Tem um cara que tá atrapalhando meu casamento

Tem um cara que tá atrapalhando meu casamento.

Um cara que se acha bem mais inteligente e admirável do que sou. Minha esposa está frustrada com ele, e eu também, ainda que demorei para me tocar o quanto ele estava nos atrapalhando. No inicio, ele ficava mais na dele, tentava ser discreto. Mais ele foi perdendo sua sutileza. Agora importuna demais!

Toda santa vez que discuto alguma coisa com minha esposa, lá vem ele com seu nariz empinado, dando seu palpite. Quando planejamos uma viagem em família, ele quer ser ouvido. Quando preciso corrigir meus filhos, ele quer dar a bronca. Quando vou comentar algo chato que aconteceu no trabalho, ele já começa falando mal de tudo mundo.

Ainda que já vi ele falando bem de pessoas. Mas soa insincero porque eu sei aonde ele quer chegar. Ele quer é que todos achem ele tão indispensável quanto ele se acha. Estúpido! Já vi seu coração de perto, e seu único desejo é que, aonde ele for, todos os homens aplaudam, todas as mulheres suspirem, todos os jovens digam, “Quero ser ele quando eu crescer!”

Arrogante miserável!

Claro que estou falando de mim. Aliás, do meu orgulho. E do seu também.

O orgulho faz seu maior estrago justamente naqueles lugares aonde ele se sente mais confortável. Aqui em casa por exemplo. Minha esposa conhece todos meus defeitos. E mesmo assim me ama. Mas isso incomoda meu orgulho, porque orgulho é aquela vontade insaciável de ser adorado, ao invés de amado. Queremos conquistar a aprovação de todos, e assim ‘merecermos’ o amor. Queremos ter fãs e seguidores, mas não pessoas próximas que colocam o dedo na ferida.

Mas não foi assim que Deus projetou o amor, e muito menos o casamento. Nas Escrituras, encontramos a definição do amor no perfeito Filho de Deus que resgata para si homens e mulheres corrompidos pelo pecado. O justo age em prol dos injustos. O Glorioso dá sua vida pelos ofensivos. O Criador se entrega pelos condenados.

É por isso que o orgulho é uma afronta monstruosa contra Deus. Pois está sempre tentando distinguir entre quem é digno ou indigno da sua atenção, do seu afeto, ou do seu sacrifício. Claro, o ‘mais digno’ sempre acaba sendo ele mesmo! É o oposto da graça de Deus. Se graça viesse com uma tabela de informações, constaria que ela é composta com quantidades enormes de misericórdia e bondade. É uma expressão da boa vontade de Deus. Ela age com paciência, sabendo que tudo tem um tempo certo, e que fruto virá. Ela restaura, ela edifica, ela aproxima. Já o orgulho divide, mente, e fere para que ninguém veja o quanto é fragil, covarde e fake.

De certa forma, o chamado do marido cristão é um chamado a humildade. Ele acolhe, ele ama, ele se sacrifica porque ele ama aos outros mais do que si mesmo. A graça divina que o alcançou reflete na sua vida também.

Quer saber se está agindo como um marido cristão? Faça-se essa pergunta, “Minha esposa tem mais valor do que meu ego? Qual tenho buscado agradar em primeiro lugar? Qual ando defendendo a qualquer custo?”

Nosso orgulho sugere que o amor deve ser conquistado e nós somos aptos a conquista-lo! Burrice. Basta olharmos para a cruz do calvário. Em Cristo enxergamos um amor voluntário, humilde, real. É para esse amor que fomos chamados, e é neste amor que cumprimos nosso chamado.

Que nosso orgulho morra, e Cristo viva!

O Cristo Presumido

Acabei de ler um artigo que falava sobre como pecado é um obstáculo na vida cristã. Refletindo sobre o texto em 2 Reis que narra a cura do leproso Naamã, o escritor conclui que nós também precisamos ser lavados da nossa lepra (pecado). Para isso, precisamos mortificar nosso orgulho e confessar nossos pecados, para sermos lavados por Deus.

Parece um texto cristão, não é? Parece em sincronia total com a mensagem do Evangelho.

Mas um leitor fez a seguinte pergunta, “Aonde está Cristo neste texto?”

Li o texto novamente. E depois mais uma vez. E não havia sequer uma menção de Jesus Cristo. E muito menos da sua obra na cruz.

Todos os demais ‘ingredientes’ do Evangelho estavam lá: o homem, o pecado, o arrependimento, a transformação. Mas nem um piu sobre Cristo.

“Mas há menção de confissão de pecados! Presume-se então que Cristo está em foco.”

Pois é. É o Cristo presumido. O Cristo indireto. O Cristo entre as notas da rodapé. Enquanto o lepra faz toda sua encenação perante os holofotes, Cristo está nos bastidores. Muito a dizer sobre o homem, suas tentativas, seus deveres e nada a dizer sobre Cristo.

Qual o problema disso? É o seguinte: um Cristo presumido é um Cristo que fica a mercê da nossa imaginação. Qual Cristo me lava? Qual Cristo me perdoa? Qual Cristo me cura? Não se sabe. Basta cada um preencher o espaço com sua definição: O Cristo que me salva é ____________”. Deus? Uma divindade do hinduísmo? Uma divindade imaginária? Escreva o que você quiser.

As Escrituras são claras quanto a pessoa de Cristo. E em alto volume exaltam a *centralidade* de Cristo. Cristo não é apenas mais um ingrediente. Ele é o Rei dos Reis. Mantendo a ilustração de uma salada, nós somos a alface e Jesus Cristo é aquele que nos plantou, nos cultivou, nos separou. E mesmo assim somos podres. Comidos por vermes. Devemos ser descartados. Mas Ele nos lavou, nos transformou e nos deu “um cheiro suave”.

Ele quem? Cristo, o filho de Deus! Que, sendo Criador, tomou a forma da criação, e andou entre nós, anunciando o perdão. Mas não aquele perdão “de sempre”, que exige esforço da nossa parte. Seu perdão é de graça e saturado pela graça pois Ele é a expressão da bondade divina. Sua misericórdia extende da eternidade passada até a eternidade futura, não podendo ser medida, frustrada ou apagada. Ele quem? O Cristo, o Redentor de todos aqueles que — exaustos, enfraquecidos, desesperados! — confiam na sua obra na cruz. Ele o Rei dos Reis e Senhor dos senhores!

Viu como isso muda toda a narrativa?

Naamã precisava um encontro com o poder de Deus. E nós também. O foco da nossa narrativa, portanto, não pode ser a lavagem no rio, a confissão dos pecados ou a busca por uma maior humildade. Essas coisas são meras notas de rodapé em comparação com a personagem central: Jesus Cristo, Deus meu!

Sem Ele, nossa fé é vazia, humana, sem norte e sem esperança.

Entendendo os padrões éticos da nossa sociedade

Jovem cristão, já percebeu que os valores do nosso país estão todos bagunçados? Então grava bem essa palavra: antinomismo.

Perceba que essa visão ética está sendo defendida por todos os lados da sociedade e em todas as mídias.

Antinomismo defende, em alta voz, que não há leis morais. Não há padrões universais. Você pode torcer que não haja mais ataques terroristas, mas você não tem base absoluta para condenar ataques terroristas ou apresentações artísticas.

Uma mini aula sobre como o mundo enxerga os deveres éticos.

Abra Sua Mente!

Um dos argumentos comuns acerca das nossas crianças é quanto a necessidade de permitir que eles tenham mentes abertas. Afinal, ter uma ‘mente fechada’ sugere que você não está disposto a considerar alternativas daquilo que você entende como sendo a verdade.

Ainda que — cá entre nós — tudo mundo tem uma mente fechada em algum quesito. Tenho uma mente fechada quanto à ingestão de veneno, maltratar minha mãe, e retirar produtos do mercado sem pagar o devido preço. Aliás, a nossa sociedade parece incentivar uma mente fechada quanto a aceitação do racismo e preconceito.

Me parece então que ter uma mente fechada não é a questão em pauta. A grande questão, então, é que nossos filhos devem ter uma mente aberta quanto a diversidade de valores. Eles devem entender que há outros valores além daqueles que conhecem ou preferem.

Ou seja: na grande sorveteria de valores, embora já conhecem e gostarem do sabor chocolate, é crucial que reconhecem que há OUTROS sabores que não sejam chocolate.

Mas agora uma pergunta vital: para reconhecer que há outros sabores, é necessário que eles EXPERIMENTAM de todos os demais sabores? Ou basta simplesmente reconhecerem que outros sabores existem?

Essa pergunta é chave para entender o caos ético no qual a nossa sociedade se encontra.

Por exemplo: reconheço que há outras opiniões quanto a poligamia. Não tenho uma mente fechada no sentido que imagino que todo ser humano no mundo compartilha da mesma opinião que eu. Mas embora reconheço que existe outros valores quanto ao casamento, não preciso — para provar minha inteligência — EXPERIMENTAR de todos os valores existentes. Para provar que tenho a capacidade mental de considerar a opinião alheia, não preciso ADOTÁ-LA.

Da mesma forma com meus filhos. Eles sabem que não devem colocar seus dedos na tomada. Foi eu que passei esse conhecimento para eles. Não foi necessário que eles experimentassem o choque de 220v para terem, de fato, uma mente aberta quanto as tomadas.

Portanto, não me vem com esse lixo intelectual que sugere que meu filho terá uma mente fechada caso ele não experimentar todas as mil e umas variações artísticas, musicais, sexuais, financeiras, éticos, etc.

Meu papel como pai não é abrir sua cabeça para que ele enxerga tudo. Isso ele já faz. Afinal, ninguém ensinou meus filhos a inserir, logo nos primeiros meses de vida, tudo nas suas bocas, seja moeda, bola de gude, ou areia. Nasceram já com essa vontade de experimentar tudo que veêm pela frente.

Ciente de que eles absorvem tudo, meu papel como pai é ser um filtro: tirar da sua boca o que lhes faria mal, e colocar na sua boca aqueles alimentos que lhe fará bem.

No ámbito dos valores, meu papel é o mesmo: proteger, alimentar e direcionar. Eu faço para meus filhos o que eles não podem fazer por si.

Meu filho vai crescer ciente de que há outros sabores e outras sorveterias no mundo. Mas não serei um monstro e repetir aquela mentira tão vomitada pela nossa sociedade que afirma que todos os sabores tem o mesmo valor e é necessário experimentar de todos para não ser um velho quadrado.

Porque insistir na mentira é fechar a mente para a verdade.

A Última Palavra

Há pouco mais de 2 anos, eu sentava ao seu lado no hospital. Meu pai já havia lutado com câncer por um bom tempo. Mas agora não por muito mais. O doutor, sempre atencioso, um verdadeiro amigo da família, nos disse que não havia mais solução humana. Era só uma questão de semanas ou – no máximo – um mês e meio. Foi um mês e meio.

Era a minha vez de passar a noite ao seu lado enquanto minha mãe e irmãs descansavam em casa. No canto do quarto, as notícias do dia passavam em uma televisão: em Brasília políticos fizeram X, no Rio houve protesto contra Y e em algum lugar de SP houve mais um tiroteio. Mas esses lugares pareciam distantes. O interior de um hospital é, de fato, um mundo aparte. Tem seu próprio tempo, sua própria linguagem, suas próprias estações.

Eu queria poder dizer que minhas conversas com meu pai durante essas horas foram iluminadas. Ou que experimentei grandes e profundas lições de vida ao lado do seu leito. Na minha infantilidade, até esperava que isso acontecesse. Mas as palavras do meu amigo e professor de seminário Tiago Santos, ditas alguns anos antes em uma das nossas conversas viajantes, refletem bem a realidade dessas horas: “A morte não é natural.” Não é normal. Vai contra o propósito da criação. Ainda que podemos morrer bem, não há boas mortes. Elas todas são cruéis e dolorosas. Elas nos lembram que vivemos em corpos enfraquecidos num mundo caído.

Às vezes lia dos Salmos para ele. As vezes alguns parágrafos de Spurgeon, ou emails de despedida que amigos enviavam. Seu olhar estava distante. Talvez seus ouvidos também. Ele agradecia com uma voz cansada. E depois ficava quieto. Ficávamos quieto juntos. Eu segurava a mão dele, e ele dormia.

Era umas 2h da manhã quando acordei de repente. O quarto estava em silêncio. Em um momento de clareza, meu pai estava com sua mão sobre minha cabeça, e mexia meu cabelo como se eu fosse novamente um garoto de 5 anos. “It’s going to be OK, Daniel,” ele dizia. “It’s going to be OK.” Vai estar bem. Só isso.

Não lembro se eu respondi alguma coisa. Acho que não. Ele voltou a dormir. E eu também. Algumas semanas depois, ele estaria na presença do Seu Criador aonde tudo está infinitamente OK.

Hoje relembro como a morte é uma última tentativa do pecado triunfar. É como se fosse a última tentativa – desesperada – da corrupção deste mundo levantar seu punho contra a glória de Deus e gritar, “Há! A última palavra é minha!”

Mas a ressurreição de Jesus Cristo afoga esse clamor. A última palavra não pertence à morte. A última impressão não pertence ao câncer. A última realidade não é aquela da dor e tristeza. No sepulcro vazio do Salvador encontro a esperança da salvação e a certeza da nova vida.

A morte não é o fim porque o fim pertence somente a Jesus Cristo. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, a fonte de toda vida. Ele é a ressurreição.

Um filósofo dos nossos dias escreveu (repetindo os filósofos de outras eras) que a religião é uma invenção humana para lidar com a dor das nossas vidas. Falamos em um Deus amoroso porque nosso contexto é de ódio. Falamos em paz celestial porque nossa realidade é de caos. Queremos acreditar que em algum lugar tudo faz sentido, tudo faz parte de um plano inteligente porque aqui está uma bagunça sem tamanho.

Essa teoria, talvez, faria mais sentindo se houvesse um contraste absoluto entre os dois mundos: na nossa vida, somente angustia e desolação enquanto na vida por vir somente alegria plena e paz inimaginável. Mas podemos imaginá-la justamente porque – ainda nesta vida – há vislumbres de coisas que que não pertencem a este mundo. Vemos amor, vemos graça, vemos perdão, vemos união e alegria. Os risos das crianças, a compaixão de uma mãe, a irmandade de amigos. De onde vem esses raios de luz? Certamente não surgem da nossa escuridão. Águas limpas não jorram de uma fonte suja. De onde então? Só podem vir de algo além de nós, fora de nós, maior do que nós. É sobrenatural. É a imagem do Deus invisível. É o sepulcro vazio dizendo, “Este mundo não terá a última palavra. Existe algo mais belo. É Jesus, o Filho de Deus. Ele virá, Ele tem vencido.”

Em meio à confusão das nossas vidas, é esta calma confiança que o Espírito Santo nos dá: ainda que passamos pela vale da sombra da morte, não tememos mal algum, pois Ele estará conosco. Ele venceu o mundo. Portanto, it’s going to be OK.

It’s going to be OK.

O Salvador que Sangrou

Para muitos jovens cristãos, Jesus Cristo é Deus poderoso, soberano, justo — e distante de nós.

Ou seja: é possível descrever Jesus com mil termos teológicos mas sem se quer uma aplicação prática para o nosso dia-a-dia.

Por toda nossa volta vemos as duras realidades da dor, do pecado, e da nossa própria hipocrisia e incerteza. Muitas vezes, nossos pecados escondidos nos parecem ser mais reais do que o nosso Salvador. Nossa enfermidade é mais tangível do que a Cura.

A solução, claro, não é abandonar os livros de teologia. Terminologia teológica tem seu lugar e importância. Mas não há lugar em que vemos a humanidade de Jesus Cristo com mais clareza do que nas próprias Escrituras.

Na Palavra vemos Jesus Cristo o Deus-homem. 100% Deus e ao mesmo tempo 100% homem. E isso traz profundas implicações para nosso dia-a-dia.

Jesus Cristo nasceu em Belém e, assim como qualquer bebê que nasceu naquela noite, chorou de fome, de dor, e de sono. Teve que aprender as primeiras palavras e a tomar os primeiros passos. Chamava cachorro de au-au e ria com as brincadeiras bobas de Maria e José.

Como adolescente, brincava com os amigos e primos. Brincavam de esconde-esconde, de bola, e de imitar os guerreiros heróis do Antigo Testamento. Recitavam as poesias e músicas populares.

As Escrituras nos dizem que Jesus “crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens” porque crescimento e desenvolvimento fazem parte da humanidade normal.

Logo nos primeiros séculos apareceram ideias heréticas que sugeriam que Jesus Cristo não participava da nossa humanidade. Imaginavam que a divindade de Jesus ficaria manchada, enfraquecida ou contraditória se Ele tivesse de fato um corpo humano, tendo nascido — literalmente — de uma mulher e conhecendo na própria pele aqueles sentimentos que são comuns a nós. A seita dos Testemunhas de Jeová, por exemplo, mantém ainda hoje essa visão herética: Jesus era um homem que recebeu uma porção de divindade, mas não pode ser 100% Deus e 100% homem.

Mas as Escrituras nos conta outra história: vemos o Criador da terra com fome. Vemos a Fonte da Vida com sede. Vemos Aquele que nos sustenta com fome. Vemos Aquele que dá descanso com sono. E vemos Aquele que vivifica chorando a morte de seu amigo Lazaro. Para os discípulos que o seguia, Jesus Cristo não era um Deus distante, intocável ou invisível. Ele não era uma nuvem de termos teológicos. Para eles, Jesus é o Mestre bondoso e Amigo fiel. Assim como profetizado por Isaias atrás, Jesus era “Deus conosco” (Is 8.8).

Jesus conheçe a amargura da dor, morte e solidão. Ele sabe como é ser abandonado e perseguido. Ele carregue as marcas do sacrifício. O sangue que Ela derramou na cruz não foi figurativo e muito menos fictício. Assim como o Tomé reconheceu, precisamos admitir que os furos nas suas mãos são reias. Ouvimos a voz de Cristo: “Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia.”

Como isso nos impacta?

Primeiro, que nós podemos levar nossas necessidades a um Deus real que conheçe a humanidade ‘de dentro pra fora’! Ele criou nossa humanidade, e também experimentou dela. Nossa petições e orações não são estranhas a Ele. Apesar de ser soberano e omnipresente, nossas dores não são ‘meras inconveniências’. Se Deus sabe o que acontece com cada pardal (Mt 10.29), Ele enxerga de perto o que acontece em nossas vidas. Ele conhece nossas crises, e sabe como soluciona-los. Ele “não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos.” (At 17.27)

Mas, em segundo lugar, nosso Senhor Jesus Cristo é eternamente superior a nossa humanidade. Nosso perdão é meia-boca; somos infiéis, fracos e facilmente abalados. Jesus Cristo não é assim. Ele cumpre cada promessa. Seu perdão é completo e infinito. Seu amor não é estável, e seus planos não são frustrados. Ele é o Amigo fiel que não te deixa na mão. Ele é o Pastor que não é hipócrita. Ele é Irmão mais velho que não te despreza. Milagre após milagre provaram que seu poder não é limitado. Tanta a ressureição de Lazaro como também a sua própria ressureição provaram que a morte não tem a última palavra.

O pecado terá fim. A dor é por tempo limitado. Não teremos para sempre esta frustração de vivermos sem entendermos ou enxergamos as respostas. A esperança é real: um dia veremos Ele na sua glória. (1Jo 3.7) Assim como Ele participou da nossa realidade, vamos participar da Sua. Perante o seu Trono vamos adorar o Cordeiro que sangrou, ressuscitou e vive para todo sempre.

Não Durma nesta Aula

Jovem cristão,

Você faz parte da maior sala de aula do mundo. Ela é a sociedade no qual você vive, e em todo momento — no metrô, na cinema, no rádio, na opinião pública, na faculdade, etc — ela está tentando martelar 4 ideias na sua cabeça:

  1. Não podemos ter certeza absoluta que o Deus cristão é
    o único Deus verdadeiro. Ele é simplesmente mais um ser divino entre os milhares de deuses que já foram adorados.
  2. Mesmo se a gente tivesse certeza que o Deus cristão é o único Deus verdadeiro, não tem como dizer que Ele revelou sua vontade a nós. Os 66 livros da Bíblia foram modificados ao longo do tempo por homens bem e mal intencionados.
  3. Mesmo se a gente tivesse certeza que a Bíblia é a revelação do único Deus verdadeiro, não podemos afirmar que ela tem relevância no século 21. Pô, ela foi escrita a mais de 2mil anos. Seus princípios são bonitinhos. E só.
  4. Se você discordar de algum dos três pontos acima, você é desatualizado, intolerante, insensível e quadrado. Você é mais parecido com seus pais e avós do que com gente inteligente e relevante.

Libertos para edificar

Pra você ver….o que é aceitável em uma cultura, pode ser uma grande ofensa a outra:
 
  • Os gregos comiam carne ‘de segunda mão’ que havia sido sacrificada aos ídolos.
  • João Calvino degustava vinhos e cervejas.
  • Martinho Lutero fazia sua própria cerveja artesanal.
  • Charles Spurgeon & C. S. Lewis fumavam charutos.
E tudo em moderação. Com exceção dos gregos, não há relatos desses homens forçando suas liberdades nos outros. E nem se entregando à embriaguez e vício, ou chamando de pecador quem não compartilhava dos mesmos gostos.
 
Mas mesmo assim, em certas culturas suas ações são tidas como extremamente ofensivas. Nossa cultura brasileira é uma delas. Em um país em que todo ano dedica-se uma semana inteira ao excesso público da carnalidade, não é de se estranhar que conhecemos bem aquela dor e sofrimento que são frutos de se procurar — no sexo, na nudez, na embriaguez — aquela satisfação e alegria que se encontra somente ao submeter-se ao Criador. A idolatria se disfarça de muitas formas, mas sempre com a mesma intenção: entregar à criação aquela adoração que é devida ao Criador. E o resultado desta deturpação é sempre o mesmo: um vazio cada vez maior.
 
Vivemos em comunidades que carregam marcas na própria pele da violência, divisão e ódio da embriaguez. É normal, portanto, que estranhemos o relato de que Lutero tomava cerveja artesanal enquanto traduzia o Novo Testamento para o Alemão. Nosso espanto, talvez, é maior do que o espanto dos judeus cristãos do 1º século se vissem os cristãos brasileiros pedindo carne mal passada nos churrascos familiares.
 
Reconheçamos, portanto, que toda cultura carrega uma bagagem. É preciso sensibilidade quando lidamos com ela. Não podemos fingir que ela não existe. Mas, ao mesmo tempo, não é a bagagem que nos norteia; é o Espírito Santo que nos conduz através da Sua Palavra. Se você é tentado a agir sem moderação — seja no comer, no beber, no folgar, no uso do cartão de crédito — saiba que a “temperança” (domínio próprio) é tanto fruto do Espírito Santo quanto o amor, paz e fidelidade. Santificação não é aborrecer uma liberdade e exagerar em outra simplesmente porque uma é aborrecida pela sua cultura e outra não. A santificação genuína é você usar da sua liberdade cristã para viver como o Senhor Jesus Cristo viveu: em submissão a vontade do Pai.
 
LIBERDADE PARA RECONHECER QUE HÁ LIMITES
 
O domínio próprio pode ter implicações diferentes na vida do cristão. Por exemplo, tenho com muito carinho a lembrança de um tio temente a Deus que, quando jovem, resolveu nunca praticar patinação no gelo. Estranho, né? É que nos lugares onde praticava-se essa modalidade, tocava um certo estilo de música que prejudicava sua obediência a Filipenses 4.8 (“tudo o que for correto, tudo o que for puro … se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”). Ele não proibia nem condenava quem participava; só estava convencido que ele mesmo não devia frequentar esses lugares. Há homens piedosos que evitam shoppings, cinemas ou estádios pelo mesmo motivo.
 
Ou seja: podemos usar da liberdade tanto para recusar quanto para participar. O importante é usar da liberdade para refletir a glória de Deus. Em alguns contextos, é melhor usar da liberdade de não comer de carne oferecida aos ídolos, buscando edificação dos irmãos ‘mais fracos’. Em outros momentos, outra liberdade pode ser exercida.
 
LIBERDADE PARA REFLETIR A GLÓRIA DE DEUS
 
Em Filipenses 2.7-8 encontramos um ato chocante: o glorioso, eterno e soberano Jesus Cristo “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. O Criador tomou forma da criação e sofreu a pena dos nossos pecados.
 
É uma liberdade que choca: Jesus Cristo deu sua vida para que nós pudéssemos ser seus irmãos. E agora os remidos devem ter este “mesmo sentimento”. Qual sentimento é esse? É a alegre disposição de sacrificar sua vida em prol do povo de Deus. É entender que a liberdade não é um fim em si mesmo, e sim um meio pelo qual refletimos a glória de Deus.
 
No século IXX, o missionário Adoniram Judson entendeu as implicações da liberdade cristã. Um missionário pioneiro que traduziu o Novo Testamento para birmanês, Judson abriu mão de seus costumes e preferencias, adotando vários aspectos da cultura birmanese, incluindo até o corte de cabelo. Assim como os professores budistas, Judson construiu um pequeno abrigo de bambu ao lado de uma estrada principal aonde viajantes pudessem ouvir suas pregações. Um ouvinte deu este testemunho: “É impossível fugir da convicção que sua alma inteira está dedicada ao seu ministério.
 
Existe melhor uso da nossa liberdade? Existe maneira melhor de refletir a glória de Deus do que edificando nossos irmãos? Se Jesus Cristo abriu mão da sua glória celestial para andar no meio de homens que blasfemavam, não devíamos usar da nossa liberdade para edificar aqueles que Ele resgatou para si? Se Ele provou seu amor dando a sua vida, não devemos — no mínimo — provar nosso amor entregando nossas prioridades e preferencias? “Conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns outros.”
 
Visto desta forma, a liberdade cristã não veio para que pudéssemos vestir, comer, beber e experimentar tudo que queremos. Isso já fazíamos antes de sermos libertos por Jesus Cristo. Agora, transformados pelo Espírito Santo, somos capacitados a entregar tudo que queremos para refletir a glória de Deus e edificar o próximo. Temos liberdade para morrermos a nós mesmos e vivermos para Jesus Cristo.
 
Quanto a esse ponto, não podemos nos expressar melhor do que foi dito pelo próprio Deus aos cristãos Romanos:
 
“Uma pessoa considera um dia mais importante do que outro, mas outra julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua mente. Aquele que observa um dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor deixa de comer, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum de nós morre para si. Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. […] Porque foi com este propósito que Cristo morreu e tornou a viver.”
 O PONTO-CHAVE
 
Nossa meta não é replicar a liberdade cristã de outrem, seja Lutero, Calvino, Spurgeon, Lloyd-Jones, Pink ou Nicodemus. Nosso alvo é replicar a liberdade de Jesus Cristo, que abriu mão da sua própria vida para resplandecer a glória do Pai e transformar vidas nos quatro cantos do mundo.
 
Se esse propósito de Cristo não for o nosso, estamos fazendo mal uso da nossa liberdade.

Comunidade para quê?

Pense em uma família cristã que vive isolada, no meio de uma floresta distante, sem qualquer contato com outras pessoas. Se ela tiver a Bíblia, ela tem tudo o que precisa para compreender o papel do marido cristão / esposa cristã e a criação de filhos para a glória de Deus?

Sim. Nas Sagradas Escrituras, toda a instrução divina está a sua disposição independente se estão no meio da selva ou no meio de uma comunidade cristã.

MAS. Mas!

Isso não quer dizer — necessariamente — que sua interpretação do texto bíblico será sempre correta. Afinal, essa família hipotética é tão falha quanta qualquer outra familia da nossa planeta. Eventualmente, ela vai errar na leitura ou na aplicação.

Haverá nuanças, aplicações praticas, implicações e desafios que esta família só experimentará quando tiver contato com outras pessoas. O provérbio bíblico está corretíssimo: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro“.

Por isso, a importância de comunidade. Não fomos criados para nos isolar com nossas próprias ideias. Temos que compartilhar, ouvir, considerar, refletir, rever.

TÁ, MAS E DAÍ?

O ponto é triplico:

1. Se você não faz parte de uma igreja saudável, você está prejudicando sua vida espiritual. A ovelha precisa do rebanho.

2. Se você não conhece a história do Cristianismo, você está prejudicando sua defesa da fé. É fácil afirmar “Minhas crenças são bíblicas! O que eu creio tá na Bíblia sim!” Toda religião vai afirmar algo do tipo. O desafio é comprovar que sua fé é histórica, ortodoxa e equilibrada. Se você ainda não procurou saber como as nuanças da sua denominação evoluíram nos últimos 2mil anos, sugiro que faça esse estudo.

3. Sola Escritura sim, mas não Nuda Escritura. A Palavra de Deus é a única fonte infalível. Ela somente é inspirada. Ela somente é a voz de Deus. Mas isso não quer dizer que Deus não use de outros meios para “afiar” nosso entendimento e fé. Podemos aprender com os homens e mulheres que vieram antes de nós e deixaram suas reflexões por escrita.

O Problema do Mal

Não podemos explicar todos os porquês da existência do mal no mundo. Mas podemos testemunhar com confiança sobre o que Deus tem feito a respeito dela.
Nosso maior consolo não é entendermos a origem do sofrimento, e sim o fim do sofrimento.

Como disse Jó: “Eu sei que o meu Redentor vive” — e portanto, o sofrimento e a morte não terão a palavra final.

Porque Deus permite o mal? Não sei. Mas sei que o mal tem uma data de validade. Já foi vencido na ressurreição de Jesus Cristo.