10 conselhos para quem sonha em estudar teologia

Meu amigo e professor Tiago Santos, pastor na Igreja Batista da Graça e diretor-pastoral do Seminário Martin Bucer, compartilhou dez conselhos para aqueles que querem estudar teologia.

Um jovem de 18 anos me procurou, dizendo que quer estudar teologia. Ofereci a ele, como resposta, dez conselhos, ou dez passos, como queira, que quem deseja estudar teologia deve atentar:

1. Procure examinar seu coração diante de Deus e se certificar de que sua fé está firmada unicamente na pessoa e obra de Jesus Cristo.

2. Leia as Escrituras rotineiramente. Todos os dias, se puder. Procure estudar particularmente os evangelhos, começando com o evangelho de João. Ore e peça que o Espírito de Deus ilumine seu entendimento da Palavra.

3. Desenvolva o hábito da oração e da confissão de pecados. Busque em Cristo arrependimento, perdão e direção.

4. Desenvolva a santidade: desconfie do velho homem e revista-se de um novo homem, com valores da fé cristã, conforme o ensino da Escritura. Seja ético em tudo que fizer. Seja honesto, verdadeiro, íntegro e um bom exemplo para todos os que convivem com você. Isto é uma luta diária e é uma luta difícil. Você precisará de graça de Deus para isso.

5. junte-se a uma igreja local. Sem igreja, o estudo da teologia é vazio e sem sentido. Não se pode pensar num membro do corpo fora do corpo. A fé cristã ganha expressão na comunidade cristã que é a igreja. Torne-se membro de uma igreja genuinamente evangélica e fique firme nela. Ame a igreja e sirva a igreja.

6. Submeta-se à pregação rotineira da palavra de Deus e não deixe de participar dos cultos de adoração ao Senhor Jesus Cristo. Você precisa disto para crescer na fé e entendimento das Escrituras.

7. Procure aconselhar-se com irmãos mais experientes na fé e, particularmente, com o pastor de sua igreja.

8. Procure estudar bastante. Estou falando da escola e dos livros mesmo. Aprenda uma profissão e se especialize nela. Torne-se um profissional competente, diligente e excelente no que faz.

9. Desenvolva uma cultura de leitura: Leia bons livros cristãos; leia a história da igreja e leia boa literatura clássica;

10. Quando isto for uma realidade concreta em sua vida; quando você estiver fazendo isso por alguns anos, aí sim você deve pensar em estudar teologia. Antes disso, é perda de tempo.

Fonte: facebook.com

Manifestações em prol da justiça

Se o cristão tem sido banhado na justiça de Deus, por meio de Jesus Cristo, é absolutamente coerente que todas suas ações sejam saturadas com um senso peculiar daquilo que é justo e santo. Seu trabalho, seu lazer, sua adoração, sua vida familiar – tudo deve expressar as virtudes do reino e caráter do Rei. E isso inclui sua forma de manifestar-se contra aquilo que é corrupto e maléfico.

O cristão não se paralisa perante homens corruptos. Antes, é um dos primeiros a agir, seja em oração, seja em socorrer os aflitos, seja em usar sua voz e força para avançar a causa da justiça.

Com o exemplo de Ester, entendemos que o povo de Deus não se cala perante a injustiça. Enquanto alguns rogam perante Deus, outros rogam perante reis terrenos, movidos pela mesma esperança: Deus é soberano e fará tudo que Lhe apraz.

O batista James Graves e o movimento landmarkista

No século XIX surgiu um movimento entre as igrejas batistas do sul dos EUA que visavam responder perguntas como, “Qual a origem dos Batistas?”, “Batistas devem cooperar com pedobatistas?” e “Quais têm sido as distintivas Batistas ao longo dos séculos?”. Ao longo de 30 anos, James Robinson Graves, pregador e editor de um jornal Batista, sistematizou e publicou suas respostas às essas perguntas, arquitetando assim o Landmarkismo (ou landmarquismo). O nome do movimento, que significa no inglês “demarcar terreno”, tomou seu nome, em parte, do Provérbio 22.28: “Não removas os marcos antigos que teus pais fixaram.” Graves entendeu que as igrejas batistas haviam se afastados dos seus antigos fundamentos, necessitando assim a reforma proposta pelas premissas Landmarkistas.

O movimento Landmarkista tem no seu âmago uma eclesiologia exclusivista, na qual Graves afirma que as igrejas Batistas Landmarkistas —descendentes de uma longa sucessão iniciada por João o Batista e continuada pelos Anabatistas — são as únicas igrejas legítimas no mundo. É tida como falsa qualquer igreja que não foi plantada por uma igreja Landmarkista ou não defende todas as premissas Landmarkistas. Para Graves, todas as igrejas não-batistas se levantam contra os Batistas legítimos, e praticam rebelião clara contra a pessoa e senhorio de Jesus Cristo.

O homem que estabelece qualquer forma de igreja como igual [à verdadeira] ou em oposição a ela e influencia os homens a se unirem a ele, com a impressão de que eles estão se unindo à igreja de Cristo, comete um ato de rebelião aberta a Cristo como o único Rei de Sião; enquanto ofendem, enganam e iludem os que desejam seguir a Cristo, e sobre isso ele disse que “melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar” (Mateus 18:6). Deve ser verdade que aqueles que originam tais falsas igrejas, e aqueles que os apoiam por seus meios e influência, ocupam a posição de rebeldes contra a autoridade legítima e suprema de Cristo. (Fonte: GRAVES, J. R.. The Dispensational Expositions of the Parables and Prophecies of Christ)

No Landmarkismo clássico, somente as igrejas batistas são autorizadas pelas Escrituras a pregar, batizar, ministrar a ceia, enviar missionários ou plantar outras igrejas. No seu livro Trilemma, Graves chega a afirmar, “ministros Protestantes não têm qualquer direito bíblico para pregar o Evangelho“.

A maioria dos Landmarkistas com quais tenho conversado desconhecem a história do movimento landmarkista. Acredito que essa falta de informação prejudica tanto aqueles que pensam em se unir ao movimento como aqueles que buscam deixá-lo. O documento anexado abaixo, intitulado “O Despertar do Landarkismo: Uma análise da vida e teologia de James R. Graves“, foi meu TCC entregue ao Seminário Martin Bucer em agosto 2015. Espero que as informações coletadas neste texto sejam úteis a outros. Divido o texto em duas partes: primeiro, a história pessoal de James Graves é traçada e, depois, são oferecidas resenhas da sua visão eclesiástica.

Baixe: O Despertar do Landmarkismo: Um Analise da Vida e Teologia do James Graves

Pecado, julgamento e um lanche no Burger King

Até onde você iria para não ser julgado por seus pecados?

Esta é a pergunta feita pelo commercial do Burger King, lançado no dia 29/jan no YouTube com divulgação paga no Facebook. No vídeo, sete pessoas são levadas de barco à águas internacionais, uma zona livre de “leis e julgamentos da terra“, para serem livres para “cometer qualquer pecado sem serem julgados“. Os sete passageiros representam sete pecados: luxúria, preguiça, avareza, gula, inveja, ira e vaidade.

Deixados literalmente boiando em águas internacionais, os passageiros são socorridos por um barco do Burger King, que está lançando o lanche “7 Pecados”. Um funcionário do Burger King avisa para alegria de todos: “Agora vão poder cometer sete pecados de uma só vez!”  Uma das passageiras, aliviadas, confessa que o barco do Burger King “salvou minha vida!“, enquanto outro passageiro confessa, “Se tiver pecado todo dia, toda hora, a gente ta ae pra cometer nê?” O vídeo encera com a última fala: “Ah, hoje vou pecar.

Claro, não é a primeira vez que a palavra ‘pecado’ é usada para avançar uma campanha publicitária. Afinal, uma das técnicas mais antigas de marketing é confessar as pessoas que é bom desejar o produto X de forma passional. Mas o curioso com o vídeo do Burger King é a cosmovisão entrelaçada nele:

1. Errado é ser julgado pelos pecados mas não o pecar em si. A tragédia humana é não ter a liberdade — ou a ‘dignidade’ — de se expressar o pecado o tanto quanto gostaria. É sugerido que o pecado pode levar a alegria plena.
2. Julgamentos existem simplesmente porque homens existem. Confundindo atos criminais com atos imorais, o vídeo sugere que certos pecados só existem porque há leis humanas que o condenem. Mas a constituição Brasileira, por exemplo, não criminaliza a vaidade ou a preguiça em si. As leis condenam somente as expressões indevidas destes pecados. Ninguém é preso por sentir ira e sim pela agressão. Os pecados capitais são condenados por uma lei moral que antecede qualquer lei humana.

burger king 7 pecados

O contraste com a cosmovisão cristão é clara. Enquanto nossa sociedade pergunta, “Até onde você iria para não ser julgado pelos seus pecados?”, o Evangelho indaga, “Aonde você irá para ser perdoado pelos seus pecados?”. Na cosmovisão cristã, o foco está na corrupção do pecado, e não na condenação ao inferno. O juízo final e a condenação eterna são conseqüências do nosso pecado e por isso queremos liberdade dele. Não queremos ser livres para expressar nossa escravidão; queremos sim ser libertos da nossa escravidão. Pecado sem condenação nunca será um combo tão atraente quanto o perdão sem corrupção.

O amor de Deus assegura nossa salvação

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1 João 4.9)

Estas são as boas novas de grande alegria: O perdão dos nossos pecados é diretamente ligado ao amor de Deus. Somos tão perdoados quanto somos amados. E a cada nova manhã, o perdão de Deus é tão seguro quanto é o seu amor por nós.

Reflita sobre esta preciosidade: a certeza da nossa salvação é embrulhada no amor de Deus. Não há como separar um do outro. O apóstolo Paulo pergunta, “Quem nos separá do amor de Cristo?” E a resposta ecoa por toda a eternidade: “Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.39). A nossa certeza é fincada nesta promessa; nossas almas são ancoradas nessa garantia.

Sempre que duvidamos da realidade do amor de Deus, nossa certeza de salvação também é ofuscada. Frutas ressecadas procedem de árvores não saudáveis. Da mesma forma, uma salvação momentânea só pode ser gerada por um amor meramente esporádico. Somente um amor eterno pode gerar salvação eterna.

Irmãos, somos salvos por amor do Seu nome (1Jo 2.12). Nossos maiores pecados foram perdoados por amor do Seu nome. Nossas transgressões mais secretas foram perdoadas por amor do Seu nome. O filho pródigo encontrou perdão no abraço amoroso do seu pai. Em Jesus Cristo, este abraço não se desfará. Enquanto Jesus Cristo manifestar o amor do Pai (eternamente!), viveremos (eternamente!). Viveremos aceitos, acolhidos, amados e assegurados.

Talvez, você esteja chocado com o tamanho ou a diversidade dos seus pecados. Aquele que acusa os santos talvez te acusa neste momento. Irmão, volte seus olhos para Cristo. Veja o Seu amor. Tente descreve-lo. Tente medi-lo. “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 3.1). Em Jesus Cristo você é amado e perdoado, eternamente.

Os Anabatistas negavam o conceito da igreja universal?

Aos meus irmãos batistas que negam a existência da igreja universal, argumentando que somente os protestantes e Católicos Romanos defendiam esta doutrina, e afirmando que “os anabatistas não criam desta forma”, espero que expliquem exatamente quais anabatistas negaram a doutrina da igreja universal.

Cito abaixo um catecismo anabatista, escrito por um dos principais teólogos anabatistas, Balthasar Hubmaier, torturado e morto por sua fé em 1528:

“A igreja é entendida como incluindo todas as pessoas reunidas e unidas em um só Deus, um Senhor, uma fé, e um batismo, tendo confessado a fé com suas bocas, aonde quer que estejam nesta terra. Portanto, essa é a igreja Cristã universal e comunhão dos santos, reunidos somente no Espirito Santo… Outras vezes, entendemos que a igreja se refere a cada assembleia externa ou paróquia, reunida sob um pastor ou bispo, que se reúne para instrução, batismo e a Ceia do Senhor.”[1. Hubmaier, “Catechism,” 351– 52; Hubmaier, Schriften, 315. (2013-09-15). Citado em “The Anabaptists and Contemporary Baptists: Restoring New Testament Christianity” (Kindle Location 4036). B&H Publishing Group. Kindle Edition.]

O Perigo do Tradicionalismo

Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição. (Marcos 7.9)

O valor de um vinho é dito pela sua idade; quanto mais antigo, mais precioso é. Mas a Verdade divina não é assim. Há dois mil anos, as palavras de Cristo foram tão preciosas quanto são hoje. Adoramos o Deus da antiguidade, de fato, mas não é a Sua antiguidade que o faz merecer a nossa adoração. Ele merece toda a glória para todo sempre por ser o Deus único e verdadeiro. 

É normal o ser humano sentir receio de mudanças. Nas nossas rotinas e dia-a-dia, preferimos o que é comum. Mas as palavras de Cristo neste versículo nos fazem refletir sobre as nossas próprias tradições. Nem sempre a tradição deve ser repetida. Os fariseus não quiseram negar suas tradições para obedecer a Deus. Não quiseram abrir mão daquela série de ensinos e expectativas passados de pai para filho já há tantas décadas. “Como podemos abrir mão daquilo que nos assegura da nossa justiça? Como desacreditar aquilo que nos passa tanta certeza que estamos nos caminhos de Deus?” Pode ser que suas tradições começaram com boas intenções: um cuidado em executar toda a lei de Deus, uma preocupação em estimar a opinião dos sábios mais antigos. Mas aos poucos aquela tradição foi sugando a vida daquela religiosidade, exterminando qualquer sinal de graça ou obediência genuína. Amaram mais ao tradicionalíssimo do que à genuinidade. 

O tradicionalismo surge sutilmente. Russell Shedd comenta:

“Assim como o camaleão, que se esconde nas rochas ou na selva conformando-se ao pano de fundo, os tradicionalistas querem, a todo custo, acompanhar os costumes dos que ingressaram na igreja antes deles e pensar como eles pensam. […] O tradicionalista mostra zelo pela “lei” de sua igreja e denominação, porque entende que aí ele encontra o receptáculo da sabedoria dos séculos. Uma vez que os sábios teólogos do passado destilaram da Bíblia e do cristianismo histórico o que realmente importa, porque não concluir que a obrigação que a graça exige está nessa tradição?”[1. SHEDD, Russell. Lei, Graça e Santificação, Edições Vida Nova, 2012, p. 35.]

E este é o grande perigo em seguir o mero tradicionalismo: somos levados a despejar sua fé na própria tradição. “Não posso errar enquanto eu estiver copiando os puritanos neste sentindo, os monges da Idade Média neste sentido, e meu pastor favorito neste outro sentido.” Mas a segurança da nossa salvação não se encontra na imitação de homens. A salvação e todas suas implicações surgem da pessoa de Jesus Cristo. A tradição pode testificar a essa Verdade, mas nunca poderá substitui-lá.

Como se proteger do tradicionalismo? Sugiro quatro atitudes:

  1. Reconheça que a verdadeira tradição cristã é aquela que aponta a Cristo, e não a si mesmo. Quando Paulo disse, “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1), a ênfase está na pessoa de Cristo. Paulo não procurava que seus ouvintes fossem pequenas cópias xerox de si mesmo. Antes, desejava que sua obediência a Cristo incentivasse os demais a fazer o mesmo.
  2. Procure conhecer as raízes das suas tradições. Como surgiram? Aonde surgiram? Como foram modificados tanto para o bem como o mal ao longo dos anos? Quais são seus pontos fracos? Quem defendia essa tradição, e quais foram seus argumentos? Estude a genealogia das suas tradições eclesiásticas, culturais e teológicas. Conhecendo sua história, você poderá defende-la com convicção.
  3. Lembra-se que devemos obedecer a Deus hoje. O que homens santos fizeram ou deixaram de fazer a 500 anos atrás não pode servir de desculpa por sua desobediência atual. Você é responsável pelo que você faz hoje.
  4. Antes de comparar-se com sua tradição, compare-se com a Palavra de Deus. Por mais que você estime a sua genealogia teológica, não será ela que te julgará; responderemos à Palavra de Deus (Jo 12.48). Tradições são sujeitas a mudanças, para bem ou mal. Somente a Palavra de Deus permanecerá para sempre. 

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Catecismo simples para pequenos grupos | New City Catechism em português

Produzido pelo Gospel Coalition, o Catecismo New City conta com vídeos curtos, comentários de diversos pastores e orações de puritanos, além do formato típico com 52 perguntas e respostas. Um material rico e gratuito.

Infelizmente, ainda não existe uma tradução oficial do material. Mas disponibilizo abaixo uma tradução pessoal de 28 perguntas extraídas do Catecismo New City, que usei em reuniões de oração de um pequeno grupo em 2013.  Para cada pergunta e sua resposta, acrescentei alguns comentários referentes às implicações da verdade em foco.

Clique aqui para baixar o PDF: catecismo New City – 28 perguntas e respostas

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A oração ecumênica do Papa Francisco

Em vídeo lançado pelo Vaticano, o Papa Francisco convoca todas as religiões para diálogo e edificação mútua, que supostamente produzirá “frutos de paz e justiça”. O vídeo de 90 segundos conta com as participações de um islâmico, judeu, budista e católico romano que confessam fé em suas divindades respectivas. Por confiarem em alguma divindade, o Papa Francisco afirma que todos estão “buscando e encontrando a Deus de diversas maneiras“. Perante essa diversidade de religiões, o Papa afirma que há somente uma coisa da qual podemos ter certeza: “todos somos filhos de Deus“. O vídeo encerra ressaltando que, apesar das diferenças teológicas, todos crêem em amor.

Algumas considerações importantes:

  • Crer em uma divindade é fácil; dificil é se submeter ao Único verdadeiro. “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tiago 2.19)
  • Todos os homens podem acreditar no amor mas enquanto não conhecem o Deus que “amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito“, estão perdidos nas trevas.
  • A salvação nunca dependeu de quem somos e sim de quem Deus é. Logo, não importa se somos todos criaturas de Deus, “filhos de Deus” ou até buscadores da verdade. A verdadeira religião parte de Jesus Cristo para conosco, e não vice-versa. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, a não ser por mim. Se, de fato, me conhecêsseis, também conheceríeis meu Pai…” (João 14.6)
  • A exclusividade da Verdade sempre foi escandalosa para aqueles que preferem inventar suas próprias formas de chegar na presença de Deus. Quando Jesus pregava que é possível conhecer a verdade que liberta da escravidão do pecado, seus ouvintes Lhe chamaram de endemoniado e procuraram apedreja-Lo (João 8.36,48).
  • Paz e justiça são frutos da obra de Jesus Cristo, e não do simples diálogo ecumênico. “Portanto, justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo…” (Romanos 5.1).

Ecumenismo, no seu sentido mais básico, promove a união na diversidade. Entre os remidos por Cristo deve haver sim união apesar de diferenças econômicas, culturais ou tradicionais. Entretanto, enquanto Jesus Cristo for rejeitado, a união cristã é totalmente inviável. Não há união ou adoração em verdade fora de Cristo porque “não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome entre os homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12).

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Você é um gnóstico evangélico?

É fascinante o quanto uma filosofia herética dos primeiros séculos pode permear o pensamento cristão em pleno século 21. Uma atividade interessante é se perguntar: “Consigo imaginar Jesus Cristo fazendo atividades comuns?” Veja como sentimos uma aversão inexplicável quando é sugerido que Cristo ria de piadas, tomava vinho com seus irmãos judeus, assistia algum evento esportivo, conversava sobre temas políticos ou apreciava uma música cultural. Parece-nos impossível que Jesus tenha ‘perdido seu tempo’ com atividades ‘comuns’ porque no fundo, acreditamos que tudo – exceto as conversas teológicas ou cultos religiosos – sejam banais para Deus. Somente o espiritual tem algum valor.

É por isso que pode ser dito que o gnosticismo dos primeiros séculos ainda permeia muito pensamento cristão. Os gnosticos, representando a filosofia grega daquela época, criam que a matéria é má e somente o espírito é bom. De acordo com esse dualismo, nossos corpos inúteis servem somente como vasos para nossos espíritos eternos. O alvo de todo homem é buscar um conhecimento especial (gnosis) que o elevará à perfeição. Uma boa feijoada é frívola; um salário melhor é banal; um bom filme ou obra de arte é inútil. E conforme o gnosticismo infiltrava as discussões cristãs, argumentava-se que Deus só se agrada naquelas expressões espirituais: tempo devocional, oração e meditação na Palavra.

Um pouco mais adiante, a igreja Católica Romana ensinava que há uma distinção concreta entre o secular e o sagrado. O trabalho do pedreiro é secular enquanto o padre se empenha naquilo que é sagrado. Qualquer música que não seja de cunho religioso é secular enquanto qualquer festa promovida pela igreja é santa. Aos poucos foi disseminada a ideia que o religioso tem mais valor para com Deus do que o comum.

Não é tarefa difícil encontrar traços destes pensamentos no meio evangélico. Por exemplo:

  • Supor que um pastor está em um nível espiritual que dificilmente será alcançado por um leigo.
  • Definir como ‘carnal’ qualquer coisa que traz benefícios ou agrado ao corpo humano. O uso de maquiagem, por exemplo, é sinal de carnalidade.
  • Toda festa deve incluir um momento de exortação espiritual. Se faltar, Deus não foi louvado pela comemoração.
  • Quanto mais cultos por domingo (ou por semana) melhor, mesmo que cause exaustão nos membros.
  • Espera-se que quem faz um curso de música a faz primordialmente para poder participar na adoração da igreja.
  • Desejos sexuais são sujos e devem ser tratados com tal. No casamento, a expressão sexual é um ‘mal necessário’.
  • Entretenimento só é válido se for breve e barato já que, para serem bem investidos, tempo e dinheiro deverão ser investidos em missões.
  • Assume-se que um missionário que sacrificou muito para estar em uma terra distante agrada muito mais a Deus do que o simples cristão que alimenta e instrui seus filhos na sua cidade natal.
  • A diversão, em grande parte, é uma distração satânica. Quem é dedicado, não se diverte. As obras que glorificam a Deus deverão ser sempre difíceis, dolorosas e de alto custo.
  • Um cristão não pode enxergar beleza em quaisquer obras de arte se feitas por artistas não-cristãos. Entretanto, toda expressão artística feita por cristãos deve ser aplaudida pela comunidade evangélica.
  • Tendo um dom ou chamado, não é necessário estudar em ambientes acadêmicas, já que Deus já te deu toda a capacitação santa que você necessita.
  • Toda e qualquer atividade promovida pela igreja merece igual atenção e participação de todos os membros.
  • Versículos como Rm 7.24 (“Quem me livrará do corpo desta morte?“) ou Rm 8.8 (“Os que vivem na carne não podem agradar a Deus“) são interpretados pela lente gnostica, insinuando que o corpo só atrapalha a expressão perfeita do espírito.

Os exemplos acima compartilham entre si a ideia de que a espiritualidade é de muito mais valor do que o material. E por isso, muitos cristãos hoje não podem imaginar que Jesus Cristo expressou sua humanidade até nas coisas materiais. Como garoto, Cristo não pode ter um prato, uma roupa ou brinquedo favorito e nem se alegrava com presentes. Como adulto, não apreciava músicas ou obras de artes a não ser aquelas ligadas diretamente com a mensagem Messiânica.

Uma das implicações deste gnosticismo evangélico é a crescente isolação dos cristãos. Deixam de se envolver nas artes, na economia, na politica ou nas discussões populares. Não vêm valor em produzir profissionais cristãos, respeitados no mercado ‘secular’ ou estudantes bem lidos que interagem com seus professores no ambiente acadêmico. Prevalece o sentimento que, já que nosso reino não é deste mundo, não devemos participar no andamento do mesmo. A matéria pertence aos ímpios; nós interagimos no meio espiritual somente.

DEUS CRIOU O MUNDO 

Entretanto, segundo o relato de Gênesis, Deus criou tanto a matéria quanto a carnalidade (no sentido que somos seres carnais). Não foi o pecado que deu a Adão e Eva a capacidade de curtir a variedade de alimentos, se alegrar com os tons do pôr-do-sol, chorar de rir de alguma brincadeira boba, sentirem românticos ou apaixonados, ou curtirem uma praia e tomar água de coco. Não foi a nossa natureza caída que criou os desejos sexuais, a apreciação de uma boa sobremesa ou a alegria explosiva quando nosso time ganha o campeonato. Cada detalhe foi desenhado pelo Criador. O pecado pode distorcer a criação divina mas falta-lhe a capacidade de criar algo do nada.

A REDENÇÃO RECRIA O MUNDO 

A mensagem do Evangelho promete um novo céu e uma nova terra. Mas isto não quer dizer que todas as consequências da redenção são meramente futuras. Em todas as épocas da história, se vê as bençãos da salvação: homens amando o próximo, servindo os pobres, sendo honestos, corajosos e fiéis. Uma vida transformada pelo Evangelho deve sim tocar outras vidas.

JESUS CRISTO FOI UM HOMEM PERFEITO 

Jesus Cristo não foi menos humano do que nós. Na verdade, Ele foi o homem mais perfeito a existir, já que sua humanidade não sofreu a corrupção do pecado. Sua perfeição não consistia em anular sua humanidade e sim em expressar perfeição de forma tangível. O apóstolo João combate a visão gnostica quando afirma: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida […] Sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos…” (1 João 1.1,3) Cristo pode rir de piadas, comemorar o casamento de amigos, torcer por um time esportivo com pureza, da mesma forma que nós faremos na nova terra.

SOMOS SANTOS MUNDANOS

Os puritanos do século 17 foram chamados de ‘santos mundanos'[1. Leland Ryken, Santos no Mundo, Editora Fiel], isto é: viviam no mundo sem participar do mundanismo. Não ignoravam seus contextos; antes, aplicavam os princípios bíblicos em todo aspecto da sua vivência. Longe de serem caracterizações estoicas, chatas e desligadas da realidade, foram homens e mulheres alegres, sinceros e festivos.   Entenderam, corretamente, que Cristo não veio nos salvar da nossa humanidade e sim da nossa incapacidade de glorificar Aquele que nos fez humanos.