Conceito de igreja universal entre os anabatistas

“Apesar da igreja ser chamada de nomes diferentes, … todas elas, antes, durante e depois da Lei, que, em sinceridade temem ao Senhor, andavam e continuem andando de acordo com a Palavra e Vontade de Deus, confiando em Cristo, são uma só comunidade, igreja e corpo, e para sempre serão; pois todas foram salvas por Cristo, aceitas por Deus, e receberam a dadiva do Espírito da sua graça.”

– Menno Simons, (1496-1561)

Fonte: “Concerning the church, and an instructive comparison how we may distinguis between the church of Christ and the church of anti-Christ” (link)

“As vezes, a Igreja é entendida como sendo todos os homens que estão congregados e unidos em um Deus, um Senhor, uma fé e um batismo, e confessam a fé com seus lábios, aonde quer que estejam na terra. Esta é a Igreja Cristã universal, o corpo e comunhão dos santos, que se reúne somente no Espírito de Deus, mencionado no nono artigo do Credo Apostólico. Outras vezes, a igreja é entendida como sendo, em particular, uma congregação externa, paróquia ou povo, sob um pastor ou bispo, que se reúne corporalmente para doutrina, batismo e ceia.” […] “A congregação particular pode errar, como a igreja papista tem errado em muitos aspectos. Mas a igreja universal não pode errar.”

– Balthasar Hübmaier, (1480?-1528)

Fonte: Henry Clay Vedder, “Balthasar Hübmaier, the Leader of the Anabaptists”, 1903 (link)

“O termo igreja ou congregação indica que ela é, não apenas invisível, mas também visível, pois o termo usado é ecclesia, ou seja, um encontro ou reunião ou congregação…”

– Dirk Philips, (1504-1568)

Fonte: William Estep, “The Anabaptist Story: An Introduction to Sixteenth-Century Anabaptism” (link)

“Cremos e mantemos firmemente tudo o que está contido nos doze artigos do símbolo comumente chamado de Credo Apostólico , e consideramos herética qualquer inconsistência com eles.”

– Confissão de Fé Valdense (1120)

Fonte: Confissão de Fé Valdense (link)

O propósito da Reforma na visão do Charles Spurgeon

“Considere a Reforma. Qual foi o propósito de Deus em levantar Lutero, e Calvino, e Zwingli, para efetuar a Reforma? Ora, para esse grandioso propósito: que Cristo veja o fruto do trabalho da sua alma, e que seus escolhidos creiam nEle. Este era o propósito da Reforma. E o que a Reforma alcançou? Não somente isto, mas também outras mil coisas, pois as artes e ciências devem seus progressos à Reforma; a mente humana foi libertada e expandida; e milhões de pessoas que nunca obtiveram a vida eterna em Jesus Cristo, pela gloriosa Reforma obtiveram liberdade, e dez mil misericórdias a mais.”

– Charles Spurgeon

fonte: General and Yet Particular, n°566 – Pregação ministrada em 24 de abril de 1864.

A maior família do mundo

O pecador regenerado por Cristo é adotado na família de Deus. As implicações são tremendas:

  • somos — literalmente — irmãos e co-herdeiros de Jesus Cristo (Rm 8.17,29)
  • o mesmo Espírito guia todos os filhos de Deus (Rm 8.14,15)
  • todos estão sendo conformados à imagem de Jesus Cristo (Rm 8.29)

» Ok, beleza. Isso é bastante interessante. Só que tem um problema: existem irmãos co-herdeiros que pertencem a outras denominações. Como devo trata-los?

Como Jesus tratou a família de Deus? “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir…” (Mc 10.45). Seguindo o exemplo do nosso Mestre, não devemos também servir nossos irmãos com amor, oração e comunhão, dispostos a lavar seus pés (João 13.14,15)? Não podemos amar somente de palavra ou de boca, “mas em ações e em verdade” (1Jo 3.18).

» Mas existem aqueles que dizem ser parte da família de Deus mas pregam heresias & vivem vidas indignas. Não devo ter cautela ao buscar ter comunhão com a família de Deus?

Sempre existem aqueles, como lobo em pelos de cordeiros, tentam abusar daquela comunhão em Cristo usufruído pela família de Deus. Não devemos fazer de conta que suas blasfêmias são encobertas (Rm 16.17,18) (Judas 1.4). Mas não podemos deixar de amar à maior família do mundo por medo dos impostores. Antes, nosso amor dará testemunho do quanto nosso Deus é verdadeiro (João 13.35), dando-nos confirmação “que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1Jo 3.14).

» Mas e se alguns cristãos pisam na bola, aí fica feio para a família toda, não? Prefiro ficar mais a sós, tendo comunhão somente com os membros da minha igreja.

Pergunte a Cristo: Ele é o nosso irmão e co-herdeiro. Ele nos abandona cada vez que nossos pecados trazem vergonha a Seu Nome?

Legalismo: um atalho para a Santificação?

De início, duas verdades: Deus deseja que seu povo seja santificado e o Responsável pela obra da santificação é o próprio Espírito Santo (1 Pedro 1.2). Porém, como todos os cristãos percebem, o processo da santificação é longa e muitas vezes doloroso. Existiria algum atalho para a santificação? Algum ‘acelerador espiritual’? O legalismo responderia que sim.

“Hey cristão,” diz o legalismo, “tu queres ser santo? Siga esta série de exigências:”

  • Pare de assistir novelas
  • Se for mulher, pare de usar calças
  • Se for homem, pare de usar bermudas
  • Se for jovem, pare de jogar videogames
  • Leia 1 capítulo por dia
  • Dê mais oferta
  • Nunca falte um culto, etc…

“Siga a risca e ganhará a aprovação de Deus, alegrará o Espírito Santo, e será um modelo para os demais irmãos,” conclui o legalismo.

O que não percebe, porém, é que Deus é glorificado tanto pela santidade como também pelo processo da santidade. O autor de Hebreus, após exaltar a Cristo como sumo Sacerdote e perfeito Mediador, afirma: “Portanto, aproximemo-nos com confiança do trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Heb 4.16). É este o processo da santificação que glorifique a Deus: homens e mulheres buscando a misericórdia e graça perante o Trono através de Jesus Cristo. Aquele que tente burlar a santificação, menospreza o Trono da graça, o Mediador, e sua graça e misericórdia.

O fruto deste processo de santificação é o mesmo fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio” (Gl 5.22,23), obras quais nunca são incluídas na lista legalista.

Erasmus publicou 5 versões do mesmo texto grego

Há irmãos bem-intencionados que defendem que somente a Almeida Corrigida Fiel (no Brasil) e King James Version (nos EUA) podem ser denominadas como a Palavra de Deus nos seus respectivos idiomas, por serem traduções baseadas no Textus Receptus, texto em grego compilado por Erasmus. O argumento se resume desta forma: “Se Deus preservou Sua Palavra, existe somente uma tradução que é uma cópia exata daquela que foi preservada; todas as demais traduções são variações falhas”.

Entretanto, surge uma dificuldade: o próprio Erasmus publicou, não uma, mas cinco versões do seu texto grego.

  • 1516 – primeira edição; o texto de Apocalipse é baseado em somente um manuscrito grego, que faltava os versículos 15-21 do capítulo 22, então esses 6 versículos são baseados na Vulgata (latin).
  • 1519 – segunda edição; inclui correções ao texto em Apocalipse. Ela contém 400 variações se comparada com a 1ª edição. É esta 2ª edição usada por Lutero na sua tradução alemã.
  • 1522 – terceira edição; Erasmus inclui a famosa Comma Johanneum (1 João 5.7-8) sob pressão da Igreja Católica Romana. Ela contém 118 variações se comparada com a 2ª edição. É esta 3ª edição usada por William Tyndale na sua tradução inglês.
  • 1527 – quarta edição, incluindo correções baseadas na Bíblia Poliglota Complutense. Ela contém 113 variações se comparada com a 3ª edição.
  • 1535 – quinta edição, tendo 5 variações se comparada com a 4ª edição.

Se Erasmus não tivesse falecido em 1536, imagino que teria publicado outras edições.

Surgem então as perguntas: se variações são sinais de perversão do texto, qual edição do Textus Receptus é a Palavra de Deus definitiva? Os leitores da 1ª edição puderam conhecer toda a vontade de Deus? Puderam conhecer a doutrina da Trindade sem poder ler 1 João 5.7-8? Os leitores das primeiras quatro edições puderam conhecer a verdade e serem libertados por ela (conforme prometeu Jesus Cristo em João 8.32)? Ou, diremos que o povo de Deus estava sem as genuínas Sagradas Escrituras até a publicação da quinta edição em 1535? Resumindo: Deus falou (e fala) através de quais dessas 5 edições?

É necessário reconhecer que as Bíblias Almeida Corrigida Fiel e King James Version também são fruto do crítico textual.

Fontes de pesquisa:
Daniel B. Wallace, bible.org
Doug Kutilek, kjvonly.org

[Arte: Detalhe de “Portrait of Erasmus of Rotterdam” por Hans Holbein the Younger c. 1530]

Uma mentalidade CTRL-C / CTRL-V

Uma mentalidade CTRL-C / CTRL-V entre o povo de Deus tem perigosas consequências:

1) Cria seguidores de homens
2) Desestimula o estudo, pensamento e leitura pessoal
3) Amplifica o alcance de qualquer inconsistência teológica

A diferença entre ecumenismo e união cristã

O ecumênico diz ao cristão, “Vamos nos unir porque não há doutrinas claras e concretas; todos os caminhos levam a Deus”, enquanto o Cristão diz ao seu irmão, “Há ensinos claros sim mas mesmo que você não os vê com clareza, permita que eu te sirva em amor”.

Concordância com todas as religiões do mundo é impossível, mas comunhão dentro do Corpo de Cristo é sempre possível, pois foi isso que Jesus buscava (João 17.21).

Por isso, 1 João nos chama a servir nossos irmãos em Cristo – do mais imaturo ao mais maturo, do mais fraco ao mais forte, do mais confuso ao mais convicto.

Descansar é cessar de se preocupar – Citação do R. C. Sproul

“Nós pensamos estar guardando o mandamento [do Sabá] se corajosamente nos recusamos a fazer todo o trabalho que está acumulado e que tira o nosso sono à noite. Ao invés disso, nós estamos pecando. Descansar não é simplesmente cessar de trabalhar; é também cessar de se preocupar. Isso não é fácil. Com efeito, por assim dizer, descansar, especialmente cessar de se preocupar, é um trabalho árduo.”

– R. C. Sproul, via ministeriofiel.com.br

Três folhetos evangelísticos – é só baixar e imprimir

Seguem anexos 3 folhetos evangelísticos, nos formatos PDF (basta carimbar o endereço da igreja) e DOC (Word), caso queira editar as informações de horário do culto, endereço da igreja. etc. Podem ser impressos em folhas A4, frente e verso.

1. Afinal, o que Jesus Cristo pregava? Com base em João 3.36, este folheto procura explicar, de forma expositiva, o que Jesus Cristo realmente pregava sobre condenação e salvação. [PDF] [Word]

2. Salvação pra quê? De tanto falar de assuntos relacionados à salvação, talvez tenhamos esquecido de explicar exatamente o por quê da salvação. Este folheto procura definir os termos bíblicamente, e destacar a urgência da sua necessidade. [PDF] [Word]

3. Qual o propósito da sua vida? Nossa sociedade vive em busca dos seus sonhos. Este folheto encoraja o leitor a refletir sobre a real insatisfação que nossos alvos oferecem, e a alegria genuína que há em Cristo Jesus. [PDF] [Word]

Por serem pequenos sermões, estes folhetos são mais extensos do que os folhetos típicos que cabem no bolso. Entretanto, procurei resumir, logo nos primeiros parágrafos, o cerne do assunto, caso o leitor não tiver interesse em ler o resto.

A importância da pregação expositiva

“Muitos asseguram a si mesmos de estarem pregando a Palavra de Deus. Mas estão, na verdade, escolhendo textos da Bíblia, lendo-os para o seu povo e construindo os seus sermões a partir deles. Mas a mera presença destes elementos não produz uma pregação bíblica. Os sermões que pregamos não podem meramente usar a Bíblia como um trampolim. Nem mesmo extrair pontos do texto. Nossos sermões precisam colocar diante de nosso povo a mensagem que o próprio Deus pretendia nos passar, quando Ele inspirou os autores das Escrituras. Visto que Deus nos dá luz e habilidade para discernir a sua Palavra, é nossa responsabilidade extrair e expor a verdade do texto.”

– Roger Ellsworth, Amado Timóteo (Editora Fiel)