A Espera Daquela Pessoa Certa

Você está certo em esperar. O único problema é que existem muitas mais pessoas certas do que você imagina.

Porque moramos na cidade em que moramos? Ou trabalhamos no emprego em que trabalhamos? Ou congregamos na igreja em que congregamos? Ou compramos no supermercado em que compramos? É porque uma voz divina disse “Faça tal e serás abençoado“? Não. Tomamos mil decisões por semana porque temos liberdade para fazer tal. Deus nos conceda oportunidade + sabedoria, e nós confiamos os resultados às suas Mãos.

Quando se trata de casamento, Deus nos passa certos princípios — e dentro dessas características temos liberdade de escolha. Não podemos, por exemplo, casar com uma arvore e esperar que Deus abençoe o relacionamento. A Palavra de Deus é bem clara quanto ao tipo de pessoa que será um bom cônjuge. Mas nenhum versículo vai descrever a altura, cor dos olhos, idade, etc do seu futuro cônjuge.

Caso contrário, dos bilhões de pessoas existentes, haveria somente 1 pessoa com quem um relacionamento saudável seria possível. E sua missão dolorosa seria adivinhar quem é aquele único ser celestial que Deus escondeu no meio de milhões de seres imperfeitos. Que pressão terrível! Sob risco de passar seus dias rangendo seus dentes caso case com uma pessoa piedosa que Deus não havia separada para você!

“Ô angustia! Era para ter casado com a meiga Amnesia, mas casei com sua irmã Lucia, que é um amor de pessoa. Mas agora Deus não vai me abençoar NUNCA. Puxa — errei por tão pouco! Acertei o sobrenome, mas errei o primeiro nome.”

Talvez seja por isso que tantos jovens estão a procura de relacionamentos que não dão trabalho ou não dão DR. Assim como nos filmes, um relacionamento perfeito seria um sinal vindo do além que o casamento tem um “selo divino de aprovação” e que nenhuma dificuldade virão ao seu encontro.

Talvez nossos jovens esquecem que:

  1. Um relacionamento saudável é fruto da graça de Deus sendo derramada sobre a vida de dois pecadores. O relacionamento vai dar trabalho. Haverá dificuldades. Haverá frustrações. Se não fosse assim, não haveria a necessidade do derramamento da graça.
  2. Se você conhece uma pessoa cristã, que aparenta ser um servo fiel, saiba que você tem liberdade tanto para casar ou não casar com ela. Faça uso de tudo que Deus te deu: sabedoria, amizades, conselhos, reflexão, estudos bíblicos. Mas saiba que no final a escolha é sua. Assim como as milhares de escolhas que você ainda fará na vida. Procure fazer uma escolha sábia. Mas, por favor, não vai culpar Deus depois por suas escolhas.
  3. Independente da sua escolha, Deus continuará sendo fiel a Sua Palavra e aos seus filhos. Essa é uma das grandes promessas que Ele nos tem dado. Solteiro ou casado, rico ou pobre, na saúde ou na doença — Deus é fiel. E sempre será.

Intimidade no Namoro

Nunca se viu tantos livros publicados sobre o namoro. E ainda assim, o sexo fora do casamento persiste como sendo um dos grandes causadores de confusão, frustração e isolamento nos namoros entre cristãos.

Alguns fatores complicam a questão. Para muitos, a vontade sexual em si é tida como algo imundo, dando a impressão que o ideal é buscar um relacionamento platônico, fingindo que não há desejos sexuais ou que estes podem ser facilmente afogados com um minuto de oração ou leitura devocional.

Há também exageros dentro da igreja, tanto no excesso de silêncio ou de condenação. Mas o resultado é o mesmo: medrosos, os namorados não se abrem para com seu pastor ou irmãos mais maduros. E assim cresce aquele doloroso conflito nos seus corações: “Sei que não consigo vencer essa tentação sozinho, mas serei apedrejado se eu abrir a boca.” E o namoro prossegue, sobrecarregado com sentimentos de culpa e falsidade.

Claro, o culpado da história não são os desejos em si, e sim a expressão inadequada daqueles desejos.

Um princípio que talvez seja de ajuda aos nossos jovens é o seguinte: foi Deus quem inventou a progressão natural da intimidade, e não Satanás. Ou seja, como o gráfico ilustra, é normal o desejo de intimidade aumentar de acordo com o tempo e aproximação investidos.

intimidade-namoro-grafico

E, da mesma forma, e aqui está a chave da questão, é absolutamente ANORMAL que a intimidade se diminua enquanto a aproximação e o tempo estiverem crescentes.

Sendo assim, reconheçamos então que há somente três maneiras para evitar que a intimidade inadequada venha sobrecarregar o casal:

  1. Ou se encerra a aproximação;
  2. Ou se encerra o tempo;
  3. Ou se procure o casamento, aonde a aproximação e tempo podem ser satisfatoriamente investidos.

Claro, nenhum casal optará pelas primeiras duas opções. E, assim, a única opção lógica, bíblica e segura é a 3ª.

O que acontece é que se tem inventado uma 4ª opção, a qual sugere que um casal de namorados poderá estender a aproximação do namoro e ao mesmo tempo negar todo e qualquer sinal de intimidade emocional, física ou sexual, se estiverem ‘dedicados suficientemente ao Senhor’. Como se fosse possível – graças a uma boa dose de santidade! – alimentar um fogo sem aumentar seu calor.

A ideia é absurda mas tem gerado crises espirituais em muitos jovens que, almejando a pureza, buscam ser “super cristãos” o suficiente para aniquilarem a matemática relacional que o próprio Deus formulou. Imagine tamanha nuvem de decepção que pesa sobre suas cabeças.

A solução? Abra o jogo e ofereça expectativas reais. Um “namoro de Deus” é justamente aquele que reconhece que namoro não é o ideal que Deus projetou. Namoro sempre deixará a desejar. Por mais romântico e colorido que seja, é péssimo a longo prazo. Não se encante com ele.

Deseja curtir uma boa companhia por anos a fio? Isso se chama casamento.