Legalismo: um atalho para a Santificação?

De início, duas verdades: Deus deseja que seu povo seja santificado e o Responsável pela obra da santificação é o próprio Espírito Santo (1 Pedro 1.2). Porém, como todos os cristãos percebem, o processo da santificação é longa e muitas vezes doloroso. Existiria algum atalho para a santificação? Algum ‘acelerador espiritual’? O legalismo responderia que sim.

“Hey cristão,” diz o legalismo, “tu queres ser santo? Siga esta série de exigências:”

  • Pare de assistir novelas
  • Se for mulher, pare de usar calças
  • Se for homem, pare de usar bermudas
  • Se for jovem, pare de jogar videogames
  • Leia 1 capítulo por dia
  • Dê mais oferta
  • Nunca falte um culto, etc…

“Siga a risca e ganhará a aprovação de Deus, alegrará o Espírito Santo, e será um modelo para os demais irmãos,” conclui o legalismo.

O que não percebe, porém, é que Deus é glorificado tanto pela santidade como também pelo processo da santidade. O autor de Hebreus, após exaltar a Cristo como sumo Sacerdote e perfeito Mediador, afirma: “Portanto, aproximemo-nos com confiança do trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Heb 4.16). É este o processo da santificação que glorifique a Deus: homens e mulheres buscando a misericórdia e graça perante o Trono através de Jesus Cristo. Aquele que tente burlar a santificação, menospreza o Trono da graça, o Mediador, e sua graça e misericórdia.

O fruto deste processo de santificação é o mesmo fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio” (Gl 5.22,23), obras quais nunca são incluídas na lista legalista.

Erasmus publicou 5 versões do mesmo texto grego

Há irmãos bem-intencionados que defendem que somente a Almeida Corrigida Fiel (no Brasil) e King James Version (nos EUA) podem ser denominadas como a Palavra de Deus nos seus respectivos idiomas, por serem traduções baseadas no Textus Receptus, texto em grego compilado por Erasmus. O argumento se resume desta forma: “Se Deus preservou Sua Palavra, existe somente uma tradução que é uma cópia exata daquela que foi preservada; todas as demais traduções são variações falhas”.

Entretanto, surge uma dificuldade: o próprio Erasmus publicou, não uma, mas cinco versões do seu texto grego.

  • 1516 – primeira edição; o texto de Apocalipse é baseado em somente um manuscrito grego, que faltava os versículos 15-21 do capítulo 22, então esses 6 versículos são baseados na Vulgata (latin).
  • 1519 – segunda edição; inclui correções ao texto em Apocalipse. Ela contém 400 variações se comparada com a 1ª edição. É esta 2ª edição usada por Lutero na sua tradução alemã.
  • 1522 – terceira edição; Erasmus inclui a famosa Comma Johanneum (1 João 5.7-8) sob pressão da Igreja Católica Romana. Ela contém 118 variações se comparada com a 2ª edição. É esta 3ª edição usada por William Tyndale na sua tradução inglês.
  • 1527 – quarta edição, incluindo correções baseadas na Bíblia Poliglota Complutense. Ela contém 113 variações se comparada com a 3ª edição.
  • 1535 – quinta edição, tendo 5 variações se comparada com a 4ª edição.

Se Erasmus não tivesse falecido em 1536, imagino que teria publicado outras edições.

Surgem então as perguntas: se variações são sinais de perversão do texto, qual edição do Textus Receptus é a Palavra de Deus definitiva? Os leitores da 1ª edição puderam conhecer toda a vontade de Deus? Puderam conhecer a doutrina da Trindade sem poder ler 1 João 5.7-8? Os leitores das primeiras quatro edições puderam conhecer a verdade e serem libertados por ela (conforme prometeu Jesus Cristo em João 8.32)? Ou, diremos que o povo de Deus estava sem as genuínas Sagradas Escrituras até a publicação da quinta edição em 1535? Resumindo: Deus falou (e fala) através de quais dessas 5 edições?

É necessário reconhecer que as Bíblias Almeida Corrigida Fiel e King James Version também são fruto do crítico textual.

Fontes de pesquisa:
Daniel B. Wallace, bible.org
Doug Kutilek, kjvonly.org

[Arte: Detalhe de “Portrait of Erasmus of Rotterdam” por Hans Holbein the Younger c. 1530]

Uma mentalidade CTRL-C / CTRL-V

Uma mentalidade CTRL-C / CTRL-V entre o povo de Deus tem perigosas consequências:

1) Cria seguidores de homens
2) Desestimula o estudo, pensamento e leitura pessoal
3) Amplifica o alcance de qualquer inconsistência teológica

A diferença entre ecumenismo e união cristã

O ecumênico diz ao cristão, “Vamos nos unir porque não há doutrinas claras e concretas; todos os caminhos levam a Deus”, enquanto o Cristão diz ao seu irmão, “Há ensinos claros sim mas mesmo que você não os vê com clareza, permita que eu te sirva em amor”.

Concordância com todas as religiões do mundo é impossível, mas comunhão dentro do Corpo de Cristo é sempre possível, pois foi isso que Jesus buscava (João 17.21).

Por isso, 1 João nos chama a servir nossos irmãos em Cristo – do mais imaturo ao mais maturo, do mais fraco ao mais forte, do mais confuso ao mais convicto.

Descansar é cessar de se preocupar – Citação do R. C. Sproul

“Nós pensamos estar guardando o mandamento [do Sabá] se corajosamente nos recusamos a fazer todo o trabalho que está acumulado e que tira o nosso sono à noite. Ao invés disso, nós estamos pecando. Descansar não é simplesmente cessar de trabalhar; é também cessar de se preocupar. Isso não é fácil. Com efeito, por assim dizer, descansar, especialmente cessar de se preocupar, é um trabalho árduo.”

– R. C. Sproul, via ministeriofiel.com.br

Três folhetos evangelísticos – é só baixar e imprimir

Seguem anexos 3 folhetos evangelísticos, nos formatos PDF (basta carimbar o endereço da igreja) e DOC (Word), caso queira editar as informações de horário do culto, endereço da igreja. etc. Podem ser impressos em folhas A4, frente e verso.

1. Afinal, o que Jesus Cristo pregava? Com base em João 3.36, este folheto procura explicar, de forma expositiva, o que Jesus Cristo realmente pregava sobre condenação e salvação. [PDF] [Word]

2. Salvação pra quê? De tanto falar de assuntos relacionados à salvação, talvez tenhamos esquecido de explicar exatamente o por quê da salvação. Este folheto procura definir os termos bíblicamente, e destacar a urgência da sua necessidade. [PDF] [Word]

3. Qual o propósito da sua vida? Nossa sociedade vive em busca dos seus sonhos. Este folheto encoraja o leitor a refletir sobre a real insatisfação que nossos alvos oferecem, e a alegria genuína que há em Cristo Jesus. [PDF] [Word]

Por serem pequenos sermões, estes folhetos são mais extensos do que os folhetos típicos que cabem no bolso. Entretanto, procurei resumir, logo nos primeiros parágrafos, o cerne do assunto, caso o leitor não tiver interesse em ler o resto.

A importância da pregação expositiva

“Muitos asseguram a si mesmos de estarem pregando a Palavra de Deus. Mas estão, na verdade, escolhendo textos da Bíblia, lendo-os para o seu povo e construindo os seus sermões a partir deles. Mas a mera presença destes elementos não produz uma pregação bíblica. Os sermões que pregamos não podem meramente usar a Bíblia como um trampolim. Nem mesmo extrair pontos do texto. Nossos sermões precisam colocar diante de nosso povo a mensagem que o próprio Deus pretendia nos passar, quando Ele inspirou os autores das Escrituras. Visto que Deus nos dá luz e habilidade para discernir a sua Palavra, é nossa responsabilidade extrair e expor a verdade do texto.”

– Roger Ellsworth, Amado Timóteo (Editora Fiel)

Aliás, o que é fundamentalismo?

“O que é um fundamentalista?” Fica difícil responder esta pergunta, uma vez que a palavra ‘fundamentalista’ pode significar muitas coisas para muitas pessoas. Podemos resumir seu significado e traçar — em linhas gerais — sua evolução com estas 4 considerações:

1. No fim do século XIX e início do século XX, houve um crescimento do liberalismo teológico radical nas principais denominações históricas dos Estados Unidos.[1] Importado de Alemanha, esse liberalismo semeava dúvida no campo da fé ortodoxa. Neste contexto, o termo ‘fundamentalista’ se refere a coligação de teólogos e pastores que defenderam a fé cristã ortodoxa nos seus seminários e igrejas.
Em 1910, uma coletânea de textos escritos por 64 teólogos de diversas denominações, publicada como “Os Fundamentos”, defenderam “a inspiração das Escrituras por meio do Espírito Santo, o nascimento virginal de Cristo, sua morte salvadora e vicária, a realidade histórica de seus milagres e da ressurreição corporal de Cristo e seu retorno final em glória”.[2] Estes cinco pontos foram considerados fundamentais; sem eles, argumentavam os fundamentalistas, teríamos um “cristianismo sem adoração, um cristianismo sem Deus, e um cristianismo sem Jesus Cristo”[3]. O movimento fundamentalista ganhou força. Em 1919, o pastor batista W. B. Riley, fundador da Associação Mundial dos Fundamentalistas Cristãos, afirmou com otimismo: “Chegou a hora do surgimento de um novo Protestantismo”[4]. Esta primeira fase é conhecida como fundamentalismo histórico.

2. Entretanto, em meados de 1920, houve uma sequência de rachas entre os próprios fundamentalistas. Os fundamentalistas separatistas, uma boa parte deles batistas e presbiterianos[5], alegavam que os demais não adotavam uma atitude militante o suficiente contra os liberais. Mais tarde, os separatistas exigiam, além das doutrinas fundamentais, concordância em questões culturais (abolição de bebidas alcóolicas) e visões escatológicas (pré-milenarismo). Ainda mais tarde, foi comum acrescentar também à lista de exigências o uso de uma única tradução bíblica (em inglês, o King James Version), a proibição de certas vestimentas (como calças femininas), ou separação do ministério do Billy Graham[6].

3. Na mídia, encontramos o uso da palavra ‘fundamentalista’ para se referir à uma pessoa que é avessa a mudança, seja por motivação religiosa ou não. Seu objetivo é forçar a cultura do seu país a adotar costumes tradicionais. Assim, existem judeus fundamentalistas, islâmicos fundamentalistas, etc.

4. Na linguagem coloquial, um fundamentalista é aquela pessoa que, de forma cega, não considera as opiniões dos outros, não dá ouvido a discussões (saudáveis ou não) e não permite que suas opiniões sejam contrariadas. Em muitas ocasiões, a palavra é usada de forma pejorativa.[7]

IMPLICAÇÕES:

1. No nosso dialogo, é importante lembrar-nos que nossos termos podem ter uma variedade de definições. Ao me referir ao “movimento fundamentalista”, posso ter em mente os conservadores teimosos da 1ª geração de fundamentalistas históricas, enquanto meu ouvinte pode ter em mente uma experiência dolorosa que vivenciou em uma igreja legalista.

2. É curioso notar como movimentos evoluem com o passar dos anos. Raramente são imutáveis. Como cristãos, a nossa esperança deve ser ancorada no Evangelho de Jesus Cristo, independentemente de quais movimentos, personalidades ou exageros estão ’em alta’ no campo teológico.

3. As maiores batalhas serão sempre acerca da simplicidade do Evangelho. Os dogmas da nossa fé são poucos mas são poderosos. Devemos conhece-los, confessa-los e defende-los.

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[1] Entendendo os fundamentalistas – Parte 1, Augustos Nicodemus, http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=29
[2] A Igreja Cristã na História das Origens aos Dias Atuais, Franklin Ferreira, Editora Vida Nova, pg. 66.
[3] Shall Unbelief Win?, Rev. Clarence Edward Macartney,
http://www.thisday.pcahistory.org/2014/07/july-13/
[4] Os Fundamentos, R. A. Torrey, Prefácio de Warren W. Wiersbe,
[5] Fundamentalism at the End of the Twentieth Century, David Burggraff, http://www.biblicalstudies.org.uk/pdf/cbtj/11-1_003.pdf
[6] 3 Types of Fundamentalists and Evangelicals after 1956, Justin Taylor,
http://www.thegospelcoalition.org/blogs/justintaylor/2015/01/23/3-types-of-fundamentalists-and-evangelicals-after-1956/
[7] http://www.palavraprudente.com.br/prudente/estudos/questao.html

Mundanismo

Quando se trata de mundanismo, muitas vezes é comentada a música, a roupa e os costumes do mundo. Entretanto, mundanismo – o ato de negar o Senhorio de Jesus Cristo – pode ser visto ‘ao vivo e a cores’ quando olhamos para nossos próprios corações. A soberba da vida e a concupiscência da carne (1 João 2.15) podem sequestrar o coração do santo mesmo que ele nunca faça uso de roupas, músicas ou prazeres frequentemente denominadas como ‘mundanas’.

Visto desta forma, a mensagem de arrependimento anunciada por Jesus Cristo serve tanto para os pagãos como os santos.

Cristãos podem comemorar aniversários?

Para refletir:

O hábito de comemorar o dia do nascimento [aniversários] surgiu na Roma antiga….A origem estava ligada à ideia de que, na data de aniversário, anjos malignos vinham roubar o espírito do aniversariante e era preciso tomar medidas para prevenir isso. Por ser ligada a superstições, a tradição foi inicialmente considerada pagã pela Igreja Católica.*

Entretanto, nós cristãos, hoje comemoramos os aniversários, dando graças a Deus por mais um ano de vida concedido. Pode isso, Arnaldo? SIM, graças a graça de Deus, que é poderosa — não só para redimir nossas almas — mas resgatar também as motivações por trás daquilo que celebramos. Aquilo que foi distorcido por corações pagãos pode sim ser remido pela maravilhosa graça da bondade de Deus.

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*[Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-a-origem-da-festa-de-aniversario]