O grande erro da pregação moralista

Graeme Goldsworthy, no seu livro “Pregando toda a Bíblia como Escritura Cristã” (Editora Fiel), considera a ligação entre legalismo e pregações moralistas. Ambos satisfazem o desejo humano de alcançar metas por força própria.

“O pregador pode favorecer e estimular [uma] tendência legalista que está no âmago do pecado que habita em todos nós. Tudo que temos de fazer é enfatizar nossa humanidade: nossa obediência, nossa fidelidade, nossa rendição a Deus e coisas semelhantes. O problema é que estas coisas são todas verdades bíblicas legítimas, mas, se as colocarmos fora de perspectiva e ignorarmos sua relação com o evangelho da graças, elas substituem a graça pela lei. Se dissermos constantemente às pessoas o que eles devem fazer para terem sua vida em ordem, colocamos sobre elas um terrível fardo legalista. É claro que devemos obedecer a Deus; é claro que devemos amá-lo de todo o nosso coração, mente, alma e força. A Bíblia nos diz isso. Mas, se sempre dermos a impressão de que é possível fazermos isso por nós mesmos, não somente tornamos o evangelho irrelevante, mas também sugerimos que a lei é, de fato, mais fraca em suas exigências do que ela realmente é. O legalismo diminui a lei ao reduzir seus padrões ao nível de nossa competência. Há um ditado infeliz e enganador que, de vez em quando, ouvimos de pessoas que deveriam saber melhor: Deus não exige de nós o que não podemos conseguir. Isto subentende ou que Deus exige menos do que perfeição ou que a perfeição é menos perfeita, porque podemos atingi-la. Na verdade, a lei de Deus não é formulada de acordo com a capacidade pecaminosa do homem para cumpri-la, e sim como uma expressão do perfeito caráter de Deus.
Em termos práticos, se nós, como pregadores, estabelecemos as marcas do cristão espiritual, ou da igreja madura, ou do pai piedoso, ou do filho obediente, ou do pastor dedicado, ou do presbítero responsável, ou do líder de igreja sábio, e se fazemos isso de uma maneira que a conformidade é apenas uma questão de entendimento e de ser obediente, estamos sendo legalistas e nos arriscamos a destruir aquilo mesmo que desejamos construir. Podemos atingir uma aparência exterior de conformidade com o padrão bíblico, mas fazemos isso à custa do evangelho da graça, o qual sozinho pode produzir a realidade destes alvos desejáveis. Dizer o que devemos ser ou fazer, sem ligar isto com uma exposição clara do que Deus tem feito quanto ao nosso fracasso de ser ou de fazer perfeitamente o que ele quer, é rejeitar a graça de Deus e levar pessoas a ansiar por autoajuda e auto melhoramento de um modo que, sendo franco, é ímpio.”

Acerca do corpo de Cristo e suas implicações

CORPO DE CRISTO »
  1. Há um só corpo (Ef 4.4, Rm 12.5, 1Co 12.12);
  2. O corpo tem seu início em Jesus Cristo, sendo Ele que O mantêm (Col 1.17,18);
  3. O corpo tem Jesus Cristo como sua única Cabeça (Col 1.17,18), submentendo-se somente à Sua Palavra;
  4. A autoridade soberana que Cristo exerce sobre todo seu corpo (Ef 1.22,23) é consequência natural do plano da salvação efetuado pela Trindade sobre todos os escolhidos (Ef 1.3-14);
  5. O corpo é composto por todos aqueles que foram batizados no Espírito Santo (1 Cor 12.13);
  6. Não há uniformidade entre todos os membros em termos de sua maturidade ou chamado. Existem os membros fracos e menores (1Co 12.22-25), como também há diferentes ministérios (1Co 12.4-6,11,12), e diferentes chamados (1Co 12.28 / Ef 4.11,12) na obra;
IGREJA LOCAL E VISÍVEL »
  1. Uma igreja local é uma congregação visível daqueles que já estão congregados em Cristo (At 20.28).
  2. Uma igreja local encontra sua identidade exclusivamente no Seu Salvador (Mt 16.16-18) e não em sua denominação ou linhagem histórica;
    • Uma igreja local encontra sua identidade no que Jesus fez por ela (At 20.28), “sendo ele próprio o Salvador do corpo” (Ef 5.23);
    • Um igreja local encontra sua identidade no amor que Jesus tem por ela (Ef 5.25)
    • Uma igreja local encontra sua identidade no que Jesus diz a respeito dela (Mt 16.16-18).
  3. Uma igreja local é motivada pelo Espírito Santo (At 2, At 10.45,46);
  4. Uma igreja local é autorizada diretamente pela Palavra (Mt 28.18-20, 2 Tm 3:16-17);
  5. Uma igreja local é amada, alimentada e edificada pelo próprio Jesus Cristo (Ef 5);
  6. Uma igreja local é um dos meios que Deus usa para propagar seu Evangelho;
IMPLICAÇÕES »
  1. Comunhão: Há um sentindo em que os membros daquele um só corpo são membros um do outro (Rm 12.4,5), e devem desenvolver os dons do Espirito uns para com os outros (Rm 12.6-16). Todos que andam na luz de Cristo têm “comunhão uns com os outros” (1Jo 1.3,7) por razão da luz que compartilham. Devemos criar amizades com irmãos de outras denominações enquanto forem humildes e estudiosos na fé. Devemos abraçar, visitar e interagir com nossos irmãos na fé.
  2. Edificação: Todos aqueles que fazem parte do corpo de Cristo devem buscar crescer  naquele que é a cabeça, Cristo (Ef. 4.15,16).
  3. União: Sendo transformado em um só povo (Ef 2.13,14), devemos buscar fortalecer todos aqueles que estão edificados sobre um só fundamento, que é Jesus Cristo (Ef 2.20) para juntos sermos templo santo no Senhor (Ef 2.21).
  4. Amor: Os fiéis em Colossos tiveram amor “para com todos os santos” (Co 1.4) e devemos fazer o mesmo. Esse amor não ama somente aos santos ‘amáveis’ que concordam com nossas opiniões; antes, todos os santos recebem essa demonstração pelo amor (Ef 4.1-3). Esse amor entre os discípulos de Cristo é prova que somos de fato seguidores dEle e não de outrem (João 13.35).
  5. Erros: Uma igreja local e visível pode errar. Ela pode demonstrar “incredulidade e dureza de coração” (Marcos 16.14) perante seu Salvador. Ela pode errar teologicamente (as igrejas da Galácia), moralmente (igreja em Corinto), secretamente ou publicamente, etc. Mas o que faz ela ser igreja não é seu nível de perfeição e sim Aquele que é Perfeito. Da mesma forma que um cristão pode errar sem perder sua identidade, uma igreja local pode errar sem perder sua identidade.
CONSEQUÊNCIAS »
A longo prazo, há severas consequências que podem brotar no nosso meio se defendemos que apenas as igrejas da nossa denominação são legítimos corpos de Cristo (como defende a visão Landmarkista):
  1. Indiferença: Passaremos vista grossa sobre as diferenças entre nossas próprias igrejas, já que as diferenças sugerem uma identidade diferenciada e não tão paralela com as nossas confissões.
  2. Apatia: Não nos preocuparemos com os deslizes das outras igrejas e nem nos alegraremos com seus avanços, já que todas são ‘igrejas falsas’ aos nossos olhos.
  3. Isolamento: Nos preocuparemos cada vez mais com somente aqueles que concordam completamente conosco. Amizade e comunhão com homens de outras denominações cristãs será interpretada como ‘dando apoio às igrejas falsas’.
  4. Solidão: Trabalharemos sozinhos, sem buscar o apoio, conselhos ou experiência de irmãos de outras igrejas cristãs.
  5. Diminuição: Perderemos a visão ampla de que Deus está — neste exato momento — sendo louvado em homens diferentes, igrejas diferentes e nações diferentes. Pensaremos que nós somos (coletivamente falando) o único arauto das verdades bíblicas.
  6. Arrogância: Pensaremos que almas estão sendo convertidas nas nossas igrejas por causa da nossa linhagem saudável, ou teologia tradicional, e esqueceremos que Deus faz tudo pela sua graça, e não merecimento humano.
  7. Ignorância: Deixaremos de ser inspirados pelas vidas dos heróis da fé que vieram antes de nós por terem diferenças de convicção. E quem não conhece sua história está condenado a repeti-la.
  8. Idolatria da tradição: Já que a nossa veracidade foi herdada por meio de uma linhagem de igrejas, pensaremos que qualquer tradição que leva-nos mais e mais de volta ao passado é de alguma forma mais santa e desejável. Procuraremos bases bíblicas para defender nossas tradições ‘sagradas’.
  9. Testemunho enfraquecido: a nossa união com Jesus Cristo e também Seus discípulos testemunham que Jesus é o enviado “para que o mundo creia” (Jo 17.21). Uma falta de comunhão e convivência com os discípulos que são diferentes de nós enfraquece nosso testemunho perante um mundo curioso.
ECUMENISMO »
Orar pelo bem de uma igreja cristã que não é da nossa denominação é ecumenismo? E expressar apoio a um pastor ou movimento cristão que não seja batista? Ou fazer parcerias com outras igrejas cristãs para alcançar mais povos indígenas?
O ecumenismo já foi definido de diversas maneiras durante os séculos. Mas uso ele aqui no sentido de “promover união entre todos as religiões”.
  1. Ecumenismo afirma que todas as religiões são válidas. Assim, quando todos os deuses são aceitos com igual valor, nenhum deus é anunciado. Já a união cristã busca ter comunhão somente com aqueles que estão edificados sobre o fundamento que está posto, Jesus Cristo (1Co 3.11), reconhecendo que somos a lavoura e edifício de Deus (1Co 3.9).
  2. Ecumenismo busca união acima da verdade, enquanto a união cristã zela pela verdade acima da união. A união cristã reconhece que fora de Cristo não há outro caminho, verdade ou vida (Jo 14.6) e está disposto a morrer solitário do que confessar outra ‘verdade’.
  3. Ecumenismo vê com maus olhos qualquer pessoa que não se afilia à sua associação pagã, enquanto a união cristã entende que o cristão tem liberdade em Cristo a participar ou não participar de seus movimentos, congressos, associações e projetos (Lu 9.49,50).
  4. Ecumenismo define a união como “concordância com todas as religiões independente de seus ensinos” enquanto a união cristã entende que ela é consequência da união já existente em Cristo, e a define como “trabalhar em prol do mesmo alvo que é anunciar Cristo”. Para o cristão, união não é andar de mãos dados, e sim, batalhar pelo mesmo Rei, submetendo-nos à sua Palavra. “Estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do Evangelho” (Filipenses 1.27).
  5. Ecumenismo incentiva a propagação de muitos credos, enquanto a união cristã reconhece que há somente um credo: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.16) (At 17.1-3) (Rm 10.8,9) (Jo 17.3).
  6. Ecumenismo leva os homens a perdição, enquanto a união cristã é preservada pela Trindade, conforme Jesus Cristo orou (Jo 17.11,21)
  7. Ecumenismo erra por chamar de puro aquilo que Deus condena, enquanto a falta de união cristã pode surgir quando chamamos de impuro “ao que Deus purificou” (At 10.15). Chamar de ‘falso’ aquilo que é edificado sobre a verdade e que anda na luz do Evangelho é desrespeitar o escopo e intenção da obra de Cristo.
IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA (ICAR)»
Todos os caminhos levam à união com a Igreja Católica Apostólica Romana? Confessar um corpo universal e eterno é se ajuntar a essa Igreja, já que a palavra ‘católica’ significa ‘universal’?
  1. A união cristã incentivada pela ICAR é contrária àquela ensinada nos Evangelho. A ICAR afirma que todos aqueles que compõem sua denominação compõem o corpo de Cristo, o que é inverter o ensino bíblico. Biblicamente, fazemos parte primeiramente do corpo de Cristo e por consequência disso buscamos nos ajuntar a uma assembléia local de cristãos, e não o contrário.
  2. A ICAR não confessa Jesus Cristo como único e suficiente Salvador e nem exalta Sua Palavra como o único padrão que rege sobre a igreja, como tem testemunhado a longa linhagem de mártires, reformadores e puritanos que saíram dela. Disse o Papa Bonifácio VIII em 1302, “Declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice.
  3. A ICAR não busca a união em Cristo; antes, defende a união sob uma mesma autoridade papal. Em última analise, a ICAR procura atrair todos para si, enquanto a genuína união cristã incentiva que todos sejam unidos em Cristo, que é maior do que qualquer denominação.
  4. A ICAR despreza todos aqueles que não se alinham à sua confissão de fé, chamando-os de hereges e apóstatas, o que não condiz com a liberdade que temos em Cristo de vivermos de acordo com as nossas convicções.
  5. A ICAR sugere a inerrância de seus líderes ao invés de confessar somente a inerrância da Palavra de Deus.
  6. A ICAR só será igreja viva, construída sobre a Rocha, quando ela voltar a confessar Cristo acima de qualquer tradição eclesiástica.
  7. Se acreditar na congregação universal e invisível nos torna automaticamente participantes da ICAR devido ao seu uso da palavra ‘Católica’, não deveremos desprezar então o conceito de ‘linhagem apostólica’ por ser defendido pela ICAR? A ICAR defende a ideia que (1) sua autoridade é apostólica por razão (2) dela ser a sucessão daquela primeira igreja dos apóstolos, e com esta base afirma que (3) nenhuma outra igreja fora da sua denominação tem autoridade apostólica para existir, congregar e evangelizar.
  8. Confessar uma verdade que homens tem buscado perverter não é a mesma coisa que confessar a perversão como a verdade.
Que possamos confessar a “simplicidade que há em Cristo” (2Co 11.3).[Arte: Christi Himmelfahrt por Gebhard Fugel, c. 1893]

Confissões de um legalista miserável

1. Sua felicidade me incomoda. Como é que você pode experimentar tanta alegria cristã quando eu tenho direito exclusivo à felicidade? Você não se veste adequadamente, adora adequadamente, fala adequadamente, vota adequadamente ou estuda, ora e defende a verdade suficientemente. Por que você está tão feliz, droga?!

2. Minha falta de felicidade me incomoda. Creio ter alcançado uma aceitação especial perante Deus devido ao meu modo de vestir, adorar e viver. E mesmo assim há um sentimento de vazio que incomoda minha alma. Eu cumpro todo o ritual da piedade e a sequidão ainda está lá. Onde está minha alegria?!

3. Estou chocado que o Espírito Santo use sua igreja. Rotulei sua forma de adoração como mundana e inaceitável. É frustante ver o Espírito Santo resgatar almas através da sua igreja.

4. Evito todos os versículos que fazem menção à unidade e amor cristão porque eles me confundem. Por que Deus me chamaria a um patamar mais elevado e depois exigiria convivência em amor com aqueles que não estão no mesmo nível de entendimento e santidade?

5. Quando você me ama, meu coração amolece. Quando você me trata como irmão/irmã em Cristo, simplesmente porque Jesus nos ama, me sinto desconfortável. Meu coração se quebranta de forma que não posso ignorá-lo. Me faz pensar que você sabe algo que eu não sei! Pare de me amar! Argh!!

6. Estou tão cansado de manter aparências. Ninguém pode saber que a minha família é imperfeita, minha fé instável ou minha igreja dividida. Há décadas mantenho essa aparência de perfeição gloriosa e estou exausto. Mas será que há mais do que isso?

7. Eu uso a palavra “graça”, mas não sei o que ela realmente significa. A meu ver, graça são pequenos mimos que Deus dá a quem se esforça ao máximo para permanecer no caminho estreito. Já ouvi falar de uma graça sobrenatural na qual o cristão pode descansar, encontrar sua identidade e desfrutar desde já e por toda a eternidade. Não faço ideia o que é isso.

8. Às vezes, Deus parece muito distante. Na verdade, quase o tempo todo. Mas onde Ele estiver, espero que ele esteja contente comigo, por que estou me esforçando ao máximo.

9. Temo que um dia descobrirão que eu sou um pecador também, e meu ministério acabará.

10. Gosto de citar homens santos que já morreram, mas nunca procuro saber no que criam ou como suas crenças diferenciavam-se entre si. Simplesmente imagino que eles, já que morreram pela “verdade”, certamente criam o mesmo que eu.

11. PARE DE SER TÃO FELIZ! (veja nº1)

12. Não tenho argumentos sólidos. Mas quanto mais bravo e fervoroso eu sentir enquanto debato doutrina, mais lógico soo a mim mesmo. Então perdoe minha gritaria e espírito contencioso. Isso também explica porque uso CAIXA ALTA em todos os meus argumentos.

13. Certa vez ouvi uma música cristã contemporânea e gostei. Isso me incomoda até hoje.

14. É tudo uma questão de paciência. Espere até que estejamos no céu e Jesus distribuindo as coroas que você verá quem tinha a razão o tempo todo. Aguarde!

15. É fácil demais ser cristão se tudo o que você tem a fazer é descansar no Seu perdão, se esconder em Sua grandeza e ter Seu amor como a maior motivação para seguir Seu ensino. Não pode ser tão fácil assim! Se é tão simples, por que a minha denominação ensina há anos tantas regras e regulamentos? Estou confuso!

16. Pois é, estou confuso! Então me deixe em paz. Não me ame ou me trate bem. Me dê razões para crer que eu estou mais próximo a Deus do que você. Eu quero estar próximo a Ele… mas me sinto tão longe.

Conceito de igreja universal entre os anabatistas

“Apesar da igreja ser chamada de nomes diferentes, … todas elas, antes, durante e depois da Lei, que, em sinceridade temem ao Senhor, andavam e continuem andando de acordo com a Palavra e Vontade de Deus, confiando em Cristo, são uma só comunidade, igreja e corpo, e para sempre serão; pois todas foram salvas por Cristo, aceitas por Deus, e receberam a dadiva do Espírito da sua graça.”

– Menno Simons, (1496-1561)

Fonte: “Concerning the church, and an instructive comparison how we may distinguis between the church of Christ and the church of anti-Christ” (link)

“As vezes, a Igreja é entendida como sendo todos os homens que estão congregados e unidos em um Deus, um Senhor, uma fé e um batismo, e confessam a fé com seus lábios, aonde quer que estejam na terra. Esta é a Igreja Cristã universal, o corpo e comunhão dos santos, que se reúne somente no Espírito de Deus, mencionado no nono artigo do Credo Apostólico. Outras vezes, a igreja é entendida como sendo, em particular, uma congregação externa, paróquia ou povo, sob um pastor ou bispo, que se reúne corporalmente para doutrina, batismo e ceia.” […] “A congregação particular pode errar, como a igreja papista tem errado em muitos aspectos. Mas a igreja universal não pode errar.”

– Balthasar Hübmaier, (1480?-1528)

Fonte: Henry Clay Vedder, “Balthasar Hübmaier, the Leader of the Anabaptists”, 1903 (link)

“O termo igreja ou congregação indica que ela é, não apenas invisível, mas também visível, pois o termo usado é ecclesia, ou seja, um encontro ou reunião ou congregação…”

– Dirk Philips, (1504-1568)

Fonte: William Estep, “The Anabaptist Story: An Introduction to Sixteenth-Century Anabaptism” (link)

“Cremos e mantemos firmemente tudo o que está contido nos doze artigos do símbolo comumente chamado de Credo Apostólico , e consideramos herética qualquer inconsistência com eles.”

– Confissão de Fé Valdense (1120)

Fonte: Confissão de Fé Valdense (link)

O propósito da Reforma na visão do Charles Spurgeon

“Considere a Reforma. Qual foi o propósito de Deus em levantar Lutero, e Calvino, e Zwingli, para efetuar a Reforma? Ora, para esse grandioso propósito: que Cristo veja o fruto do trabalho da sua alma, e que seus escolhidos creiam nEle. Este era o propósito da Reforma. E o que a Reforma alcançou? Não somente isto, mas também outras mil coisas, pois as artes e ciências devem seus progressos à Reforma; a mente humana foi libertada e expandida; e milhões de pessoas que nunca obtiveram a vida eterna em Jesus Cristo, pela gloriosa Reforma obtiveram liberdade, e dez mil misericórdias a mais.”

– Charles Spurgeon

fonte: General and Yet Particular, n°566 – Pregação ministrada em 24 de abril de 1864.

A maior família do mundo

O pecador regenerado por Cristo é adotado na família de Deus. As implicações são tremendas:

  • somos — literalmente — irmãos e co-herdeiros de Jesus Cristo (Rm 8.17,29)
  • o mesmo Espírito guia todos os filhos de Deus (Rm 8.14,15)
  • todos estão sendo conformados à imagem de Jesus Cristo (Rm 8.29)

» Ok, beleza. Isso é bastante interessante. Só que tem um problema: existem irmãos co-herdeiros que pertencem a outras denominações. Como devo trata-los?

Como Jesus tratou a família de Deus? “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir…” (Mc 10.45). Seguindo o exemplo do nosso Mestre, não devemos também servir nossos irmãos com amor, oração e comunhão, dispostos a lavar seus pés (João 13.14,15)? Não podemos amar somente de palavra ou de boca, “mas em ações e em verdade” (1Jo 3.18).

» Mas existem aqueles que dizem ser parte da família de Deus mas pregam heresias & vivem vidas indignas. Não devo ter cautela ao buscar ter comunhão com a família de Deus?

Sempre existem aqueles, como lobo em pelos de cordeiros, tentam abusar daquela comunhão em Cristo usufruído pela família de Deus. Não devemos fazer de conta que suas blasfêmias são encobertas (Rm 16.17,18) (Judas 1.4). Mas não podemos deixar de amar à maior família do mundo por medo dos impostores. Antes, nosso amor dará testemunho do quanto nosso Deus é verdadeiro (João 13.35), dando-nos confirmação “que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1Jo 3.14).

» Mas e se alguns cristãos pisam na bola, aí fica feio para a família toda, não? Prefiro ficar mais a sós, tendo comunhão somente com os membros da minha igreja.

Pergunte a Cristo: Ele é o nosso irmão e co-herdeiro. Ele nos abandona cada vez que nossos pecados trazem vergonha a Seu Nome?

Legalismo: um atalho para a Santificação?

De início, duas verdades: Deus deseja que seu povo seja santificado e o Responsável pela obra da santificação é o próprio Espírito Santo (1 Pedro 1.2). Porém, como todos os cristãos percebem, o processo da santificação é longa e muitas vezes doloroso. Existiria algum atalho para a santificação? Algum ‘acelerador espiritual’? O legalismo responderia que sim.

“Hey cristão,” diz o legalismo, “tu queres ser santo? Siga esta série de exigências:”

  • Pare de assistir novelas
  • Se for mulher, pare de usar calças
  • Se for homem, pare de usar bermudas
  • Se for jovem, pare de jogar videogames
  • Leia 1 capítulo por dia
  • Dê mais oferta
  • Nunca falte um culto, etc…

“Siga a risca e ganhará a aprovação de Deus, alegrará o Espírito Santo, e será um modelo para os demais irmãos,” conclui o legalismo.

O que não percebe, porém, é que Deus é glorificado tanto pela santidade como também pelo processo da santidade. O autor de Hebreus, após exaltar a Cristo como sumo Sacerdote e perfeito Mediador, afirma: “Portanto, aproximemo-nos com confiança do trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Heb 4.16). É este o processo da santificação que glorifique a Deus: homens e mulheres buscando a misericórdia e graça perante o Trono através de Jesus Cristo. Aquele que tente burlar a santificação, menospreza o Trono da graça, o Mediador, e sua graça e misericórdia.

O fruto deste processo de santificação é o mesmo fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio” (Gl 5.22,23), obras quais nunca são incluídas na lista legalista.

Erasmus publicou 5 versões do mesmo texto grego

Há irmãos bem-intencionados que defendem que somente a Almeida Corrigida Fiel (no Brasil) e King James Version (nos EUA) podem ser denominadas como a Palavra de Deus nos seus respectivos idiomas, por serem traduções baseadas no Textus Receptus, texto em grego compilado por Erasmus. O argumento se resume desta forma: “Se Deus preservou Sua Palavra, existe somente uma tradução que é uma cópia exata daquela que foi preservada; todas as demais traduções são variações falhas”.

Entretanto, surge uma dificuldade: o próprio Erasmus publicou, não uma, mas cinco versões do seu texto grego.

  • 1516 – primeira edição; o texto de Apocalipse é baseado em somente um manuscrito grego, que faltava os versículos 15-21 do capítulo 22, então esses 6 versículos são baseados na Vulgata (latin).
  • 1519 – segunda edição; inclui correções ao texto em Apocalipse. Ela contém 400 variações se comparada com a 1ª edição. É esta 2ª edição usada por Lutero na sua tradução alemã.
  • 1522 – terceira edição; Erasmus inclui a famosa Comma Johanneum (1 João 5.7-8) sob pressão da Igreja Católica Romana. Ela contém 118 variações se comparada com a 2ª edição. É esta 3ª edição usada por William Tyndale na sua tradução inglês.
  • 1527 – quarta edição, incluindo correções baseadas na Bíblia Poliglota Complutense. Ela contém 113 variações se comparada com a 3ª edição.
  • 1535 – quinta edição, tendo 5 variações se comparada com a 4ª edição.

Se Erasmus não tivesse falecido em 1536, imagino que teria publicado outras edições.

Surgem então as perguntas: se variações são sinais de perversão do texto, qual edição do Textus Receptus é a Palavra de Deus definitiva? Os leitores da 1ª edição puderam conhecer toda a vontade de Deus? Puderam conhecer a doutrina da Trindade sem poder ler 1 João 5.7-8? Os leitores das primeiras quatro edições puderam conhecer a verdade e serem libertados por ela (conforme prometeu Jesus Cristo em João 8.32)? Ou, diremos que o povo de Deus estava sem as genuínas Sagradas Escrituras até a publicação da quinta edição em 1535? Resumindo: Deus falou (e fala) através de quais dessas 5 edições?

É necessário reconhecer que as Bíblias Almeida Corrigida Fiel e King James Version também são fruto do crítico textual.

Fontes de pesquisa:
Daniel B. Wallace, bible.org
Doug Kutilek, kjvonly.org

[Arte: Detalhe de “Portrait of Erasmus of Rotterdam” por Hans Holbein the Younger c. 1530]

Uma mentalidade CTRL-C / CTRL-V

Uma mentalidade CTRL-C / CTRL-V entre o povo de Deus tem perigosas consequências:

1) Cria seguidores de homens
2) Desestimula o estudo, pensamento e leitura pessoal
3) Amplifica o alcance de qualquer inconsistência teológica

A diferença entre ecumenismo e união cristã

O ecumênico diz ao cristão, “Vamos nos unir porque não há doutrinas claras e concretas; todos os caminhos levam a Deus”, enquanto o Cristão diz ao seu irmão, “Há ensinos claros sim mas mesmo que você não os vê com clareza, permita que eu te sirva em amor”.

Concordância com todas as religiões do mundo é impossível, mas comunhão dentro do Corpo de Cristo é sempre possível, pois foi isso que Jesus buscava (João 17.21).

Por isso, 1 João nos chama a servir nossos irmãos em Cristo – do mais imaturo ao mais maturo, do mais fraco ao mais forte, do mais confuso ao mais convicto.