Porque estudar as Escrituras de forma sistemática?

A teologia sistemática é uma forma de apreciar cada detalha da revelação divina. Alister McGrath comenta:

Conforme Thomas Guthrie (escritor escocês do século XIX), as Escrituras são como a natureza, na qual flores e plantas crescem livremente em seu habitat natural, sem a intervenção ordenadora das mãos humanas. O desejo humano por ordem faz essas plantas serem dispostas em jardins botânicos de acordo com sua espécie, para que possam ser estudadas individualmente de maneira mas detalhada. As mesmas plantas podem ser encontradas em contextos diferentes, sendo um deles natural, e o outro, resultado do ordenamento humano. A doutrina representa a tentativa humana de organizar as idéias das Escrituras, classificando-as de maneira lógica, de modo que sua mútua relação possa ser mais bem compreendida.[1. MCGRATH, Alister. Apologética cristã no século 21, Editora Vida, 2012, p. 40]

O grande erro da pregação moralista

Graeme Goldsworthy, no seu livro “Pregando toda a Bíblia como Escritura Cristã” (Editora Fiel), considera a ligação entre legalismo e pregações moralistas. Ambos satisfazem o desejo humano de alcançar metas por força própria.

“O pregador pode favorecer e estimular [uma] tendência legalista que está no âmago do pecado que habita em todos nós. Tudo que temos de fazer é enfatizar nossa humanidade: nossa obediência, nossa fidelidade, nossa rendição a Deus e coisas semelhantes. O problema é que estas coisas são todas verdades bíblicas legítimas, mas, se as colocarmos fora de perspectiva e ignorarmos sua relação com o evangelho da graças, elas substituem a graça pela lei. Se dissermos constantemente às pessoas o que eles devem fazer para terem sua vida em ordem, colocamos sobre elas um terrível fardo legalista. É claro que devemos obedecer a Deus; é claro que devemos amá-lo de todo o nosso coração, mente, alma e força. A Bíblia nos diz isso. Mas, se sempre dermos a impressão de que é possível fazermos isso por nós mesmos, não somente tornamos o evangelho irrelevante, mas também sugerimos que a lei é, de fato, mais fraca em suas exigências do que ela realmente é. O legalismo diminui a lei ao reduzir seus padrões ao nível de nossa competência. Há um ditado infeliz e enganador que, de vez em quando, ouvimos de pessoas que deveriam saber melhor: Deus não exige de nós o que não podemos conseguir. Isto subentende ou que Deus exige menos do que perfeição ou que a perfeição é menos perfeita, porque podemos atingi-la. Na verdade, a lei de Deus não é formulada de acordo com a capacidade pecaminosa do homem para cumpri-la, e sim como uma expressão do perfeito caráter de Deus.
Em termos práticos, se nós, como pregadores, estabelecemos as marcas do cristão espiritual, ou da igreja madura, ou do pai piedoso, ou do filho obediente, ou do pastor dedicado, ou do presbítero responsável, ou do líder de igreja sábio, e se fazemos isso de uma maneira que a conformidade é apenas uma questão de entendimento e de ser obediente, estamos sendo legalistas e nos arriscamos a destruir aquilo mesmo que desejamos construir. Podemos atingir uma aparência exterior de conformidade com o padrão bíblico, mas fazemos isso à custa do evangelho da graça, o qual sozinho pode produzir a realidade destes alvos desejáveis. Dizer o que devemos ser ou fazer, sem ligar isto com uma exposição clara do que Deus tem feito quanto ao nosso fracasso de ser ou de fazer perfeitamente o que ele quer, é rejeitar a graça de Deus e levar pessoas a ansiar por autoajuda e auto melhoramento de um modo que, sendo franco, é ímpio.”

Conceito de igreja universal entre os anabatistas

“Apesar da igreja ser chamada de nomes diferentes, … todas elas, antes, durante e depois da Lei, que, em sinceridade temem ao Senhor, andavam e continuem andando de acordo com a Palavra e Vontade de Deus, confiando em Cristo, são uma só comunidade, igreja e corpo, e para sempre serão; pois todas foram salvas por Cristo, aceitas por Deus, e receberam a dadiva do Espírito da sua graça.”

– Menno Simons, (1496-1561)

Fonte: “Concerning the church, and an instructive comparison how we may distinguis between the church of Christ and the church of anti-Christ” (link)

“As vezes, a Igreja é entendida como sendo todos os homens que estão congregados e unidos em um Deus, um Senhor, uma fé e um batismo, e confessam a fé com seus lábios, aonde quer que estejam na terra. Esta é a Igreja Cristã universal, o corpo e comunhão dos santos, que se reúne somente no Espírito de Deus, mencionado no nono artigo do Credo Apostólico. Outras vezes, a igreja é entendida como sendo, em particular, uma congregação externa, paróquia ou povo, sob um pastor ou bispo, que se reúne corporalmente para doutrina, batismo e ceia.” […] “A congregação particular pode errar, como a igreja papista tem errado em muitos aspectos. Mas a igreja universal não pode errar.”

– Balthasar Hübmaier, (1480?-1528)

Fonte: Henry Clay Vedder, “Balthasar Hübmaier, the Leader of the Anabaptists”, 1903 (link)

“O termo igreja ou congregação indica que ela é, não apenas invisível, mas também visível, pois o termo usado é ecclesia, ou seja, um encontro ou reunião ou congregação…”

– Dirk Philips, (1504-1568)

Fonte: William Estep, “The Anabaptist Story: An Introduction to Sixteenth-Century Anabaptism” (link)

“Cremos e mantemos firmemente tudo o que está contido nos doze artigos do símbolo comumente chamado de Credo Apostólico , e consideramos herética qualquer inconsistência com eles.”

– Confissão de Fé Valdense (1120)

Fonte: Confissão de Fé Valdense (link)

O propósito da Reforma na visão do Charles Spurgeon

“Considere a Reforma. Qual foi o propósito de Deus em levantar Lutero, e Calvino, e Zwingli, para efetuar a Reforma? Ora, para esse grandioso propósito: que Cristo veja o fruto do trabalho da sua alma, e que seus escolhidos creiam nEle. Este era o propósito da Reforma. E o que a Reforma alcançou? Não somente isto, mas também outras mil coisas, pois as artes e ciências devem seus progressos à Reforma; a mente humana foi libertada e expandida; e milhões de pessoas que nunca obtiveram a vida eterna em Jesus Cristo, pela gloriosa Reforma obtiveram liberdade, e dez mil misericórdias a mais.”

– Charles Spurgeon

fonte: General and Yet Particular, n°566 – Pregação ministrada em 24 de abril de 1864.

Descansar é cessar de se preocupar – Citação do R. C. Sproul

“Nós pensamos estar guardando o mandamento [do Sabá] se corajosamente nos recusamos a fazer todo o trabalho que está acumulado e que tira o nosso sono à noite. Ao invés disso, nós estamos pecando. Descansar não é simplesmente cessar de trabalhar; é também cessar de se preocupar. Isso não é fácil. Com efeito, por assim dizer, descansar, especialmente cessar de se preocupar, é um trabalho árduo.”

– R. C. Sproul, via ministeriofiel.com.br

A importância da pregação expositiva

“Muitos asseguram a si mesmos de estarem pregando a Palavra de Deus. Mas estão, na verdade, escolhendo textos da Bíblia, lendo-os para o seu povo e construindo os seus sermões a partir deles. Mas a mera presença destes elementos não produz uma pregação bíblica. Os sermões que pregamos não podem meramente usar a Bíblia como um trampolim. Nem mesmo extrair pontos do texto. Nossos sermões precisam colocar diante de nosso povo a mensagem que o próprio Deus pretendia nos passar, quando Ele inspirou os autores das Escrituras. Visto que Deus nos dá luz e habilidade para discernir a sua Palavra, é nossa responsabilidade extrair e expor a verdade do texto.”

– Roger Ellsworth, Amado Timóteo (Editora Fiel)

Citação de C. S. Lewis do livro Cristianismo Puro e Simples

“Meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa idéia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha reta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto?”

– C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples