‘Nenhum credo, só a Bíblia!’

1. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é defender uma crença, e logo, defender um “credo” (palavra em latim que significa ‘creio’).

2. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia” é ignorar que o próprio texto bíblico contém credos, ou confissões de fé. (Exemplos: 1Cor 15.3-5, 1Cor 8.6, 1Tm 2.5-7)

3. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é sugerir que todos interpretam o texto bíblico da mesma forma que você o interpreta. De fato, se todos compartilharem da mesma interpretação, não é necessário listar, de forma sucinta e clara, quais são os fundamentos da fé cristã.

4. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é sugerir que futuras gerações não serão beneficiados com os esforços da atual geração em deixar seus estudos e definições por escrito.

5. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é sugerir que o único papel do credo é tomar o lugar das Escrituras. Mas, seguindo esse raciocínio, a própria afirmação “Nenhum credo, só a Bíblia” seria uma tentativa de subverter a autoridade das Escrituras.

O Fator Lloyd-Jones

Um vôo atrasado tem lá seus benefícios. Semana passada, no aeroporto em João Pessoa, tive o privilégio de ouvir Mauro Meister e D. A. Carson contando várias histórias enquanto esperávamos o vôo pra São Paulo. Após levantar vários pontos interessantes sobre a vida devocional do cristão, o Carson me disse, “Daniel, vou te contar uma história mas quero que você repassa ela pra sua esposa, ok?”

“Beleza Carson, você que manda”, falei, disposto a me jogar de uma ponte caso ele pedisse.

E então ele relatou: “Acredite se quiser mas sou daquela geração que ouviu Dr. Martin Lloyd-Jones em pessoa. Eu era muito novo ainda e o Doutor já idoso. Ele estava dando uma palestra para um grupo de alunos de medicina, e falava sobre a importância da leitura bíblica. Com aquele jeito britânico, ele dizia categoricamente que sempre reservamos tempo para aquilo que valorizamos. Por isso, a negligência do tempo devocional demonstra o quanto desvalorizamos as Escrituras. Alguns alunos sentiram que ele pegou pesado demais, e no final da sua fala, um deles levantou uma questão.

“Como alunos de medicina, somos obrigados a levantar de madrugada para trabalhar em turnos que as vezes demoram até 72h. Será que você não está sendo extremo demais?”

Martyn Lloyd-Jones respondeu imediatamente: “Sou doutor e conheço bem a realidade dos alunos de medicina. Me parece que você está inventando desculpas. Você levanta as 6h para fazer seu estágio no hospital? Então coloque o alarme pra disparar às 5h30. Por mais caóticas que sejam nossas vidas, sempre é possível separar um tempinho para a leitura bíblica.” Dr. Martyn pausou, antes de acrescentar: “Na verdade, só existe uma exceção para essa regra.”

Naquele momento os alunos deram toda a atenção do mundo, na expectativa que a exceção tivesse a ver com eles.

“A única exceção,” disse o Dr. Martyn, “são as mães com filhos menores do que 5 anos. Elas não devem sentirem culpadas se não conseguirem manter uma rotina devocional.”

Carson sorriu. “Se o Doutor disse, então está dito!”

Um Vazio Chamado Carnaval

“Me dê motivos para viver!” clama a alma do homem. Ainda que a preguiça sugira que possamos viver sem motivos, boiando nas ondas da mera existência, são os poucos que conseguem enfrentar a dureza do dia-a-dia sem ter em vista algum alívio. Batalhamos para descansar.

“Me dê uma alegria que dure além do final de semana!”, clama a alma do homem. As frustrações do dia-a-dia parecem vencer diariamente; todo momento de euforia contêm um elemento de tristeza. O time que conquistou o campeonato vai perder futuros campeonatos. O casamento, com todo seu brilho, enfrentará momentos de escuridão.

“Quero participar de algo maior que eu!”, clama a alma do homem. Nossa pequinez é insatisfatória. Nosso legado, por maior que seja, não será conhecido por todos por todo o tempo.

E então o Carnaval se apresenta como essa alegria imensurável. “Vinde até mim, vós que estais cansados, e eu vos alegrarei!”

Mas quanto maior a promessa, maior a decepção. Descobre-se que a ilusão nunca preenche o vazio; antes, o alimenta. Depois do carnaval, das prestações, e da ressaca, o clamor se amplifica.

Entende-se a frase do malfeitor na cruz: “Lembre-se de mim…” Ele havia seguido um caminho de crime para tentar encontrar o paraíso. Nós seguimos outros caminhos, mas a procura do mesmo destino. Queremos satisfação plena.

Ao longo da sua vida, o malfeitor conheceu inúmeras ilusões que haviam lhe garantido: “Hoje estarás no paraíso”. Mas agora é diferente. O Salvador lhe diz, “Hoje estarás comigo no paraíso.” Desta vez, o paraíso está em segundo plano. Em foco está o Salvador. Estarei com Ele. E aonde Ele estiver, ali é paraíso.

Foi naquele momento que o malfeitor entendeu: o paraíso sem o Redentor torna-se um inferno. Mas com Ele, até a morte na cruz torna-se celestial.

O clamor virou louvor. Inundado por glória, o vazio se foi!

Colocando a Culpa em Deus

Facilmente esquecemos que a perfeição é atributo divino. Enquanto estamos ‘nesse lado do céu’, não entenderemos ou agiremos com perfeição. Temos que reconhecer que, eventualmente, vamos errar o alvo.

Entretanto, uma das maneiras que disfarçamos nossos erros é jogar a culpa das nossas decisões em Deus. Um exemplo: após namorar uma moça por anos a fio, o jovem termina o relacionamento. Chateado, nas conversas com seus amigos, ele explica a situação com a famosa frase: “Simplesmente não foi da vontade de Deus…”.

Mas pera lá: quer dizer que foi da vontade de Deus que você enrolase a moça por anos, sem dar uma direção definitiva ao relacionamento? Quer dizer que o ÚNICO motivo pelo qual você não terminou o relacionamento ainda nos primeiros meses (ou primeiros anos) é porque Deus não permitiu que você terminasse? Do tipo, todo dia você queria terminar o relacionamento e Deus falava “Ainda não, rapaz. Espera mais alguns anos.” É isso?

Mano, a moça já te odeia. Não faça com que ela odeie Deus também.

Nas Escrituras, fica claro:

1. O povo de Deus é falho. Fazemos escolhas que parecem boas na hora e depois vemos que não foram tão boas assim. Ainda que não são escolhas pecaminosas, foram escolhas equivocadas. Ainda que levamos em conta TODOS os princípios bíblicos, e conferimos com pastores & líderes mais sábios, ainda assim podemos fazer decisões que acabam sendo infrutíferos. O Tim Keller comenta que enquanto vivemos em um mundo caído, sempre há um elemento de ‘futilidade’ em tudo que fazemos.

2. A vontade de Deus é clara nas Escrituras: Ele deseja nossa santificação. Ele quer que cresçamos na fé. Agora, o que não é claro é exatamente COMO Ele desenvolverá essa obra em nós. Muitas vezes Ele usa nossa própria burrice para esse fim.

3. Em Cristo, desfrutamos da liberdade em várias áreas da nossa vida. Isso incluí a liberdade de confessarmos nossos equívocos. Devemos sentir livres para dizer, “Puxa, errei. Orei, pesquisei, planejei, e no fim — não deu tão certo quanto imaginava.”

TEOLOGIA PARA CORAÇÕES CANSADOS

Para muitos, pode parecer que a teologia é a discussão desanimada de conceitos irrelevantes. “Teologia serve apenas para inventar grandes palavras para descrever um Deus que parece cada vez mais distante.

Mas o próprio Jesus Cristo nos demonstra o valor da Teologia quando diz, “Vinde após mim todos que estais cansados e eu vos aliviarei.” Existem muitos motivos que levam pessoas a embarcarem no estudo teológico, mas há somente um porto de chegada: Descanso. Livramento. Conforto. Perdão.

Tente Outra Vez

Se a lição principal que você extrai de um texto bíblico é “Tente novamente com um esforço maior”, você precisa reler o texto. A lição primordial nunca será nossas tentativas ou esforços.

Ainda que muitos trechos bíblicos vão nos exortar a perseverança, ela não é coisa isolada. Sempre será consequência de algo fora de nós: a fidelidade de Deus, o amor de Cristo e a obra do Espirito Santo. A Trindade será em foco, e não as nossas miseráveis tentativas.

Desta forma, a graça do Evangelho consola o cristão cansado. Imagino que você simplesmente não está conseguindo alcançar suas metas: você não orou, não se arrependeu, não teve fé, não fez leitura bíblica, não frequentou os cultos da sua igreja como devia. Cristão, a mensagem do Evangelho para você não é: “Tente novamente com um pouquinho mais de esforço. Eventualmente você vai conseguir por forças próprias.” Tu chegarias ao peregrino exausto, caído e sedento e diria, “Colega, é só se esforçar mais um pouquinho, beleza?” Que fardo insuportável! Que fútil!

Antes, a verdade refrescante que nos liberta é esta: Jesus Cristo te ama e nunca abandona os seus. Ele completou a obra. Ele agradou ao Pai. Provai e vede. Medite nele. Chore nos seus braços. Descanse nele, alma cansada. Entrega a Ele teus pedaços, tuas feridas e tuas expectativas frustradas. Ele te dará a graça a continuar.

Teu Salvador te chama: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Mt 11.28-30

A lição principal é Ele. Sempre foi, sempre será.

Somos Todos #Mortais

O australiano Arthur Stace havia sofrido muito na sua vida até os 45 anos. Filho de pais alcoólatras, cresceu na extrema pobreza, sobrevivendo graças a restos de comida encontrados no lixo ou roubados das padarias. Ainda na adolescência, caiu no mesmo vício de seus país, e aos 15 anos foi preso. Sem ensino formal, trabalhou por um tempo como segurança em um prostíbulo que pertencia a sua irmã e, mais tarde, durante a primeira guerra mundial, chegou a se alistar no exército. Mas seus ataques recorrentes de bronquite não permitiram que servisse.

Foi com 45 anos que Arthur ouviu Rev. John Ridley pregar sobre o texto de Isaías 57.15: “Assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito.” O coração de Arthur, doente e desprezado, ficou quebrantado quando o reverendo clamou: “Eternidade, Eternidade! Como desejo fazer ecoar esta palavra pelas ruas de Sydney! Um dia você terá um encontro com ela – aonde passará a Eternidade?

A palavra “Eternidade” impactou sua fé de tal forma que Arthur, aquele que mal conseguia escrever seu próprio nome, começou a rabisca-la com giz nas calçadas e ruas. Virou um hábito diário que ele manteve por 35 anos até sua morte. Calculam que escreveu “Eternidade” meio milhão de vezes.

Por mais que tentemos ser distraídos pelo consumismo, sempre voltamos a nos assustar com a mortalidade. Sempre que pensamos que nossas vidas são planejadas, arrumadas e certas, a mortalidade nos lembra o quão frágil somos. Quando o time do Chapecoense perde sua vida, choramos com aqueles que choram. Mas também choramos por nós mesmos. Pois lembramos que também somos meros mortais. A vida é apenas um vapor. Em algum momento inoportuno, nossos amanhãs desparecerão e gastaremos nosso último folego, talvez o último abraço, o último sorriso, ou a última doce lembrança daqueles que nos amam.

Mas Arthur entendeu que os homens compartilham também da Eternidade. Há uma certa ironia nisso: todos nós teremos um fim, e, ao mesmo tempo, nenhum de nós terá um fim. Nossa brevidade se refere a nossa vida perante os homens. Sim, ela passará, independente se foi vivida como um ditador ou missionário. Mas a eternidade se refere a nós como criaturas de Deus. Fomos criados para conhecer o brilho da glória eterna do nosso Criador. E por isso conheceremos a eternidade. Mas até disto tentamos nos distrair. Assim como disse o profeta Isaías, Deus habita na eternidade, e seu nome é Santo. Temos pouca atração por uma eternidade saturada pela santidade divina, a não ser que Deus a faça despertar em nós.

Quão bom seria se pudéssemos lembrar da eternidade toda vez que nos deparamos com a mortalidade. Sim, a morte vem, mas Arthur nos lembra que a própria morte é mortal. Nosso fim também tem um fim. E em Cristo Jesus, o filho de Deus, descobrimos que o amor eterno nos redime dos nossos pecados mortais. Na sua morte e ressurreição, na sua vitória e glória, encontramos o antídoto da mortalidade.

Os Cristãos e Seus Ídolos

Houve um tempo em que eu considerava uma certa linhagem batista como sendo a única denominação autenticamente cristã. Com isso, entendia que todas as demais denominações eram variações da minha, e assim cópias mal feitas, incapazes de honrarem o nome de Deus.

“Ainda que houvessem cristãos naquelas outras denominações,” pensava eu, “eles são incapazes de obedecer a Deus ’em espírito e em verdade’ da forma que eu consigo. Suas igrejas não são igrejas legítimas, suas pregações não são autorizadas pelas Escrituras, sua adoração não passa do teto, e o Espírito Santo jamais usará seus esforços como tem usado os esforços batistas. Os fatos são esses.”

Mas veja que engraçado (ou triste): ainda que eu pensasse dessa forma, eu amava citar os ‘velhos santos’ como J. C. Ryle (anglicano), Jonathan Edwards (congregacional) e centenas de puritanos que não criam como eu mas que Deus usou tremendamente ao longo da história da igreja. Sem muita crise de consciência, usava os comentários de João Calvino, a Concordância de Strong (metodista), os devocionais de Matthew Henry (Presbiteriano) e amava os “hinos históricos” que foram, na maioria, escritos por santos que não participavam daquela denominação que eu defendia furiosamente. Em nenhum momento me toquei quanto a essa incoerência.

Fui conhecendo outros irmãos em Cristo (que não eram batistas como eu). Homens queridos que espelhavam o amor de Cristo. Homens e mulheres que parecia ser mais dedicados ao serviço do Senhor do que eu. Isso me incomodava. Mas consegui superar. “Infelizmente, não podem desfrutar de um relacionamento pleno com o Senhor como eu desfruto.” Afinal, como é que um cristão pode ter um relacionamento pleno com Deus se ele frequenta uma igreja onde o Espírito Santo não opera? Era esse meu raciocino.

Mas a verdade é que meu relacionamento não era mais precioso, mais próximo, mais genuíno, mais profundo, mais claro. Assim como qualquer outro cristão, eu lutava com pecado, com dúvidas, com frustrações, com falta de esperança. Mas mantinha o semblante de confiança, certeza absoluta, firmeza. Quando via outras igrejas ou projetos evangélicos dando bons frutos, me consolava pensado: “Eles usam de meios irregulares para conseguir resultados temporários. Já o meu trabalho não será em vão no Senhor”.

E assim me esforcei ao máximo, como um soldado solitário, a lutar o bom combate. Muitas vezes me senti como vitima, como se fosse o único servo bom e fiel no meio de tantos servos meia-boca e infiéis.

Hoje, olhando para trás, é mais fácil enxergar meu orgulho e equívocos. É sempre assim. Enxergamos nossos tropeços só depois de fazê-los.

Mas quer saber? Durante todo aquele tempo, Deus me usou, me abençoou e me manteve no seu caminho. Por misericórdia dEle, e não mérito meu. Isso só comprova o exemplo bíblico: Deus pode usar jumentos para fazer sua obra. E por isso, Ele também pode usar homens e mulheres pecadores, fracos, arrogantes, limitados, briguentos, chatos, confusos — desobedientes.

Devemos tentar ao máximo ser obedientes? Claro, com certeza. Mas Deus pode nos usar apesar das nossas fraquezas.

Comento isso por 2 motivos:

1). Me deparo, as vezes, com aquele mesmo espirito arrogante e contencioso no meio cristão. “Não é calvinista? Não é pré/pós/amil? Ainda não foi curado de todo seu legalismo / moralismo / liberalismo? Então não pode ser usado por Deus!”

Uma das ponderações mais precisas quanto a esse assunto foi feita por John Bunyan. Ele disse que até as ordenanças — ceia e batismo — podem virar ídolos aos cristãos, quando colocamos qualificações nelas que o próprio Deus não colocou.

Da mesma forma, tenhamos cuidado em não usar de uma doutrina para medirmos nossos irmãos em Cristo se o próprio Deus não a use desta forma.

2). O que tem mais me impressionado nos meus anos de convertido é o amor que os cristãos genuínos tem para com os outros. Havia homens e mulheres que me amavam apesar das minhas visões doutrinárias. E ainda me amavam de uma forma que eu jamais teria os amado. Isso mexeu comigo, e foi uma das maneiras que Deus me convenceu que meu orgulho estava falando mais alto do que a Sua Palavra.

Ou seja: você quer mudar a visão doutrinária de alguém? Ame-o. Ridiculizar e zombar não vai ajudar. A promessa divina de João 13:35 ainda persiste: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”

Um Cristão pode ser Soldado / Militar?

Olha só que interessante. Em Lucas 3, João o Batista anuncia o arrependimento para o perdão dos pecados. Muitos ouviram sua mensagem e tanto hipócritas quanto sinceros buscaram o batismo. A estes João insistia: os discípulos de Cristo devem “[produzir] frutos próprios de arrependimento” (Lucas 3). Em outras palavras: se sua vida foi transformada pelo Evangelho, o arrependimento deverá produzir uma piedade visível, tangível e real.

“Mas, como são esses frutos de arrependimentos, João? Seja mais específico”, pedia-lhe o povo. Então João dá alguns exemplos da piedade cristã.

Aos judeus convertidos da arrogância, João os instrui a procurarem um espirito de caridade (versículo 11). Já aos publicanos convertidos, aqueles tão odiados cobradores de imposto, João os instrui à honestidade (versículo 13). Por fim, João aplica sua mensagem aos soldados.

Opa, para tudo. Soldados? Pois é.

Imagina a cena: você, judeu, odeia o governo Romano e tudo que ele representa: seu paganismo, sua violência, sua cobrança de impostos altíssimos, sua zombaria da fé judaica. E agora, aparecem alguns soldados para serem batizados, desejosos por saber quais seriam frutos dignos de arrependimento. Com certeza João o Batista vai descer a lenha. “Vão para casa, vendam suas espadas, rasguem suas bandeiras, fujam da atividade militar e adotem um estilo de vida pacífico.” João humilhará aqueles que tanto nos humilham. Prepara a música do “Turn Down For What?” que vai ser lindo.

E ae João vira para os soldados e diz: “De ninguém tomeis nada à força, nem façais denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso salário” (v. 14).

SÓ ISSO?!

De todas as virtudes, essas três – honestidade, justiça e contentamento – eram as mais escassas no comportamento militar. O povo tinha se acostumado ao abuso de autoridade, a exigência de suborno e o desejo insaciável de ganhar mais e mais dinheiro. Mas o Espírito Santo mudará tudo isso de forma visível. É como se João dissesse: “Vocês são soldados que foram realmente alcançados pelo Evangelho? São, de fato, arrependidos? Então sejam soldados transformados.”

O que fica claro é que João o Batista esperava que o Espírito Santo agisse de forma transformadora até naqueles mais desprezados pela sociedade: os arrogantes, os coletores de imposto, e os soldados.

Hoje no contexto brasileiro evangélico é um tanto comum pensarmos que certos profissionais não podem ser alcançados pelo Espírito Santo. Duvidamos que um soldado ou policial podem ser legítimos cristãos. Um político então – jamais!

Mas essa mentalidade não atrapalharia nosso evangelismo? Quando rotulamos certas pessoas como “inalcançáveis pelo evangelho”, não oraremos por eles. Não desejaremos que conheçam e pratiquem a verdadeira justiça. Não aceitaremos ser vistos sentados à mesa com publicanos e pecadores. E nem celebraremos suas conversões. Enxergamos a injustiça nos seus atos, mas não nos nossos. Eles são o cúmulo de arrogância, e não nós.

Mas as boas novas do Evangelho servem para todos. “Todos verão a salvação de Deus” (v. 6). Seja seu pecado a arrogância, o reclamar do seu salário, ou a falta de misericórdia, saiba que Jesus Cristo tem o poder para produzir a genuína piedade na sua vida. Arrependa-se, e creia.

Cooperação cristã é possível, basta cantar um hino!

As vezes parece que as linhas denominações são os limites da cooperação cristã. Mas basta foliar um hinário para testemunhar a diversidade da cooperação dos cristãos.

Hinários, como a Harpa Cristã (CPAD) ou Cantor Cristão (JUERP), são prova de que pode haver cooperação entre aqueles que são remidos pelo sangue de Jesus. No mínimo, cooperamos para louvar ao único Deus.

Uma amostra sucinta:

Autores metodistas
Quão Grande és Tu – Thomas Obadiah Chisholm (letra) e William M. Runyan (melodía)
De Jesus a Doce Voz – Elvina Mabel Hall (letra) e John Thomas Grape (melodía)
Alvo mais que a Neve – Eden Reeder Latta (letra)
Tudo Entregarei – Judson Van De Venter (metodista-episcopal)
Foi na Cruz, Foi na Cruz – Ralph E.Hudson (metodista-episcopal)
Rude Cruz – George Bernard (metodista-episcopal)

Autores anglicanos
Santo! Santo! Santo! – Reginald Heber (letra) e John Bacchus Dykes (melodía)
Tal Qual estou – Charlotte Elliott
Luz após Trevas – Frances Ridley Havergal
Comunhão Celeste – Henry Francis Lyte

Autores batistas
Sou feliz – Philip P. Bliss
Novo Nascimento – George C. Steb­bins (melodía)
Antífona – Willian Edwin Entzminger, missionário batista em Bahia em 1891, falecido no Rio em 1930. (letra)
O Grande Amigo – Joseph M. Scriven

Autores presbiterianos
Rocha eterna – Thomas Hastings (melodía)
Felicidade no serviço – Alfred Henry Ackley (letra)
Mais de Cristo – John R. Sweney
Louvamos-te, ó Deus – William Paton Mackay

Outros
Deus vos guarde pelo seu poder – Jeremiah Eames Rankin (congregacional)
Ditoso dia – Philip Doddridge (Puritano)
Oração para a Noite – Petrus Herber, (Unidade dos Irmãos Boêmios, protestantes)

Fonte:
http://www.cvvnet.org/m/index.php?cmd=view&id=95240
http://www.cyberhymnal.org/
http://www.sharefaith.com/guide/Christian-Music/hymns-the-songs-and-the-stories/articles.html
http://www.ccel.org/ccel/ryden/hymnstory.txt
https://www.scribd.com/doc/51044807/Historia-dos-Hinos-Cantor-Cristao
http://www.wholesomewords.org/biography/biosankey10.html