O Fator Lloyd-Jones

Um vôo atrasado tem lá seus benefícios. Semana passada, no aeroporto em João Pessoa, tive o privilégio de ouvir Mauro Meister e D. A. Carson contando várias histórias enquanto esperávamos o vôo pra São Paulo. Após levantar vários pontos interessantes sobre a vida devocional do cristão, o Carson me disse, “Daniel, vou te contar uma história mas quero que você repassa ela pra sua esposa, ok?”

“Beleza Carson, você que manda”, falei, disposto a me jogar de uma ponte caso ele pedisse.

E então ele relatou: “Acredite se quiser mas sou daquela geração que ouviu Dr. Martin Lloyd-Jones em pessoa. Eu era muito novo ainda e o Doutor já idoso. Ele estava dando uma palestra para um grupo de alunos de medicina, e falava sobre a importância da leitura bíblica. Com aquele jeito britânico, ele dizia categoricamente que sempre reservamos tempo para aquilo que valorizamos. Por isso, a negligência do tempo devocional demonstra o quanto desvalorizamos as Escrituras. Alguns alunos sentiram que ele pegou pesado demais, e no final da sua fala, um deles levantou uma questão.

“Como alunos de medicina, somos obrigados a levantar de madrugada para trabalhar em turnos que as vezes demoram até 72h. Será que você não está sendo extremo demais?”

Martyn Lloyd-Jones respondeu imediatamente: “Sou doutor e conheço bem a realidade dos alunos de medicina. Me parece que você está inventando desculpas. Você levanta as 6h para fazer seu estágio no hospital? Então coloque o alarme pra disparar às 5h30. Por mais caóticas que sejam nossas vidas, sempre é possível separar um tempinho para a leitura bíblica.” Dr. Martyn pausou, antes de acrescentar: “Na verdade, só existe uma exceção para essa regra.”

Naquele momento os alunos deram toda a atenção do mundo, na expectativa que a exceção tivesse a ver com eles.

“A única exceção,” disse o Dr. Martyn, “são as mães com filhos menores do que 5 anos. Elas não devem sentirem culpadas se não conseguirem manter uma rotina devocional.”

Carson sorriu. “Se o Doutor disse, então está dito!”