Confissões de um ex-Landmarkista

Em 1968, Bob L. Ross publicou um artigo sucinto sobre as falhas da visão Landmarkista. Na conclusão, ele inclui essa pequena nota pessoal. Sua reflexão graciosa e humilde serve como exemplo para nós.

“Aqueles que me conhecem sabem que fui um Batista Landmarkista consistente na fé e prática. Escrevi artigos, folhetos e livretos apoiando aqueles princípios descritos pelo termo Landmark. Também vivi esses princípios, rebatizando todos que foram imersos por alguém que não fosse um administrador Batista Landmarkista, reorganizando igrejas que não foram começadas por outra igreja Bíblica (Landmarkista), e recusando reconhecer a validade de qualquer batismo ou organização eclesiástica que não originou-se na autoridade de uma igreja Batista sólida.

Hoje entendo o quanto contribuí para um sectarismo mau como resultado desse crença, mesmo acreditando estar fazendo o que é reto aos olhos de Deus. Falei contra homens abençoados pelo Espírito Santo, simplesmente porque não eram Batistas Landmarkistas. Considerei igrejas abençoadas pelo Espírito Santo como não escriturísticas simplesmente porque não pertenciam à genealogia Landmarkista. Reconheço que fiz muito mal; espero somente que o Senhor se agrade em permitir que eu desfaça um pouco do que fiz. E espero que você, querido leitor, leia esse artigo com uma mente disposta para o que tenho a dizer. Te asseguro que fui um Landmarkista exemplar no que eu cria. Duvido que possa ser mais Landmarkista do que fui. Mas o Landmarkismo foi removido de mim quando meu entendimento e coração foram abertos para os fatos simples da Bíblia e história. Espero que você também considere essas coisas com um entendimento disposto a aprender. Seja honesto consigo mesmo e com a verdade. É sempre melhor preferir a verdade sobre nossas próprias noções, independente do custo a ser pago. Quando uma pessoa muda ou abre mão de suas opiniões por causa do seu respeito pela verdade, ele faz o que todos os homens bons e sinceros devem fazer. A respeito dessas mudanças, C. H. Spurgeon comentou: “Confessar que você estava equivocado ontem, é tão somente reconhecer que você está um pouco mais sábio hoje; e ao invés de ser uma reflexão ruim da sua pessoa, é uma honra ao seu juízo, e demonstra que está crescendo no conhecimento da verdade.””

Fonte: Landmarkism: Unscriptural And Historically Untenable, Journal: Central Bible Quarterly.

[Arte: “Stayed Up All Night Wondering Where The Sun Went And Then It Dawned On Me” por Duy Huynh, 2013]

Pregação: uma obra exclusiva dos batistas landmarkistas?

Landmarkismo, em última analise, entende que a pregação deve ser obra exclusiva dos batistas landmarkistas. Ou seja: as pregações feitas por homens de outras denominações são feitas de forma ilegal, sem a autorização divina. Visto dessa forma, melhor séria que Jonathan Edwards, John Wesley, J.C. Ryle, etc. tivessem se calado ao invés de pregar a palavra sem a ordenação batista landmarkista.

“Ao tratar os ministros de outras denominações como ministros autênticos do evangelho, e receber qualquer uma das suas obras oficiais — seja pregação or imersão — como bíblicos, nós proclamamos, mais alto do que é possível com palavras, que suas congregações são igrejas evangélicas, e seus ensinos e praticas tão ortodoxas quanto as nossas; e assim encorajamos nossas famílias e o mundo a preferir se ajuntar as suas congregações ao invés das igrejas batistas, pois, quanto a eles, o escândalo ‘da cruz estaria aniquilado’.” – J. R. Graves, “Antiga Landmarkismo: o que é?” (1880), fundador do movimento landmarkista

Querido Pastor

Amanhã é domingo. Mais uma vez você subirá ao púlpito para pregar seu sermão. Mais uma vez você será tentado a questionar se a Palavra de Deus está tendo efeito na vida da sua congregação. Tem ovelhas que parecem que não mudam nunca. Não participam dos trabalhos, não amam aos irmãos, mas estão sempre prontos a criticar tudo e todos. Estão crescendo na fé tão lentamente que muitas vezes o progresso não é visível.

Amanhã você será tentado a trazer um sermão moralista. A focar somente no comportamento do cristão. A empurrar suas ovelhas no caminho certo. Força-los a tomarem passos maiores e mais consistentes. Faze-los sentir o quanto estão decepcionando suas expectativas.

Mas Pastor, o que precisamos ouvir é de Cristo. Do mais fraco ao mais forte, chegaremos no culto amanhã frustrados com a nossa incapacidade de vencer nossas lutas sozinhos. Cansados de ver pecado ao nosso redor e em nós mesmos. Tristes por termos brigado com nossos conjugues, odiado nossos chefes, faltado tanto paciência no transito quanto bom senso com o cartão de crédito. Chegaremos cansados, e com sede. E uma bronca – por mais merecida que ela seja – não nos saciará.

Precisamos de Cristo, pastor. Nos fale do nosso Salvador. Do seu amor generoso, sua graça maravilhosa, sua justiça eterna, seu perdão monumental. Nos fale do que Ele tem feito, o que está fazendo, e o que fará. Queremos ser atraídos novamente a Ele, enxergar sua proximidade, entender que sua soberania está fazendo com que essa bagunça das nossas vidas redunde para sua glória. Precisamos sair do culto maravilhados com a graça de Jesus e não só com a realidade das nossas falhas. Nos mostra quem é nossa motivação e como Ele nos capacita a ouvir sua voz e segui-lo.

Precisamos de exortação às boas obras? Com certeza. Mas não antes de sermos lembrados daquele que cumpre tudo em todos. Pedimos como os gregos: “Senhor, queremos ver Jesus.” (João 12.21) Mostre-nos o Pai, para então reconhecermos qual é nosso papel como seus filhos.

Neste domingo, pastor, confronte-nos com a graça do nosso Salvador.

Com amor,

Sua igreja

[Arte: Detalhe de “Shepherd and Sheep” por Anton Rudolf Mauve, primo do Van Gogh]

A Igreja universal na visão do Charles Spurgeon

Podemos dizer que Charles Spurgeon era landmarkista? Definitivamente não. Spurgeon não (1) negava a existência da igreja universal e, por implicação, também (2) não tinha as demais igrejas cristãs não-batistas como ilegítimas, falsas ou heréticas. Seguem algumas citações selecionadas:

Qualquer grupo de homens cristãos, reunidos pelos laços santos da comunhão para o propósito de receber as ordenanças de Deus, e pregando o que consideram ser a verdade de Deus, é uma igreja; e a soma dessas igrejas reunidas em um, de fato todos os verdadeiros crentes em Cristo espalhados pelo mundo, constituem Uma Igreja Universal Apostólica verdadeira, construída sobre a rocha, contra qual as portas do inferno não prevalecerão. Portanto, quando falo da igreja, não entenda que me refiro ao arcebispo de Canterbury, o bispo de Londres, uns vinte tantos dignitários, e todos seus ministros. E nem ainda quando falo da igreja me refiro aos diáconos, presbíteros, e pastores da denominação Batista, ou qualquer outra. Me refiro a todos os que amam o Senhor Jesus Cristo em sinceridade e verdade, pois estes compõem a igreja universal que tem comunhão em si e consigo, nem sempre com sinais externos, mas sempre com a graça interna; a igreja que foi eleita por Deus antes da fundação do mundo, remida por Cristo com seu próprio sangue precioso, chamada pelo Espírito, preservada pela sua graça e, no fim, será recolhida para constituir a igreja dos primogênitos, os quais nomes estão escritos no céu. [1. Sermão 191, “Christ Glorified as the Builder of His Church”, 2 de maio de 1858.]

Meus amigos, se não podeis abraçar todos aqueles que amam o Senhor Jesus Cristo, qualquer que seja a denominação a qual pertencem, e os ter como parte da Igreja universal, seus corações não são grandes o suficiente para entrar nos céus; pois, se sua visão for essa, não podeis afirmar, “Cristo é tudo”.  [2. Sermão 3446, “Christ is all”, 18 de fevereiro de 1915]

Mas glória a Deus […] pois ainda que a Igreja visível pareça ter sido rasgada e dilacerada em certos momentos, a Igreja invisível é uma. Os escolhidos de Deus, chamados por Deus, vivificados por Deus, comprados pelo sangue divino — são um em coração e um em alma e um em espírito. Ainda que usem nomes diferentes entre os homens, perante Deus, carregam o nome do Pai nos seus frontes. E são, e para sempre deverão ser, um. [3. Sermão 443, “The Two Draughts of Fish”, 6 de abril de 1862]

Sabemos que nem todos os de Israel são, de fato, israelitas e que a Igreja visível não é idêntica àquela Igreja que Cristo amou e pela qual entregou a Si mesmo. Há uma Igreja invisível e é ela o cetro e vida da Igreja visível! [4. Sermão 628, “A Glorious Church”, 7 de maio de 1865]

[Arte: Detalhe de “Charles Haddon Spurgeon” por Alexander Melville]

Mais ninguém, senão Jesus

“E, erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém senão Jesus.” (Mt 17.8)

Hoje, mais do que nunca, precisamos voltar nossos olhos somente para Cristo. Nos distraímos com tanta facilidade com os absurdos da nossa época. Chocados, sussurramos as depravações de um mundo caído. E em meio a todo esse espanto, muitas vezes esquecemos de nos maravilhar com Cristo.

Já são milhares de anos que o mundo vem se corrompendo. Cada geração redescobre as mesmas perversões. De fato, o cristão não pode se fazer de bobo, fingindo que não as vê, nem entende suas implicações. Não podemos fechar nossos olhos perante um mundo que se afoga.

Entretanto, não basta abrir os olhos. Precisamos direcioná-los a Cristo. Precisamos ser maravilhados com a glória do único Filho de Deus e, através desta verdade, enxergar o mundo como ele é: um palco, um cenário, um teatro aonde nosso Salvador, o soberano vitorioso, apresenta a história mais linda já contada. A história da sua graça, misericórdia e salvação.

Nossa oração, “Vem logo, Senhor Jesus” é um clamor para que nosso Salvador acabe com as distrações momentâneas, assim sendo único alvo da nossa atenção. Ninguém mais, senão Jesus!

[Arte: “The Blind Beggar” – Josephus Laurentius Dyckmans, c. 1853]

O grande erro da pregação moralista

Graeme Goldsworthy, no seu livro “Pregando toda a Bíblia como Escritura Cristã” (Editora Fiel), considera a ligação entre legalismo e pregações moralistas. Ambos satisfazem o desejo humano de alcançar metas por força própria.

“O pregador pode favorecer e estimular [uma] tendência legalista que está no âmago do pecado que habita em todos nós. Tudo que temos de fazer é enfatizar nossa humanidade: nossa obediência, nossa fidelidade, nossa rendição a Deus e coisas semelhantes. O problema é que estas coisas são todas verdades bíblicas legítimas, mas, se as colocarmos fora de perspectiva e ignorarmos sua relação com o evangelho da graças, elas substituem a graça pela lei. Se dissermos constantemente às pessoas o que eles devem fazer para terem sua vida em ordem, colocamos sobre elas um terrível fardo legalista. É claro que devemos obedecer a Deus; é claro que devemos amá-lo de todo o nosso coração, mente, alma e força. A Bíblia nos diz isso. Mas, se sempre dermos a impressão de que é possível fazermos isso por nós mesmos, não somente tornamos o evangelho irrelevante, mas também sugerimos que a lei é, de fato, mais fraca em suas exigências do que ela realmente é. O legalismo diminui a lei ao reduzir seus padrões ao nível de nossa competência. Há um ditado infeliz e enganador que, de vez em quando, ouvimos de pessoas que deveriam saber melhor: Deus não exige de nós o que não podemos conseguir. Isto subentende ou que Deus exige menos do que perfeição ou que a perfeição é menos perfeita, porque podemos atingi-la. Na verdade, a lei de Deus não é formulada de acordo com a capacidade pecaminosa do homem para cumpri-la, e sim como uma expressão do perfeito caráter de Deus.
Em termos práticos, se nós, como pregadores, estabelecemos as marcas do cristão espiritual, ou da igreja madura, ou do pai piedoso, ou do filho obediente, ou do pastor dedicado, ou do presbítero responsável, ou do líder de igreja sábio, e se fazemos isso de uma maneira que a conformidade é apenas uma questão de entendimento e de ser obediente, estamos sendo legalistas e nos arriscamos a destruir aquilo mesmo que desejamos construir. Podemos atingir uma aparência exterior de conformidade com o padrão bíblico, mas fazemos isso à custa do evangelho da graça, o qual sozinho pode produzir a realidade destes alvos desejáveis. Dizer o que devemos ser ou fazer, sem ligar isto com uma exposição clara do que Deus tem feito quanto ao nosso fracasso de ser ou de fazer perfeitamente o que ele quer, é rejeitar a graça de Deus e levar pessoas a ansiar por autoajuda e auto melhoramento de um modo que, sendo franco, é ímpio.”

Acerca do corpo de Cristo e suas implicações

CORPO DE CRISTO »
  1. Há um só corpo (Ef 4.4, Rm 12.5, 1Co 12.12);
  2. O corpo tem seu início em Jesus Cristo, sendo Ele que O mantêm (Col 1.17,18);
  3. O corpo tem Jesus Cristo como sua única Cabeça (Col 1.17,18), submentendo-se somente à Sua Palavra;
  4. A autoridade soberana que Cristo exerce sobre todo seu corpo (Ef 1.22,23) é consequência natural do plano da salvação efetuado pela Trindade sobre todos os escolhidos (Ef 1.3-14);
  5. O corpo é composto por todos aqueles que foram batizados no Espírito Santo (1 Cor 12.13);
  6. Não há uniformidade entre todos os membros em termos de sua maturidade ou chamado. Existem os membros fracos e menores (1Co 12.22-25), como também há diferentes ministérios (1Co 12.4-6,11,12), e diferentes chamados (1Co 12.28 / Ef 4.11,12) na obra;
IGREJA LOCAL E VISÍVEL »
  1. Uma igreja local é uma congregação visível daqueles que já estão congregados em Cristo (At 20.28).
  2. Uma igreja local encontra sua identidade exclusivamente no Seu Salvador (Mt 16.16-18) e não em sua denominação ou linhagem histórica;
    • Uma igreja local encontra sua identidade no que Jesus fez por ela (At 20.28), “sendo ele próprio o Salvador do corpo” (Ef 5.23);
    • Um igreja local encontra sua identidade no amor que Jesus tem por ela (Ef 5.25)
    • Uma igreja local encontra sua identidade no que Jesus diz a respeito dela (Mt 16.16-18).
  3. Uma igreja local é motivada pelo Espírito Santo (At 2, At 10.45,46);
  4. Uma igreja local é autorizada diretamente pela Palavra (Mt 28.18-20, 2 Tm 3:16-17);
  5. Uma igreja local é amada, alimentada e edificada pelo próprio Jesus Cristo (Ef 5);
  6. Uma igreja local é um dos meios que Deus usa para propagar seu Evangelho;
IMPLICAÇÕES »
  1. Comunhão: Há um sentindo em que os membros daquele um só corpo são membros um do outro (Rm 12.4,5), e devem desenvolver os dons do Espirito uns para com os outros (Rm 12.6-16). Todos que andam na luz de Cristo têm “comunhão uns com os outros” (1Jo 1.3,7) por razão da luz que compartilham. Devemos criar amizades com irmãos de outras denominações enquanto forem humildes e estudiosos na fé. Devemos abraçar, visitar e interagir com nossos irmãos na fé.
  2. Edificação: Todos aqueles que fazem parte do corpo de Cristo devem buscar crescer  naquele que é a cabeça, Cristo (Ef. 4.15,16).
  3. União: Sendo transformado em um só povo (Ef 2.13,14), devemos buscar fortalecer todos aqueles que estão edificados sobre um só fundamento, que é Jesus Cristo (Ef 2.20) para juntos sermos templo santo no Senhor (Ef 2.21).
  4. Amor: Os fiéis em Colossos tiveram amor “para com todos os santos” (Co 1.4) e devemos fazer o mesmo. Esse amor não ama somente aos santos ‘amáveis’ que concordam com nossas opiniões; antes, todos os santos recebem essa demonstração pelo amor (Ef 4.1-3). Esse amor entre os discípulos de Cristo é prova que somos de fato seguidores dEle e não de outrem (João 13.35).
  5. Erros: Uma igreja local e visível pode errar. Ela pode demonstrar “incredulidade e dureza de coração” (Marcos 16.14) perante seu Salvador. Ela pode errar teologicamente (as igrejas da Galácia), moralmente (igreja em Corinto), secretamente ou publicamente, etc. Mas o que faz ela ser igreja não é seu nível de perfeição e sim Aquele que é Perfeito. Da mesma forma que um cristão pode errar sem perder sua identidade, uma igreja local pode errar sem perder sua identidade.
CONSEQUÊNCIAS »
A longo prazo, há severas consequências que podem brotar no nosso meio se defendemos que apenas as igrejas da nossa denominação são legítimos corpos de Cristo (como defende a visão Landmarkista):
  1. Indiferença: Passaremos vista grossa sobre as diferenças entre nossas próprias igrejas, já que as diferenças sugerem uma identidade diferenciada e não tão paralela com as nossas confissões.
  2. Apatia: Não nos preocuparemos com os deslizes das outras igrejas e nem nos alegraremos com seus avanços, já que todas são ‘igrejas falsas’ aos nossos olhos.
  3. Isolamento: Nos preocuparemos cada vez mais com somente aqueles que concordam completamente conosco. Amizade e comunhão com homens de outras denominações cristãs será interpretada como ‘dando apoio às igrejas falsas’.
  4. Solidão: Trabalharemos sozinhos, sem buscar o apoio, conselhos ou experiência de irmãos de outras igrejas cristãs.
  5. Diminuição: Perderemos a visão ampla de que Deus está — neste exato momento — sendo louvado em homens diferentes, igrejas diferentes e nações diferentes. Pensaremos que nós somos (coletivamente falando) o único arauto das verdades bíblicas.
  6. Arrogância: Pensaremos que almas estão sendo convertidas nas nossas igrejas por causa da nossa linhagem saudável, ou teologia tradicional, e esqueceremos que Deus faz tudo pela sua graça, e não merecimento humano.
  7. Ignorância: Deixaremos de ser inspirados pelas vidas dos heróis da fé que vieram antes de nós por terem diferenças de convicção. E quem não conhece sua história está condenado a repeti-la.
  8. Idolatria da tradição: Já que a nossa veracidade foi herdada por meio de uma linhagem de igrejas, pensaremos que qualquer tradição que leva-nos mais e mais de volta ao passado é de alguma forma mais santa e desejável. Procuraremos bases bíblicas para defender nossas tradições ‘sagradas’.
  9. Testemunho enfraquecido: a nossa união com Jesus Cristo e também Seus discípulos testemunham que Jesus é o enviado “para que o mundo creia” (Jo 17.21). Uma falta de comunhão e convivência com os discípulos que são diferentes de nós enfraquece nosso testemunho perante um mundo curioso.
ECUMENISMO »
Orar pelo bem de uma igreja cristã que não é da nossa denominação é ecumenismo? E expressar apoio a um pastor ou movimento cristão que não seja batista? Ou fazer parcerias com outras igrejas cristãs para alcançar mais povos indígenas?
O ecumenismo já foi definido de diversas maneiras durante os séculos. Mas uso ele aqui no sentido de “promover união entre todos as religiões”.
  1. Ecumenismo afirma que todas as religiões são válidas. Assim, quando todos os deuses são aceitos com igual valor, nenhum deus é anunciado. Já a união cristã busca ter comunhão somente com aqueles que estão edificados sobre o fundamento que está posto, Jesus Cristo (1Co 3.11), reconhecendo que somos a lavoura e edifício de Deus (1Co 3.9).
  2. Ecumenismo busca união acima da verdade, enquanto a união cristã zela pela verdade acima da união. A união cristã reconhece que fora de Cristo não há outro caminho, verdade ou vida (Jo 14.6) e está disposto a morrer solitário do que confessar outra ‘verdade’.
  3. Ecumenismo vê com maus olhos qualquer pessoa que não se afilia à sua associação pagã, enquanto a união cristã entende que o cristão tem liberdade em Cristo a participar ou não participar de seus movimentos, congressos, associações e projetos (Lu 9.49,50).
  4. Ecumenismo define a união como “concordância com todas as religiões independente de seus ensinos” enquanto a união cristã entende que ela é consequência da união já existente em Cristo, e a define como “trabalhar em prol do mesmo alvo que é anunciar Cristo”. Para o cristão, união não é andar de mãos dados, e sim, batalhar pelo mesmo Rei, submetendo-nos à sua Palavra. “Estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do Evangelho” (Filipenses 1.27).
  5. Ecumenismo incentiva a propagação de muitos credos, enquanto a união cristã reconhece que há somente um credo: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.16) (At 17.1-3) (Rm 10.8,9) (Jo 17.3).
  6. Ecumenismo leva os homens a perdição, enquanto a união cristã é preservada pela Trindade, conforme Jesus Cristo orou (Jo 17.11,21)
  7. Ecumenismo erra por chamar de puro aquilo que Deus condena, enquanto a falta de união cristã pode surgir quando chamamos de impuro “ao que Deus purificou” (At 10.15). Chamar de ‘falso’ aquilo que é edificado sobre a verdade e que anda na luz do Evangelho é desrespeitar o escopo e intenção da obra de Cristo.
IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA (ICAR)»
Todos os caminhos levam à união com a Igreja Católica Apostólica Romana? Confessar um corpo universal e eterno é se ajuntar a essa Igreja, já que a palavra ‘católica’ significa ‘universal’?
  1. A união cristã incentivada pela ICAR é contrária àquela ensinada nos Evangelho. A ICAR afirma que todos aqueles que compõem sua denominação compõem o corpo de Cristo, o que é inverter o ensino bíblico. Biblicamente, fazemos parte primeiramente do corpo de Cristo e por consequência disso buscamos nos ajuntar a uma assembléia local de cristãos, e não o contrário.
  2. A ICAR não confessa Jesus Cristo como único e suficiente Salvador e nem exalta Sua Palavra como o único padrão que rege sobre a igreja, como tem testemunhado a longa linhagem de mártires, reformadores e puritanos que saíram dela. Disse o Papa Bonifácio VIII em 1302, “Declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice.
  3. A ICAR não busca a união em Cristo; antes, defende a união sob uma mesma autoridade papal. Em última analise, a ICAR procura atrair todos para si, enquanto a genuína união cristã incentiva que todos sejam unidos em Cristo, que é maior do que qualquer denominação.
  4. A ICAR despreza todos aqueles que não se alinham à sua confissão de fé, chamando-os de hereges e apóstatas, o que não condiz com a liberdade que temos em Cristo de vivermos de acordo com as nossas convicções.
  5. A ICAR sugere a inerrância de seus líderes ao invés de confessar somente a inerrância da Palavra de Deus.
  6. A ICAR só será igreja viva, construída sobre a Rocha, quando ela voltar a confessar Cristo acima de qualquer tradição eclesiástica.
  7. Se acreditar na congregação universal e invisível nos torna automaticamente participantes da ICAR devido ao seu uso da palavra ‘Católica’, não deveremos desprezar então o conceito de ‘linhagem apostólica’ por ser defendido pela ICAR? A ICAR defende a ideia que (1) sua autoridade é apostólica por razão (2) dela ser a sucessão daquela primeira igreja dos apóstolos, e com esta base afirma que (3) nenhuma outra igreja fora da sua denominação tem autoridade apostólica para existir, congregar e evangelizar.
  8. Confessar uma verdade que homens tem buscado perverter não é a mesma coisa que confessar a perversão como a verdade.
Que possamos confessar a “simplicidade que há em Cristo” (2Co 11.3).[Arte: Christi Himmelfahrt por Gebhard Fugel, c. 1893]

Confissões de um legalista miserável

1. Sua felicidade me incomoda. Como é que você pode experimentar tanta alegria cristã quando eu tenho direito exclusivo à felicidade? Você não se veste adequadamente, adora adequadamente, fala adequadamente, vota adequadamente ou estuda, ora e defende a verdade suficientemente. Por que você está tão feliz, droga?!

2. Minha falta de felicidade me incomoda. Creio ter alcançado uma aceitação especial perante Deus devido ao meu modo de vestir, adorar e viver. E mesmo assim há um sentimento de vazio que incomoda minha alma. Eu cumpro todo o ritual da piedade e a sequidão ainda está lá. Onde está minha alegria?!

3. Estou chocado que o Espírito Santo use sua igreja. Rotulei sua forma de adoração como mundana e inaceitável. É frustante ver o Espírito Santo resgatar almas através da sua igreja.

4. Evito todos os versículos que fazem menção à unidade e amor cristão porque eles me confundem. Por que Deus me chamaria a um patamar mais elevado e depois exigiria convivência em amor com aqueles que não estão no mesmo nível de entendimento e santidade?

5. Quando você me ama, meu coração amolece. Quando você me trata como irmão/irmã em Cristo, simplesmente porque Jesus nos ama, me sinto desconfortável. Meu coração se quebranta de forma que não posso ignorá-lo. Me faz pensar que você sabe algo que eu não sei! Pare de me amar! Argh!!

6. Estou tão cansado de manter aparências. Ninguém pode saber que a minha família é imperfeita, minha fé instável ou minha igreja dividida. Há décadas mantenho essa aparência de perfeição gloriosa e estou exausto. Mas será que há mais do que isso?

7. Eu uso a palavra “graça”, mas não sei o que ela realmente significa. A meu ver, graça são pequenos mimos que Deus dá a quem se esforça ao máximo para permanecer no caminho estreito. Já ouvi falar de uma graça sobrenatural na qual o cristão pode descansar, encontrar sua identidade e desfrutar desde já e por toda a eternidade. Não faço ideia o que é isso.

8. Às vezes, Deus parece muito distante. Na verdade, quase o tempo todo. Mas onde Ele estiver, espero que ele esteja contente comigo, por que estou me esforçando ao máximo.

9. Temo que um dia descobrirão que eu sou um pecador também, e meu ministério acabará.

10. Gosto de citar homens santos que já morreram, mas nunca procuro saber no que criam ou como suas crenças diferenciavam-se entre si. Simplesmente imagino que eles, já que morreram pela “verdade”, certamente criam o mesmo que eu.

11. PARE DE SER TÃO FELIZ! (veja nº1)

12. Não tenho argumentos sólidos. Mas quanto mais bravo e fervoroso eu sentir enquanto debato doutrina, mais lógico soo a mim mesmo. Então perdoe minha gritaria e espírito contencioso. Isso também explica porque uso CAIXA ALTA em todos os meus argumentos.

13. Certa vez ouvi uma música cristã contemporânea e gostei. Isso me incomoda até hoje.

14. É tudo uma questão de paciência. Espere até que estejamos no céu e Jesus distribuindo as coroas que você verá quem tinha a razão o tempo todo. Aguarde!

15. É fácil demais ser cristão se tudo o que você tem a fazer é descansar no Seu perdão, se esconder em Sua grandeza e ter Seu amor como a maior motivação para seguir Seu ensino. Não pode ser tão fácil assim! Se é tão simples, por que a minha denominação ensina há anos tantas regras e regulamentos? Estou confuso!

16. Pois é, estou confuso! Então me deixe em paz. Não me ame ou me trate bem. Me dê razões para crer que eu estou mais próximo a Deus do que você. Eu quero estar próximo a Ele… mas me sinto tão longe.

Conceito de igreja universal entre os anabatistas

“Apesar da igreja ser chamada de nomes diferentes, … todas elas, antes, durante e depois da Lei, que, em sinceridade temem ao Senhor, andavam e continuem andando de acordo com a Palavra e Vontade de Deus, confiando em Cristo, são uma só comunidade, igreja e corpo, e para sempre serão; pois todas foram salvas por Cristo, aceitas por Deus, e receberam a dadiva do Espírito da sua graça.”

– Menno Simons, (1496-1561)

Fonte: “Concerning the church, and an instructive comparison how we may distinguis between the church of Christ and the church of anti-Christ” (link)

“As vezes, a Igreja é entendida como sendo todos os homens que estão congregados e unidos em um Deus, um Senhor, uma fé e um batismo, e confessam a fé com seus lábios, aonde quer que estejam na terra. Esta é a Igreja Cristã universal, o corpo e comunhão dos santos, que se reúne somente no Espírito de Deus, mencionado no nono artigo do Credo Apostólico. Outras vezes, a igreja é entendida como sendo, em particular, uma congregação externa, paróquia ou povo, sob um pastor ou bispo, que se reúne corporalmente para doutrina, batismo e ceia.” […] “A congregação particular pode errar, como a igreja papista tem errado em muitos aspectos. Mas a igreja universal não pode errar.”

– Balthasar Hübmaier, (1480?-1528)

Fonte: Henry Clay Vedder, “Balthasar Hübmaier, the Leader of the Anabaptists”, 1903 (link)

“O termo igreja ou congregação indica que ela é, não apenas invisível, mas também visível, pois o termo usado é ecclesia, ou seja, um encontro ou reunião ou congregação…”

– Dirk Philips, (1504-1568)

Fonte: William Estep, “The Anabaptist Story: An Introduction to Sixteenth-Century Anabaptism” (link)

“Cremos e mantemos firmemente tudo o que está contido nos doze artigos do símbolo comumente chamado de Credo Apostólico , e consideramos herética qualquer inconsistência com eles.”

– Confissão de Fé Valdense (1120)

Fonte: Confissão de Fé Valdense (link)

O propósito da Reforma na visão do Charles Spurgeon

“Considere a Reforma. Qual foi o propósito de Deus em levantar Lutero, e Calvino, e Zwingli, para efetuar a Reforma? Ora, para esse grandioso propósito: que Cristo veja o fruto do trabalho da sua alma, e que seus escolhidos creiam nEle. Este era o propósito da Reforma. E o que a Reforma alcançou? Não somente isto, mas também outras mil coisas, pois as artes e ciências devem seus progressos à Reforma; a mente humana foi libertada e expandida; e milhões de pessoas que nunca obtiveram a vida eterna em Jesus Cristo, pela gloriosa Reforma obtiveram liberdade, e dez mil misericórdias a mais.”

– Charles Spurgeon

fonte: General and Yet Particular, n°566 – Pregação ministrada em 24 de abril de 1864.