A Criatividade e o Reino de Deus

Se o conteúdo da nossa mensagem é a Verdade eterna, importa se o formato dela — o design, o layout, as cores, a escrita — é belo?

De certa forma, não. O Evangelho é como água para a alma sedenta. Para quem está com sede, de pouco adianta se as instruções para encontrar água são desenhadas com mil cores ou rabiscadas. A ele só interessa como saciar sua sede.

Entretanto, facilmente esquecemos que somos representantes de um Reino que não é deste mundo. Servimos o Rei que desenhou os céus, pintou as marés e compôs o trovão. Sua criação é saturada por beleza porque sua glória é bela. E a imagem do Criador foi carimbada em nós. Também queremos criar algo que dure, que faça a diferença, que cativa os olhos e satisfaça a alma. É ali que nasce a criatividade.

Certa vez, em uma feira de livros em São Paulo, visitei o estande de uma pequena gráfica que produzia alguns títulos selecionados. As capas dos seus livretos eram confusas: fontes de difícil leitura, imagens clichés, e títulos & subtítulos que pareciam ser extraídos de um TCC apático. Para esta gráfica, tornar as publicações mais atraentes seria uma forma de mundanismo. Já que é o Espírito que vivifica, porque procurar agradar os olhos dos seus leitores? Ao seu ver, a falta de atração devia ser o mais atrativo.

Estão certos que nosso mundo é tomado por uma vaidade que foca somente na aparência. Tudo é embrulho, nada é conteúdo. Entendo o receio deles.

Mas será que podemos escrever acerca daquele que criou a beleza sem procurar usar palavras belas? Como pintar um belo quadro sem usar belos traços? Se ele criou o canto dos pássaros e os tons do pôr do sol – como podemos falar dele sem usar alguns elementos daquilo que Ele criou?

Visto dessa forma, nossa apresentação do Evangelho deve sim ser bela. Não complicada, não desnecessariamente extravagante. Mas simplesmente bela.

Para anunciar o Evangelho, é claro que o Espírito Santo pode usar tanto o berro de um jumento como também um coral de crianças – mas qual você prefere ouvir, e porquê? Um cativa os sensos e cativa o coração. Ambos produzem sons que não podem ser ignorados mas somente um inspira seu ouvinte a replicar o som!

Precisamos de vocês, designers, fotógrafos, músicos, artistas, webmasters, escritores, contadores de histórias – criadores! Suas criações são úteis ao Reino de Deus. Elas são vislumbres da ordem, magnitude e beleza da criatividade divina.

Ajude-nos a lembrar que o papel do homem é cantar as notas da grandeza de Deus que Ele escondeu na simplicidade da beleza.

O SUPER-HOMEM TÍMIDO E VOCÊ

Imagina o Super-Homem vendo um ônibus desgovernado, cheio de turistas, rumo a um penhasco. Ele escuta os gritos. Ele reconhece o perigo. Ele pode agir.

Mas ele é tímido. Então faz nada.

Aliás, ele faz alguma coisa sim: ele dá as costas e caminha na direção oposta. Afinal, o que os olhos não vêem, o coração não sente.

Se fosse qualquer outro cidadão, não sentiríamos tanta raiva da sua atitude. O que um mero mortal pode fazer perante um ônibus em alta velocidade e sem freios?

Mas ele é SUPER-HOMEM puxa! Ele tem a solução! Porque guardar para si tamanho poder? Porque manter em segredo aquilo que aquelas pessoas desesperadas tanto precisam?

Da mesma forma, porque somos tão tímidos na evangelização? Se nosso Deus é o único Deus verdadeiro, se a vida eterna é somente pelo nosso Senhor Jesus Cristo, se a salvação só é possível através da fé em Jesus Cristo, se a fé só virá se alguém compartilhar o Evangelho….se, se, se, se…..Se tudo isso é verdadeiro — porque guardamos o Evangelho em segredo?

Só pode ser porquê, no fundo dos nossos corações, duvidamos que Deus julgará o pecador, que Cristo salvará o arrependido, que a Santa Trindade cobrirá aquele que crê com misericórdia cristalina e preciosa. Duvidamos o que a Escritura diz acerca da majestade do amor de Cristo, da profundeza da perdição dos homens, da maravilhosa transformação que o Espirito Santo faz no condenado.

Duvidamos do poder do Evangelho e por isso temos receio de obedecê-lo. Nos contentamos com a rotina do Cristianismo ao invés de nos aprofundar na sua beleza.

Por que sou cristão em pleno século 21?

Veja, comparada com as outras crenças, o Cristianismo não é a única que defende valores morais, faz obras de caridade ou cita versículos bíblicos. A luta por uma sociedade mais justa não é exclusividade dos cristãos.

Existem milhares e milhares de pessoas que não confessam a fé cristão e nem por isso são bandidos ou assassinos. São pessoas esforçadas, que trabalham em prol de suas famílias e comunidades.

Sem contar que os próprios cristãos cometem erros e pecados apesar de suas declarações de fé. Os pecados que nos assolam – a ganância, a arrogância, a falta de compaixão – também afligem aqueles que se dizem filhos de Deus.

Por que então – em pleno Século 21 – sou cristão?

Sou cristão por um motivo somente:

Há 2 mil anos, Jesus Cristo ressuscitou. E só.

As profecias diziam que ele era Deus. Suas obras diziam que ele era Deus. Ele dizia que era Deus. E muitos acreditaram. Mas muitos duvidaram também.

E ele morreu. Sua respiração parou, seu corpo esfriou, seu sangue, derramado, manchou sua pele.

Um seguidor rico colocou seu corpo dentro de um sepulcro. Fecharam uma grande pedra sobre a entrada. Vários soldados romanos fizeram a guarda. A punição caso o corpo fosse roubado pelos “discípulos extremistas”? Morte!

E ninguém queria morrer naquela noite. Nem os soldados romanos, e nem os discípulos. Ambos viraram a noite acordados.

Só havia um judeu disposto a morrer aquela noite e ele já estava morto. O próprio Jesus Cristo. Ele havia lembrado seus discípulos, repetidas vezes, que ele seria morto. E também dizia que ressuscitaria no terceiro dias.

Ele de fato morreu. E, depois, ele de fato ressuscitou. Em um instante, seu coração voltou a bater e seu sangue voltou a correr pelas veias.

Os soldados romanos estavam desesperados por suas vidas. “Não se preocupe,” disse os líderes religiosos, “volte para suas famílias. Tome um dinheiro para ficar quieto. E caso algum oficial Romano investigar o ocorrido, a gente avisa que alguns discípulos extremistas vieram de noite e roubaram o corpo.”

A verdade não podia vir à tona porque mudaria absolutamente tudo. Nunca alguém ressuscitou a si mesmo em cumprimento da sua própria profecia. Nunca alguém, dizendo ser Deus, demonstrou poder sobre sua própria morte. Nunca alguém cumpriu todas as profecias acerca de seu nascimento, seu ministério, sua morte e sua ressureição.

Na sua ressureição, foi confirmado tudo que ele havia dito acerca de si mesmo – e acerca de mim. Ele é Deus, e eu sou pecador.

Perante isso, só há uma resposta: Senhor meu, e Deus meu! Faço minhas as palavras do Tomé – aquele que duvidava, aquele que se isolava, aquele que precisou ver as feridas com os próprios olhos.

A quem devo minha adoração se não aquele que tem poder sobre mim tanto nesta vida como na próxima? A onde busco o perdão dos meus pecados se não naquele que tem poder tanto para perdoar como condenar?

Em pleno século 21, por que sou cristão? Porque ele vive. De eternidade a eternidade ele vive. E seu reino nunca terá fim.

Perante o Cristo ressurrecto, a pergunta é outra: como não ser seu discípulo?

A quem iremos nós se só ele tem as palavras da vida?

Heróis de Barro

Resumindo:

Adão pecou feio.
Noé pecou feio.
Abraão pecou feio.
Isaque pecou feio.
Moises pecou feio.
Josué pecou feio.
Sansão pecou feio.
Davi pecou feio.
Salomão pecou feio.
Jonas pecou feio.
Os profetas, os juízes e os sacerdotes também pecaram.
Paulo pecou, Pedro pecou, os discípulos pecaram. E as igrejas que eles ajudaram a plantar também pecaram.

As próximas gerações de cristãos também pecaram. Logo no 1° século, e depois no 2°, 3°, 4°, sim no século 16 também.

Só Jesus Cristo não pecou, mas tomou sobre si a feiura do nosso pecado.

MISSÃO IMPOSSÍVEL

E cá estamos no século 21 e ainda insistimos em cometer “idolatria santa” ao procurar algum herói da fé que possa ser o representante perfeito da doutrina, vida, ética e fé cristão.

Meu irmão, nenhuma cópia será mais santa do que o Original. Cristo chama todos os cristãos ao arrependimento. E por isso até nossos heróis da fé foram homens que confessavam sua necessidade de um Salvador. Caso fosse ao contrário, não precisariam de um Salvador.

IMPLICAÇÕES

1. Se vamos gloriar em alguma coisa, que seja no fato que Cristo teve misericórdia de nós – e hoje, neste instante, Ele nos ama com amor eterno.

2. Se seu autor favorito ou sua panelinha teológica te incentiva a tratar com desdém aqueles que não alcançaram “seu nível” de conhecimento, humildade, santidade ou dedicação – meu irmão, você precisa procurar outros livros e outros amigos.

3. O entendimento de um cristão deve crescer em formato de um círculo: ele começa confessando “Nada sei – preciso aprender” e após um tempo de aprendizagem termina no mesmo ponto!

4. Não devemos nos cansar na luta contra o pecado. Pois – se Deus ajudou os cristãos dos séculos passados – porque não nos ajudará?

5. Deus usa vasos de barro justamente porque o vaso é o que menos importa. Ele criou luz do nada, sem usar vaso qualquer. Se ele quis usar você, ou algum outro cristão, para expandir Seu reino, Ele fez isto para que Sua gloria resplandecesse. Vaso de barro não tem gloria. So tem barro.

6. Seja encorajado com o exemplo dos nossos pais na fé. Não te desanime se você descobrir seus muitos pecados. Antes, esteja disposto a se maravilhar que o Deus Trino quis manifestar um pouco da sua graça, verdade e amor a igreja através desses “heróis de barro”.

A Espera Daquela Pessoa Certa

Você está certo em esperar. O único problema é que existem muitas mais pessoas certas do que você imagina.

Porque moramos na cidade em que moramos? Ou trabalhamos no emprego em que trabalhamos? Ou congregamos na igreja em que congregamos? Ou compramos no supermercado em que compramos? É porque uma voz divina disse “Faça tal e serás abençoado“? Não. Tomamos mil decisões por semana porque temos liberdade para fazer tal. Deus nos conceda oportunidade + sabedoria, e nós confiamos os resultados às suas Mãos.

Quando se trata de casamento, Deus nos passa certos princípios — e dentro dessas características temos liberdade de escolha. Não podemos, por exemplo, casar com uma arvore e esperar que Deus abençoe o relacionamento. A Palavra de Deus é bem clara quanto ao tipo de pessoa que será um bom cônjuge. Mas nenhum versículo vai descrever a altura, cor dos olhos, idade, etc do seu futuro cônjuge.

Caso contrário, dos bilhões de pessoas existentes, haveria somente 1 pessoa com quem um relacionamento saudável seria possível. E sua missão dolorosa seria adivinhar quem é aquele único ser celestial que Deus escondeu no meio de milhões de seres imperfeitos. Que pressão terrível! Sob risco de passar seus dias rangendo seus dentes caso case com uma pessoa piedosa que Deus não havia separada para você!

“Ô angustia! Era para ter casado com a meiga Amnesia, mas casei com sua irmã Lucia, que é um amor de pessoa. Mas agora Deus não vai me abençoar NUNCA. Puxa — errei por tão pouco! Acertei o sobrenome, mas errei o primeiro nome.”

Talvez seja por isso que tantos jovens estão a procura de relacionamentos que não dão trabalho ou não dão DR. Assim como nos filmes, um relacionamento perfeito seria um sinal vindo do além que o casamento tem um “selo divino de aprovação” e que nenhuma dificuldade virão ao seu encontro.

Talvez nossos jovens esquecem que:

  1. Um relacionamento saudável é fruto da graça de Deus sendo derramada sobre a vida de dois pecadores. O relacionamento vai dar trabalho. Haverá dificuldades. Haverá frustrações. Se não fosse assim, não haveria a necessidade do derramamento da graça.
  2. Se você conhece uma pessoa cristã, que aparenta ser um servo fiel, saiba que você tem liberdade tanto para casar ou não casar com ela. Faça uso de tudo que Deus te deu: sabedoria, amizades, conselhos, reflexão, estudos bíblicos. Mas saiba que no final a escolha é sua. Assim como as milhares de escolhas que você ainda fará na vida. Procure fazer uma escolha sábia. Mas, por favor, não vai culpar Deus depois por suas escolhas.
  3. Independente da sua escolha, Deus continuará sendo fiel a Sua Palavra e aos seus filhos. Essa é uma das grandes promessas que Ele nos tem dado. Solteiro ou casado, rico ou pobre, na saúde ou na doença — Deus é fiel. E sempre será.

“Estou Perdendo a Minha Fé”

Pergunte a qualquer jovem sobre os estudos em pauta no seu grupo de jovens e penso que muitos dirão as mesmas coisas: namoro, relacionamentos, sexo, amizades, etc.

São bons assuntos – e merecem ser estudados. Que Deus abençoe os líderes que preparam esses estudos.

Mas confesso que não foram esses os temas com quais lutei durante minha ‘fase jovem’.

Parecia que os líderes de jovens só queriam falar sobre relacionamentos mas essa não era a questão que me angustiava.

A pergunta que me angustiava era: “Será que o Deus do Cristianismo existe mesmo? Se ele não existe – do que adianta todas essas regras e exigências?

No fundo, no fundo eu queria saber “Porque estou aqui mesmo?

Mas o grupo de jovens não era o lugar para fazer perguntas – era um lugar para cantar, orar e ouvir (provavelmente) mais um estudo sobre relacionamentos.

Foi só mais tarde, no seminário, que entendi que ter dúvidas não é pecado, e buscar respostas não é falta de fé. Descobri a alegria de cavar mais fundo. Compreendi que o processo de crescimento e maturidade exige que entendamos a fé cristã por conta própria – e não somente porque nossos país ou heróis criam assim.

Compartilho isso por 4 motivos:

1). Nossos jovens estão cercados por pessoas que questionam sua fé, seja no YouTube, no Netflix ou nas letras das músicas mais tocadas do Spotify. O mundo está perguntando, “Estamos no século 21, e você AINDA acredita nessa história do coelho de páscoa e um Deus Criador? Porque??” Temo que muitos dos nosso jovens não sabem o que fazer com uma pergunta dessas.

2). Nossos jovens querem profundidade. Querem a verdade. Eles sabem que a vida não se resume em zueira, panelinhas e passeios no final de semana. O jovem respeita quem tem a coragem de ser autêntico, de falar com convicção e amor, de tocar naqueles assuntos (morte, culpa, solidão, dúvida) que o mundo finge não ver.

3). Em cada grupo de jovens há aqueles que, por fora são sorridentes e brincalhões, enquanto por dentro estão desesperados. “Socorro! Estou perdendo a minha fé!” Conhecem tudo a respeito da vida cristão mas temem que Deus está distante, ou que Jesus Cristo não os ama ou que os argumentos ateístas estão fazendo mais sentido a cada dia que passa. E estão desesperados para encontrar a verdade que liberta. Talvez não sabem que os próprios discípulos de Cristo também passaram por momentos de dúvida cruel e sentimentos de solidão. Talvez estão tentando ser super crentes com respostas para todas as crises da vida.

4). Todas as idades precisam ouvir de Cristo. E os jovens não são exceção. Eles precisam ouvir – repetidamente – sobre o arrependimento, a graça, a morte e ressurreição de Jesus Cristo, e o amor de Deus. Cristo é de suma-importância.

Um Mórmon, um Testemunha de Jeová, e um Judeu entraram num culto evangélico

…e saíram concordando com o que foi pregado. Como isso foi possível?

Foi possível porque aconteceu naquele culto o que acontece todo domingo em milhares de igrejas ao redor do Brasil: o pregador trouxe um sermão sobre assuntos bíblicos – mas não anunciou o Evangelho. Foi falado a respeito da santidade, da oração, da perseverança. Mas é o Evangelho que quebranta o coração.

Veja só: A maioria das seitas ou religiões vão enfatizar um tipo de santidade. Praticamente todas vão condenar o pecado de alguma forma. Logo, se sua pregação se resume em falar mal do pecado e/ou falar bem de uma vida santa – SEM falar da divindade e morte e ressureição de Cristo – saiba que qualquer Mórmon, Testemunha de Jeová ou Budista concordaria com suas palavras. Todos eles concordam que Jesus foi um grande homem e deve ser imitado.

Mas a missão da Igreja é única: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho.” De todas as religiões do mundo, somente o Cristianismo anuncia as Boas Novas do Evangelho.

E elas não são complicadas: Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus, tomou forma de homem, viveu a perfeita obediência, e morreu na cruz castigado pelos nossos pecados. Mas não permaneceu morto – ressuscitou ao 3° dia, vitorioso sobre a morte e provando que, sendo Deus, tem poder para perdoar os pecados e dar vida eterna a todos que se arrependem dos seus pecados e creem nele.

É esta a mensagem que as seitas não aceitam. Seja a divindade de Cristo, a suficiência da cruz, ou a salvação pela graça – em algum momento o orgulho humano se sente ferido pelo Evangelho.

É claro que a igreja tem muito a ensinar sobre outros tópicos: a vida familiar, a pureza sexual, como ser bons mordomos de tudo que o Criador confiou a nós, etc. Porém, qualquer assunto abordado nas Escrituras é ligado, de uma forma ou outra, às Boas Novas do Evangelho.

PRINCÍPIOS BÍBLICOS NÃO BASTAM?

Infelizmente, o que tem acontecido é confundir a pregação do Evangelho com o ensino de princípios bíblicos.

Estudos sobre dizimo, batismo ou namoro são necessários e importantes. Nós cristãos precisamos de ensino que abranja todos os assuntos abordados pelas Escrituras. Paulo escreveu a Timoteo que toda a Escritura é proveitosa para ensinar. Isso é fato.

Mas entenda: falar sobre algum assunto que se encontre na Bíblia não é necessariamente pregar o Evangelho.

Por exemplo: imagine se o apostolo Paulo tivesse escrito somente a frase “Maridos, amai vossas mulheres” e não “Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja” e nem ainda os primeiros dois capítulos de Efésios que provam o quanto Jesus amou sua igreja. O princípio ainda estaria valendo? Sim. Mas a maioria das religiões e seitas do mundo vão afirmar que o marido deve amar sua esposa de alguma forma ou outra. O que diferencia então a vida “cristã” das demais? Sem o Evangelho, uma exortação a uma vida santa se torna mero moralismo.

Por isso, nas Escrituras, toda exortação à santidade se encontra saturada pelo Evangelho. Nossa chamada à obediência sempre tem uma ligação direta à obediência perfeita do Deus-homem que deu a Sua vida para que as nossas desobediências fossem perdoadas. É inaceitável falar de uma obediência sem considerar a outra. Vivemos de forma diferente justamente porque a obra de Cristo na cruz fez uma transformação nas nossas vidas.

UM CLAMOR PELO EVANGELHO

Quantas vezes tratamos o Evangelho como sendo aquilo que o ímpio precisa ouvir — mas não o cristão! Que arrogância! Como se a morte e ressureição do Filho de Deus tivesse pouco a oferecer àquele que já está remido.

Pastor / Líder de Jovens / Líder de Pequeno Grupo / Pregadores: mostra-nos Cristo! Fale do Evangelho. Fale das implicações do Evangelho também e nos exorte a uma vida de obediência – mas não perca vista do Evangelho em si. Não desça do púlpito sem lembrar o povo de Deus que Jesus Cristo é o foco, fundamento e eterna fonte da sua fé.

Pelo amor de Deus – pregue o Evangelho!

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photo credit: SupportPDX Willamette Christian Church 1810 via photopin (license)

Aonde está Deus quando Sofro?

Recentemente, li a respeito de um casal cristão que viveu uma série de dificuldades dolorosas. Após uma gravidez perturbada, perderam seu filho com 80 minutos de vida. Engravidaram novamente, e a filha foi diagnosticada com uma rara condição do rim. Por um milagre, nasceu com saúde. Alguns anos mais tarde, a família sofre um acidente de carro e a filha tão amada vem a falecer. Seus amigos sugerem que foram ‘amaldiçoados’.

Aonde está Deus nesta cena trágica? Se Deus é bom, porque o mal está ao nosso redor?

O apologeta Alex McFarland lista 5 crenças populares acerca de Deus perante a existência do mal:

  1. Ateísmo: Não há Deus.
  2. Dualismo: Deus e o mal são dois lados da mesma moeda – yin e yang.
  3. Ilusão: O mal é apenas ‘maya’ (mera ilusão). Nada é bom ou mal. Tudo simplesmente é.
  4. Divindade finita: o deus que existe é limitado no seu poder ou caráter. Talvez ele deseje acabar com o mal, mas não consegue. Ou, talvez ele não é 100% bondoso.
  5. Monoteísmo Trinitariano: Deus existe e Ele é totalmente bom, sábio e todo-poderoso. Ainda que o mal esteja presente agora, um dia nosso universo estará livre dele. Através da morte e ressureição do seu Filho, Deus demonstrou ao mundo que a vitória é certa.

Sobre a existência do sofrimento, Tim Keller comenta: “Não posso afirmar o porquê que Deus permite o mal no mundo. Mas posso afirmar que não é por falta de amor.” Ou seja: ainda que não entendamos o sofrimento, podemos experimenta-lo com uma dúvida a menos. Nosso sofrimento não é sinal que Deus nos ama menos. Muito pelo contrário: Deus nos ama com tamanho amor que tomou a forma de homem, nasceu na pobreza, morreu na angústia, e assim participou da nossa realidade. Nenhuma outra fé oferece esse consolo.

Algumas crenças afirmam que o sofrimento não tem sentido. Outras entendem que o sofrimento é meramente um meio para um fim (paraíso). Já outras entendem que o sofrimento é aquilo que dá propósito à vida e portanto deve ser buscado. Mas o Cristianismo, mesmo reconhecendo que o sofrimento existe e que tem um propósito, rejeita a noção que o sofrimento é um fim em si mesmo. Por traz do sofrimento, por traz da cruz, por traz da morte existe um Deus glorioso que orquestra tudo para um fim vitorioso e belo.

Keller comenta que seus heróis, Lewis e Tolkien, sugerem que o pano de fundo do “mal” fará com que a vitória final se apareça ainda mais gloriosa. Como ilustração, Keller conta um pesadelo que teve no qual toda sua familia fora morta. Acordou apavorado mas logo sentiu um profundo alívio ao ver sua família bem. Ele já amava sua família. Mas agora apreciou sua família de forma especial.

Aonde está Deus quando sofro? Aqui ao meu lado. Na vale da sombra da morte. Aqui no pesadelo. E também nos espera do lado ‘de lá’. Um dia, todo o pavor deste mundo se desfará. Veremos nosso Salvador com outros olhos e sentiremos a mais profunda gratidão.

A Trindade Esquecida

No seu livro “A Trindade Esquecida”, o Dr. James R. White ilustra as três verdades essenciais da doutrina da Trindade. Cremos em um só Deus (monoteísmo), composto por três pessoas (o Pai, o Filho e o Espírito Santo), iguais em poder e eternidade.

O modelo também aponta os erros que aparecem se negamos uma destas verdades. Se abrimos mão, por exemplo, do monoteísmo, creremos em três deuses de igual poder (politeísmo). Se abrimos mão da igualdade das três pessoas, creremos que o Pai é ‘mais Deus’ do que o Filho, e o Espírito Santo menos divino do que ambos, assim como defende o subordinacionismo. Por fim, se abrimos mão das três pessoas da trindade, e cremos somente em um deus monopessoal, caimos na heresia do modalismo, que defende que Deus se expressa as vezes como Pai, as vezes como Filho, e as vezes como o Espírito Santo, como se fossem máscaras usadas pelo ser divino em determinados momentos.

‘Nenhum credo, só a Bíblia!’

1. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é defender uma crença, e logo, defender um “credo” (palavra em latim que significa ‘creio’).

2. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia” é ignorar que o próprio texto bíblico contém credos, ou confissões de fé. (Exemplos: 1Cor 15.3-5, 1Cor 8.6, 1Tm 2.5-7)

3. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é sugerir que todos interpretam o texto bíblico da mesma forma que você o interpreta. De fato, se todos compartilharem da mesma interpretação, não é necessário listar, de forma sucinta e clara, quais são os fundamentos da fé cristã.

4. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é sugerir que futuras gerações não serão beneficiados com os esforços da atual geração em deixar seus estudos e definições por escrito.

5. Afirmar “Nenhum credo, só a Bíblia!” é sugerir que o único papel do credo é tomar o lugar das Escrituras. Mas, seguindo esse raciocínio, a própria afirmação “Nenhum credo, só a Bíblia” seria uma tentativa de subverter a autoridade das Escrituras.