Não, Teu Cachorro Não é Teu Filho

Já tive um cachorro. Seu nome era Bozo. Hoje, tenho dois filhos pequenos, mas entendo que há algumas leves semelhanças: a energia exagerada, a disposição de fazer xixi em qualquer canto, e a vontade estranha de morder certas pessoas.
 
Mas nem por isso entendo essa moda de acreditar que os animais de estimação são, de fato, filhos.
 
Recentemente, um estudo feito na Inglaterra apontou que, de cada 10 casais, 3 preferem ter um “fur-kid” (criança peluda) ao invés de ter filhos genuínos.
 
Entenda: não são casais que não podem ter filhos. Ou estão esperando ter filhos. Ou que, por motivos pessoais, escolheram não ter filhos. Não. São casais que tomaram a decisão de terem animais ao invés de terem filhos.
 
Uma jornalista explicou sua preferência da seguinte maneira: “Mesmo com só oito semanas, meu bichinho Tilly ficava feliz trancado na cozinha, sozinho, com um brinquedo por algumas horas. Jamais poderia fazer isso com uma criança da mesma idade.”
 
Pois é. Imagina a surpresa dela quando descobrir que uma pedra de estimação exige ainda menos atenção.
 
O ponto é que vivemos em uma sociedade que quer redefinir os termos e ao mesmo tempo manter os privilégios. O conceito de “família”, “pai”, “mãe” e “casal” vem sendo redefinidos a um bom tempo.
 
Mas com essa troca de valores, perdeu-se uma verdade importante: um filho pode crescer e se empenhar em prol de uma sociedade mais justa. Um filho pode apontar aonde a nossa geração falhou e como consertar os erros. Um filho pode fazer a escolha de amar, abraçar e cuidar, não como mera reação animal, e sim com intencionalidade.
 
São coisas que um gato não pode fazer. Um animal pode apontar a criatividade do Criador; mas somente um filho aponta a sua glória.
 
Um filho é alma. É eterno. É um ser que pode conhecer a misericórdia e bondade do Deus que se revela como o Pai que ama seus filhos.
 
Em uma sociedade aonde não há mais lugar para Deus, a eternidade ou o conceito bíblico de amor, faz sentido preferir poodles a almas viventes. Querem o privilégio de cuidar, alimentar e demonstrar carinho. Mas sem a responsabilidade de lidar com um coraçãozinho que busca por seu Criador.
 
Resumindo: Temos cachorros e gatos para nossa própria alegria. Temos filhos para compartilhar a alegria de Deus.

Afinal, o que é Mundanismo?

Existem muitas coisas que caracterizam a vida cristã, mas viver sobrecarregado pela culpa não devia ser uma delas. Entretanto, muitos cristãos, por causa de definições equivocadas, vão impor a si mesmo um terrível fardo de culpa.
 
Um exemplo disso é o termo “Mundanismo”. Todo cristão já ouviu essa palavra centenas de vezes. Todos sabem que o cristão deve evitar o “mundanismo”. Mas o que ele é de fato? Refere-se ao mundo, claro. Mas em que sentido?
 
Considere, por exemplo, essas três definições populares do “mundanismo” e veja como são impossíveis de aplicar de forma coerente:
 
1. MUNDANISMO É TUDO AQUILO QUE O MUNDO CURTE. Geralmente se usa essa definição para proibir qualquer moda do momento. O cristão não pode aplaudir aquilo que o mundo aplaude. Mas veja bem: o mundo curte um lindo por-do-sol. E também um copo de água gelada em um dia quente. Como também ter filhos obedientes e um carro que não necessita de assistência mecânica. Seria pecado para o cristão também apreciar estas coisas?
 
2. MUNDANISMO É TUDO AQUILO QUE NÃO É FEITO POR PESSOAS CRISTÃOS, OU POR PROPÓSITOS CRISTÃOS. Essa definição é aplicada especialmente as artes. Uma música é boa se for tocada por uma banda Gospel. Mas qualquer outra banda seria mundana. Um livro de fantasia é bom se escrito por C. S. Lewis, mas deve ser rejeitado se o autor for incrédulo. Mas é impossível implementar este principio no dia-a-dia. Quando abasteço meu carro, não procuro saber se a gasolina foi produzida por cristãos. As compras na feira provavelmente não foram plantadas em uma fazenda de cristão. Meu cartão de crédito não foi inventando por um cristão visando a expansão do reino de Deus.
 
3. MUNDANISMO É TUDO AQUILO QUE PODERIA SER USADA PARA PROPÓSITOS MALIGNOS. Perceba que o foco está no “potencial”. Logo, se alguém em algum lugar do mundo consegue usar um ritmo de música para fins impios, o ritmo como um todo é rotulado como “mundano”. Recordo a opinião de um irmão sincero que dizia que o piano – por ter sido usado para tocar músicas leves nos “saloons” do velho oeste (estabelecimentos de prostituição) – não devia ser usado nas igrejas batistas. Mas persiste a dificuldade de ser coerente. Pois a depravação humana tinge todo aspecto da nossa realidade, e portanto tudo tem o ‘potencial’ de ser usado para fins impróprios – seja hospitais, a internet, ou cultos religiosos.
 
O X DA QUESTÃO
 
Essas três definições acima tem algo em comum: nas três o mundanismo é algo EXTERNO do homem. Ou seja: o mundanismo se refere a um lugar, um ato, um estilo ou preferencia, e o cristão que deseja rejeitar o mundanismo, tem somente de evitar esses lugares, usos ou hábitos.
 
Parece uma solução fácil. Mas perceba a frustração do cristão que, bem intencionado e com vontade de obedecer a Palavra de Deus, ao tentar ser 100% diferente do mundo, sempre descobre alguma semelhança com ele. E assim brota a culpa – não necessariamente por convicção do Espirito Santo, mas por se abraçar uma expectativa irreal e inatingível.
 
A solução, para muitos, é afogar sua culpa com uma postura ainda mais rígida. Caso vivessem em outra época, optariam pela vida monástica, isolando-se de qualquer contexto ‘mundano’.
 
UM MUNDO DENTRO DE MIM
 
Nas Escrituras, graciosamente, essa questão é bem mais simples. Em 1Jo 2.15-17 encontramos uma definição bíblica. O mundanismo, em última analise, não se refere as coisas externas. Antes, é interno, nascendo no nosso próprio coração, e sendo alimentado pelos desejo da carne, dos olhos e o orgulho. Mundanismo é idolatria. É o estado do mundo caído que não consegue dobrar seu joelho e submeter-se ao Senhorio de Jesus Cristo. É amar e adorar as coisas terrenas como se fossem deus. É imaginar que nossa própria glória eventualmente satisfará todos os ensejos da alma.
 
É nesse sentido que somos NO mundo, mas não DO mundo. Não servimos o deus deste mundo. Não obedecemos mais aos “princípios elementares deste mundo” (Col 2.8, NVI). Através desta lente também entendemos como aqueles que “desejam ser amigos do mundo, tornam-se inimigos de Deus” (Ti 4.4).
 
Uma definição bíblica e clara faz toda a diferença. Destaco, por exemplo, duas implicações:
 
Primeiro, perceba como o mundanismo é muito mais próximo a nós do que imaginamos. Posso estar cantando no coral, pregando de algum púlpito, cuidando dos órfãos e viúvas – e mesmo assim sendo ‘mundano’ se pratico essas obras visando minha própria glória. Não é porque você se dedicou a uma vida ministerial, por exemplo, que o mundanismo fico distante da sua realidade.
 
Em segundo lugar, perceba o alcance da liberdade que Deus nos concede. Se somos uma nova criatura em Jesus Cristo, tudo de fato se fez novo! E isso incluí a maneira como enxergamos o mundo ao nosso redor. Aquele que usava seus dons para glorificar a si mesmo pode agora usa-los (e não abandona-los!) para expressar sua gratidão e adoração ao seu Deus. Aquele que antes admirava um pôr-do-sol ou um estilo musical deve agora admira-lo com ainda mais afinco, pois conhece o Deus Criador por trás disso tudo.
 
AO VIVO E EM CORES
 
Não se assuste: há muito em comum entre o cristão e a pessoa ‘do mundo’. Ambos levantem cedo para irem trabalhar em busca do sustento. Ambos tomam café com suas famílias. Ambos dão um beijo nos seus filhos antes de encarar o transito infernal das suas cidades. Ambos se cansam no escritório, tentando alcançar metas e entregar projetos. No final do dia, ambos vão assistir Netflix até tarde para no próximo dia fazer tudo de novo. Neste sentido, o cristão é “mundano”. Ele está NO mundo. Ele lida com O mundo. Ele não flutua acima das realidades mundanos. Ele vive seu dia-a-dia aqui, na planeta terra, em alguma cidade das milhões que existem no mundo.
 
Mas existe uma diferença gigantesca entre eles: o cristão foi chamado a não amar o mundo. Ou seja: sua esperança não vem deste mundo. Sua salvação não vem deste mundo. Sua recompensa não vem deste mundo. O melhor ainda está por vir. Ele não é travado a enxergar somente a realidade deste mundo. Ele enxerga também a Mão do seu Deus glorioso, bondoso, misericordioso a mexer no palco que chamamos “mundo”.
 
Seu amor não é daqui. A glória que ele deseja não é daqui. A justiça que ele enseja não é daqui. Sendo ressuscitado com Cristo, o discípulo pensa nas coisas de cima. Sua motivação é de lá. Sua liberdade e animo também.
 
O cristão foi transformado de dentro pra fora. O mundanismo não lhe satisfaz mais, porque o vazio não pode matar nossa sede por vida eterna. Achamos o Cristo, a fonte da vida – e agora desejamos um novo mundo. Dito de outra forma, desejamos um “outro mundanismo” – aquele que é norteado pela glória de Deus, sujeita a Palavra de Deus, e que celebra ser criação do Deus todo-poderoso.

É melhor morar numa terra deserta

“É melhor morar numa terra deserta do que com uma mulher briguenta e impaciente.” (Provérbios 21.19)
A reflexão do Sábio vai direto a nossa imaginação. Podemos enxergar, como se fosse um efeito 3D, o contraste nítido entre os dois cenários.
 
Está vendo essa terra distante, isolada, e resecada?” pergunta o Sábio, “Então, é melhor gastar tua vida em uma terra assim do que em um relacionamento assim!
 
Uma família sábia produzirá bons frutos, independente do seu contexto. A gente consegue, com tempo, superar o vento quente e a terra dura. Mas o mesmo não pode ser dito do casal que alimenta atitudes rixosas e briguentas. Eles trazem o deserto para dentro da casa. Há pouco fruto, pouco legado, pouca sombra no calor do dia.
 
Estaria o Sábio dizendo que não há esperança para aquele(a) que tem um cônjuge bringuento? Claro que não. Assim como a chuva no deserto, é Deus quem derrama graça sobre os relacionamentos. Toda boa dádiva vem do alto. Ele vai trabalhar a terra, e a colheita será para sua glória somente.
 
Mas para nós — os cônjuges impacientes e mimizentos — fica a dica do Sábio: uma terra deserta é mais produtiva do que a nossa frustração continua.
 
Procure a graça divina. Jesus faz brotar água da rocha. Ele é a fonte da água viva. Portanto, Ele pode vivificar teu ‘coração deserto’ também.

Para a Glória de Jesus Cristo | Um sermão em João 17.1-6

INTRODUÇÃO

Contexto da passagem: A hora da morte e ressurreição de Jesus Cristo está próxima. Isso está claro: “Chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado” (Jo 12.23), “Jesus sabia que havia chegado sua hora de deixar este mundo e voltar para o Pai” (Jo 13.1), “Jesus disse: Chegou  hora de o Filho do Homem ser glorificado e, por causa dele, Deus será glorificado” (Jo 13.31). Para essa hora Jesus Cristo, Deus todo-poderoso, havia nascido e crescido entre os homens. É uma hora de dor, de solidão, de angustia – mas de muita glória.

Agora minha alma está angustiada. Acaso devo orar: Pai, salva-me desta hora? Mas foi exatamente por esse motivo que eu vim! Pai, glorifica teu nome! Então uma voz falou do céu: “Eu já glorifiquei meu nome, e o farei novamente em breve”. (João 12.27,28)

Em João 17, encontramos palavras preciosas. São palavras do Senhor Jesus Cristo. É verdade que em todo o Novo Testamento podemos ler as palavras de Jesus, quando ele ensina seus discípulos ou ministra aos multidões.

Mas em João 17, Jesus Cristo não está falando com seus seguidores; ele fala diretamente com seu Pai. É um momento intimo da Trindade. Nós, os ouvintes, assistimos de longe, por assim dizer.

Toda a Escritura é ouro, comenta o pastor batista Charles Spurgeon, mas este capítulo é como se fosse uma pérola especial no meio do ouro. Ou, se todas as Escrituras fossem o mais belo céu, este capítulo é o sol e estrelas. Estudaremos os primeiros 5 versículos desta oração.

TEXTO

1 Depois de falar essas coisas, Jesus levantou os olhos ao céu e disse: Pai, chegou a hora. Glorifica teu Filho, para que também o Filho te glorifique,
2 assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade,* para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.
3 E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste.
4 Eu te glorifiquei na terra, completando a obra da qual me encarregaste.
5 Agora, pois, glorifica-me, ó Pai, junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. João 17.1-5 (Almeida Século 21)

EXPOSIÇÃO

A dupla de artistas britânicos, Tim Noble e Sue Webster, criaram obras impressionantes, chamadas de “Esculturas de Sombra”. A primeira vista, as obras parecem consistir somente em sucata empilhada. Mas ao jogar uma forte luz naquela bagunça, aparecem belas sombras na parede: retratos detalhados, cidades com seus arranha-céu, pessoas sentadas ou andando. As sombras parecem tão reais que nunca se imaginaria que foram criadas empilhando recicláveis, ferramentas quebradas, pedaços de entulho – e até um gato morto. Se focasse nos objetos individuais, nunca se entenderia a obra inteira. É preciso que uma luz seja jogada na obra como um todo para entender o lindo propósito daquela.

As palavras de Jesus Cristo no inicio desta oração são uma forte luz que ilumina toda a criação. A palavra que se repita é “glória”. “Glorifica teu Filho, para que também o Filho te glorifique...” E através dessa lente, enxergamos o grande propósito da vinda, da morte, e da ressurreição de Jesus Cristo: glória.

Perceba como Jesus, nesta oração intercessora, se refere muitas vezes aos seus discípulos. Ele ora pela sua proteção (v. 11), sua união (v.21) sua consagração (v.17), e seu entendimento (v.24). Mas a primeira coisa que Jesus menciona nesta oração não se refere aos seus seguidores – e sim, a sua glória.

Jesus Cristo pede para ser glorificado. No caminho que leva a cruz, a rejeição e a morte, Jesus Cristo pede para ser glorificado. Nenhum homem ousa pedir isto. Deus não divide a sua glória com outrem. Mas Jesus Cristo é Deus, e pode tomar glória para si, sendo digno de toda a glória, e honra e poder, para todo sempre. Todo segundo desde a criação do mundo tem existido para a glória de Deus, e essa hora não será diferente. A santa Trindade será glorificada nessa hora.

Podemos perguntar, “O que é glória?” O pastor batista John Piper comenta que é muito mais fácil descrever um objeto do que descrever “glória”. Se alguém nunca tenha vista uma bola de basquete, por exemplo, podemos usar nossas mãos para demonstrar o tamanho aproximado, e ainda descrever seu peso e sua cor. Mas imagina que alguém que nunca tenha ouvido falar de glória pedisse que você defina o que ela é. O que você diria? Não é uma pergunta fácil.

Em Isaías 6.3, na visão que o profeta Isaías teve dos céus, os serafinas cantam ao perante o Trono:

Diziam em alta voz uns aos outros, “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia de sua glória!”

Deus é tão santo que toda a terra está cheia de …. santidade? Não. Está cheia de sua glória. Porque a glória de Deus é a beleza da sua Santidade. Sua pureza é tão resplandescente que não pode ser ignorada. A glória de Deus leva homens a caírem como mortos. Perante a glória de Deus, todo homem vira adorador: todo joelho dobra, e toda linguá confessa que Ele é digno de louvor.

Em uma sociedade como a nossa que idolatra os famosos, a noção de glória é bem conhecida. O craque de futebol, a bela atriz da novela, os ricos e poderosos são capas de revista porque, de certa forma, o ser humano deseja enxergar uma beleza que excede a monotonia do seu dia-a-dia. Nossa natureza caída pede que fingimos ser aquilo que não são. “Finge ser merecedor de louvor; finge ser glorioso; finge ser digno”. Queremos ser aplaudidos por quem somos. Queremos ser aceitos do jeito que somos. Queremos uma glória que nos satisfaça.

Mas as Escrituras soam como trovão:

…Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. (Romanos 3.23)

Não somos dignos desta glória, desta beleza da santidade de Deus. Não podemos enxergar sua glória. Não podemos refletir sua glória. Não podemos compreender sua glória. E pior – não queremos glorificar Aquele que é digno de toda a glória. O coração do impio blasfema, “Glorifica a mim! A mim! A mim!”

Este é o grande contraste que encontramos no primeiro versículo do nosso texto: Jesus Cristo, a caminho da cruz, deseja glorificar a Deus, enquanto o pecador, pronto para crucificar o Rei dos Reis, busca para si a glória divina.

Como homens perdidos poderão conhecer a glória de Deus? A resposta está no nosso texto. Jesus Cristo tem toda autoridade e todo poder para “conceder vida eterna” a todos os escolhidos. Para qual motivo?

E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste. (João 17.3)

Para conhecerem ao Deus glorioso através do Filho que foi enviado. Ou seja: em Jesus Cristo enxergamos a glória de Deus sem cairmos como mortos. Antes, em Jesus Cristo, somos ressurrectos para a vida, e vida eterna!

Foi para revelar a glória de Deus que Jesus Cristo nasceu, ministrou e morreu entre os homens. Para comunicar a grande, e bela glória de Deus. Fazer resplandecer a beleza da sua santidade, do seu amor, da sua misericórdia, do seu poder, da sua bondade.

Eu te glorifiquei na terra, completando a obra da qual me encarregaste. (v. 4)

Nenhuma obra ficou desfeita. Jesus Cristo não desviou do plano traçado pela mão divina na eternidade passada. A glória de Deus foi proclamada e exaltada. O propósito foi comprido. O fim está garantido: a glória está certa. O único Deus verdadeiro foi glorificado por Jesus Cristo. A cruz não foi um empecilho ou obstaculo na glória de Deus. Antes, foi o meio pelo qual Deus foi e está sendo glorificado. A mesma glória que o Filho teve antes da cruz, é a mesma que tem depois. Pois é digno de toda a glória.

Agora, pois, glorifica-me, ó Pai, junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. (v. 5)

APLICAÇÃO

  • A glória de Deus é a única que é eterna. As demais ‘glórias’ são momentâneas. Não podem revelar o único Deus verdadeiro. Você não foi criado para encontrar sua própria glória. Nosso universo não foi criado para ecoar sua própria glória. Deus nos criou para que conheçamos sua glória em Jesus Cristo. As Escrituras nos chamam a nos arrepender da nossa idolatria do “eu” – eu tenho, eu sou, eu fiz, eu posso. E confessarmos que somente Deus é digno de toda a glória, confiando que Jesus Cristo pode perdoar nossos pecados e transformar-nos.

Ao descrente:

  • Não encontramos a glória de Deus fora de Jesus Cristo. Temos alguns vislumbres da glória de Deus. Na criação, por exemplo. Os céus declaram a glória do Criador. Entendemos que Ele é maior e mais belo do que nós. Na graça comum também percebemos os traços da glória do Pai bondoso. Mas são, de certa forma, pistas. Dicas. Evidências de uma glória maior. Em Jesus Cristo a glória de Deus é revelada, de forma perfeita e única. Ninguém vai ao Pai senão por Jesus Cristo.

Ao crente:

  • Jesus Cristo não é um plano B. O Cristianismo moderno sugere que o cristão deverá se esforçar ao máximo a glorificar a Deus pelas próprias forças. E, se você se perder pelo caminho, recorra a Jesus Cristo para receber perdão, encorajamento e inspiração para voltar a tentar glorificar a Deus com suas próprias forças. O cristão é tímido a confessar sua incapacidade, sua fraqueza e seus pecados pois isso sugere que ele está errando o alvo. Mas o alvo é de fato confessar que sua glória é o que nos capacita! Nosso alvo é confessar que Ele é único que foi obediente até a morte, completando toda a obra. Veja, Jesus Cristo não é um estepe! Jesus Cristo não se torna necessário somente quando nossas forças se enfraqueçam. Antes, Jesus Cristo sempre foi e sempre será o brilhante estrela da manhã que ilumina todo o céu. É o Alfa e o Omega, o principio e o fim. Não somente uma parte gloriosa da obra, e sim toda a obra de glória!
    • Não seja tímido em confessar sua glória e sua fraqueza. Não tenha receio em admitir sua falta de fé, sua luta com orgulho, sua necessidade de andar na Luz da Sua presença. Você foi criado, chamado e transformado para confessar isso!
  • A vida eterna é cheia de glória! Cheia do resplandecer da santidade de Deus. Não haverá dor, nem lagrimas e nem angustia na presença de Deus – porque a beleza da sua Santidade preencherá todo centímetro da nossa eternidade. Que esperança gloriosa, que futuro glorioso, que Salvador glorioso!

Jesus Cristo não é plano B

Persiste no Cristianismo moderno um ensino sútil, mas diabólico. É a idéia de que, uma vez salvo pelo Senhor Jesus Cristo, cabe ao cristão somente a responsabilidade de glorificar a Deus com suas próprias forças. Nessa visão, Jesus Cristo é um mecânico, e uma vez concertado o carro (vida cristã), o cristão segue na sua jornada sozinho. Até quebrar o carro novamente.
 
O cristão é instigado a se exaustar, muitas vezes cumprindo longas listas de exigências, para tentar ‘glorificar a Deus’ por forças próprias. Somente quando a vaca vai pro brejo, e você se pega pecando, é que se recorre ao socorro do Senhor Jesus. Ele é o último recurso. O estepe. O plano B quando nosso plano não dá tão certo.
 
O antídoto se encontra na oração de Jesus Cristo, transcrita em João 17, aonde ouvimos essas lindas palavras: “Pai, chegou a hora. Glorifica teu Filho, para que também o Filho te glorifique.
 
O Pai é glorificado quando o Filho é glorificado. E só. Não há outro meio de glorificar o Pai se não por meio do Filho.
 
Isso é uma tremenda lição e um enorme encorajamento para os filhos de Deus. Cristão, não pense por um segundo que sua necessidade de Jesus Cristo é de alguma forma um sinal de imaturidade. Não! Você foi criado para confessar sua incapacidade. Você foi transformado para confessar sua necessidade de Jesus. Você foi salvo para reconhecer — a cada manhã — que Jesus Cristo é o único que cumpriu as exigências da glória de Deus e, portanto, o único que expressa toda a glória de Deus.
 
Não seja tímido em reconhecer que seu Salvador é todo-poderoso, magnífico em amor, misericórdia e santidade.
 
Glorificar a Deus através de Jesus Cristo sempre foi o plano divino. Desde antes da fundação do mundo. Não há plano B. Cristo é a Alfa e o Omega da glória, para todo sempre, amém.

Catequizados pelo entretenimento

Tim Keller comenta que nossos jovens estão sendo catequizados pelos seriados, redes sociais, e músicas para repetir esses três ‘dogmas’:

  1. Seja verdadeiro consigo mesmo.
  2. No final, você precisa fazer o que te faz feliz.
  3. Ninguém tem o direito de dizer aos outros o que é certo ou errado.

Pense no último filme que você assistiu. É muito provável que você consiga encontrar uma dessas afirmações na narrativa.

Fontethegospelcoalition.org

Não deis lugar a pornografia

Existem tentações que surgem do nada. Lá está você, vivendo tua vida numa boa, o rádio do carro berrando alguma música gospel, o tanque de combustível está metade cheio, e seu coração otimista. Mas é nessa que um cidadão te corta. Ele que se acha o dono do pedaço. Você freia, buzina, grita e ele te olha no retrovisor com aquela cara de quem está xingando um dos seus pais.

Você fica irado. A raiva parece inundar seu carro. Sua imaginação fértil – sempre disposta! – já sugere mil cenários que podiam acontecer na vida daquele cidadão, a maioria dos quais envolvem sua morte dolorosa, ou pelo menos a morte do seu poodle.

Resumindo, você peca.

Mas os principais pecados que corrompem nossos jovens não são assim. O consumo da pornografia, por exemplo, não é um pecado que surge ‘sem aviso prévio’. São pecados que vão surgindo de acordo com a oportunidade. E muitos jovens pensam que podem evitar o pecado e simultaneamente alimentar a oportunidade ao mesmo tempo.

UMA RUA CHAMADA MEIA NOITE

No sétimo capítulo de Provérbios lemos uma conversa que podia muito bem ter desenrolada no Whatsapp. Um pai conversa com seu filho, oferecendo palavras de sabedoria. E o pai compartilha algo que tinha presenciado.

Era o final do dia e o pai estava dando aquela última conferida nas portas trancadas antes de dormir. Foi nessa que ele olhou pela janela, e viu um movimento. A iluminação pública nessa época não é lá essas coisas. Mas ele enxerga o movimento devagar e preguiçoso de um “moço sem juízo”. O pai percebe que ele caminha “próximo à esquina” da mulher que se prostitui. Ele flerta com o perigo. Ele brinca com a tragédia. E ele entrega seu dinheiro e sua alma em troca de fruta proibida.

Perceba que o erro do jovem não começou quando ele deu ouvidos a ela. E nem quando ele caminhava próximo a sua esquina. A tragédia começou quando ele pisou fora da sua casa, ciente da sua fraqueza e mesmo assim optando por caminhar a sós pelas sombras da noite.

O pecado não surgiu do nada. Antes, foi se tornando uma realidade a cada passo que tomava naquelas ruas sombrias.

UM PROVÉRBIO PARA O SECULO 21

E se este capítulo fosse atualizado para os dias de hoje? O pai olharia pela sua janela e veria o quê?

Talvez seria um jovem que está sozinho no seu quarto, enfraquecido, navegando pela internet até altas horas da noite. Talvez seria um jovem usando mais um aplicativo que promete anonimato e “fotos descartáveis”. Talvez seria um jovem participando de um grupo no Whatsapp onde, vira e mexe, aparecem fotos e vídeos provocativos.

Pensando assim, talvez possamos entender a crise de muitos jovens. Eles querem estar livres do pecado. Eles buscam se arrepender. Eles contam com alguns amigos próximos para dar apoio. Já assistiram mil vezes os vídeos do Paul Washer. E mesmo assim, estão chocados com a facilidade em cair no mesmo pecado. Não entendem o por quê.

Então pergunto: cara, você abriria mão do seu smartphone ou seu laptop se isso fosse diminuir as oportunidades para a tentação aparecer na sua vida? E a resposta é geralmente a mesma: preciso do meu celular para trabalho, preciso do meu laptop para escola, preciso, preciso, preciso…

E reconheço que muitos jovens já venceram essa luta sem abrir mão de suas “telas”. Mas algum limite tiveram que implementar. Sabe porque? Porque FRAQUEZA + OPORTUNIDADE = PECADO. Portanto, se você já está enfraquecido nessa batalha, por que você vai se colocar em um situação que oferecerá a oportunidade de ser tentado?

Porque caminhar – ou navegar – pelas ruas próximas a sua esquina?

A NECESSIDADE VERDADEIRA

A verdade seja dita, você não “precisa” de Snapchat, Whatsapp, Instagram ou Facebook. E nem do seu seriado favorito no HBO ou Netflix. Sua alegria não depende deles. São úteis e divertidos, mas totalmente opcionais. Seus pais e avós viveram sem esses adereços sem crise alguma.

Mas você precisa sim vencer os pecados que querem corroer sua alegria em estar liberto por Jesus Cristo. Uma igreja saudável e a confissão dos pecados são elementos essenciais nesta batalha. Mas também recomendo que você reveja suas prioridades tecnológicas. Você está insistindo em manter a tentação dentro do seu alcance? O provérbio é cirúrgico ao perguntar, “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem?” (Prov 6.27) Aquilo que nós abraçamos como “direito nosso!” pode muito bem estar queimando nossa resistência de dentro pra fora.

Conheço um jovem que comprou um celular “desses antigos” ao invés de um smartphone mega ultra power blaster. Não tem rede de dados, e muito menos wifi. Ele brincou que seu celular é tão arcaico que veio de brinde com uma maquina de escrever. Mas sua atitude é louvável. Ele foi intencional em remover situações que ampliariam o som da tentação batendo a porta.

Seja sua luta com pornografia, cobiça, ingratidão ou vaidade, saiba: nenhum aplicativo ou eletrônico é digno do valor que Jesus pagou para que você estivesse livre.

Verdadeiramente livre.

Razão vs. Emoção?

Lembro uma vez que comentei com um amigo que eu estava para tomar uma decisão e que eu quis que fosse uma escolha racional, e não emocional. Tinha crescido pensando que tudo aquilo que é emocional é leviano, manchado pelo pecado, e futil.

Ele confrontou meu dualismo. E explicou que em Adão nós caímos “completamente” – corpo & alma. Podemos pecar até no pensar. A falta de emoção não torna nossas escolhas mais santas.

E continuo: em Cristo, somos restaurados. Podemos pensar, chorar, rir e sentir para a glória de Deus porque Ele nos criou corpo & alma.

Depois daquela conversa, senti como se um peso fosse tirado das minhas costas. É impressionante a maneira que o dualismo tinge todo nosso entendimento, categorizando tudo ao nosso redor como espiritual (agrada a Deus!) ou material (inútil para Deus).

Imagina a supresa dos dualistas quando chegam no céu e descobrem que Jesus tem corpo físico e sabe dar boas risadas para a glória de Deus!

Tem um cara que tá atrapalhando meu casamento

Tem um cara que tá atrapalhando meu casamento.

Um cara que se acha bem mais inteligente e admirável do que sou. Minha esposa está frustrada com ele, e eu também, ainda que demorei para me tocar o quanto ele estava nos atrapalhando. No inicio, ele ficava mais na dele, tentava ser discreto. Mais ele foi perdendo sua sutileza. Agora importuna demais!

Toda santa vez que discuto alguma coisa com minha esposa, lá vem ele com seu nariz empinado, dando seu palpite. Quando planejamos uma viagem em família, ele quer ser ouvido. Quando preciso corrigir meus filhos, ele quer dar a bronca. Quando vou comentar algo chato que aconteceu no trabalho, ele já começa falando mal de tudo mundo.

Ainda que já vi ele falando bem de pessoas. Mas soa insincero porque eu sei aonde ele quer chegar. Ele quer é que todos achem ele tão indispensável quanto ele se acha. Estúpido! Já vi seu coração de perto, e seu único desejo é que, aonde ele for, todos os homens aplaudam, todas as mulheres suspirem, todos os jovens digam, “Quero ser ele quando eu crescer!”

Arrogante miserável!

Claro que estou falando de mim. Aliás, do meu orgulho. E do seu também.

O orgulho faz seu maior estrago justamente naqueles lugares aonde ele se sente mais confortável. Aqui em casa por exemplo. Minha esposa conhece todos meus defeitos. E mesmo assim me ama. Mas isso incomoda meu orgulho, porque orgulho é aquela vontade insaciável de ser adorado, ao invés de amado. Queremos conquistar a aprovação de todos, e assim ‘merecermos’ o amor. Queremos ter fãs e seguidores, mas não pessoas próximas que colocam o dedo na ferida.

Mas não foi assim que Deus projetou o amor, e muito menos o casamento. Nas Escrituras, encontramos a definição do amor no perfeito Filho de Deus que resgata para si homens e mulheres corrompidos pelo pecado. O justo age em prol dos injustos. O Glorioso dá sua vida pelos ofensivos. O Criador se entrega pelos condenados.

É por isso que o orgulho é uma afronta monstruosa contra Deus. Pois está sempre tentando distinguir entre quem é digno ou indigno da sua atenção, do seu afeto, ou do seu sacrifício. Claro, o ‘mais digno’ sempre acaba sendo ele mesmo! É o oposto da graça de Deus. Se graça viesse com uma tabela de informações, constaria que ela é composta com quantidades enormes de misericórdia e bondade. É uma expressão da boa vontade de Deus. Ela age com paciência, sabendo que tudo tem um tempo certo, e que fruto virá. Ela restaura, ela edifica, ela aproxima. Já o orgulho divide, mente, e fere para que ninguém veja o quanto é fragil, covarde e fake.

De certa forma, o chamado do marido cristão é um chamado a humildade. Ele acolhe, ele ama, ele se sacrifica porque ele ama aos outros mais do que si mesmo. A graça divina que o alcançou reflete na sua vida também.

Quer saber se está agindo como um marido cristão? Faça-se essa pergunta, “Minha esposa tem mais valor do que meu ego? Qual tenho buscado agradar em primeiro lugar? Qual ando defendendo a qualquer custo?”

Nosso orgulho sugere que o amor deve ser conquistado e nós somos aptos a conquista-lo! Burrice. Basta olharmos para a cruz do calvário. Em Cristo enxergamos um amor voluntário, humilde, real. É para esse amor que fomos chamados, e é neste amor que cumprimos nosso chamado.

Que nosso orgulho morra, e Cristo viva!