e 100% homem.

Mas as Escrituras nos conta outra história: vemos o Criador da terra com fome. Vemos a Fonte da Vida com sede. Vemos Aquele que nos sustenta com fome. Vemos Aquele que dá descanso com sono. E vemos Aquele que vivifica chorando a morte de seu amigo Lazaro. Para os discípulos que o seguia, Jesus Cristo não era um Deus distante, intocável ou invisível. Ele não era uma nuvem de termos teológicos. Para eles, Jesus é o Mestre bondoso e Amigo fiel. Assim como profetizado por Isaias atrás, Jesus era “Deus conosco” (Is 8.8).

Jesus conheçe a amargura da dor, morte e solidão. Ele sabe como é ser abandonado e perseguido. Ele carregue as marcas do sacrifício. O sangue que Ela derramou na cruz não foi figurativo e muito menos fictício. Assim como o Tomé reconheceu, precisamos admitir que os furos nas suas mãos são reias. Ouvimos a voz de Cristo: “Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia.”

Como isso nos impacta?

Primeiro, que nós podemos levar nossas necessidades a um Deus real que conheçe a humanidade ‘de dentro pra fora’! Ele criou nossa humanidade, e também experimentou dela. Nossa petições e orações não são estranhas a Ele. Apesar de ser soberano e omnipresente, nossas dores não são ‘meras inconveniências’. Se Deus sabe o que acontece com cada pardal (Mt 10.29), Ele enxerga de perto o que acontece em nossas vidas. Ele conhece nossas crises, e sabe como soluciona-los. Ele “não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos.” (At 17.27)

Mas, em segundo lugar, nosso Senhor Jesus Cristo é eternamente superior a nossa humanidade. Nosso perdão é meia-boca; somos infiéis, fracos e facilmente abalados. Jesus Cristo não é assim. Ele cumpre cada promessa. Seu perdão é completo e infinito. Seu amor não é estável, e seus planos não são frustrados. Ele é o Amigo fiel que não te deixa na mão. Ele é o Pastor que não é hipócrita. Ele é Irmão mais velho que não te despreza. Milagre após milagre provaram que seu poder não é limitado. Tanta a ressureição de Lazaro como também a sua própria ressureição provaram que a morte não tem a última palavra.

O pecado terá fim. A dor é por tempo limitado. Não teremos para sempre esta frustração de vivermos sem entendermos ou enxergamos as respostas. A esperança é real: um dia veremos Ele na sua glória. (1Jo 3.7) Assim como Ele participou da nossa realidade, vamos participar da Sua. Perante o seu Trono vamos adorar o Cordeiro que sangrou, ressuscitou e vive para todo sempre.

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